iPad mini pressiona e Apple perde mercado em tablets no terceiro trimestre

Um ano depois da morte de Steve Jobs e três anos depois do lançamento do iPad, a Apple apresentou perda considerável no mercado de tablets durante o terceiro trimestre de 2012. De acordo com dados do IDC, foram embarcados 4 milhões de unidades do modelo, o que representa 50,4% do mercado, contra participação de 59,7% verificada um ano antes.
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Além da diversidade de modelos de competidores disponíveis, o que motivou o processo, de acordo com a agência global de pesquisas, foram as expectativas sobre o lançamento de um iPad Mini ? situação confirmada agora no fim de outubro ? e as menores buscas de produtos tanto de consumidores quando de empresas (neste item, está incluída educação).
No geral, as vendas totais de tablets representaram 27,8 milhões de unidades no terceiro trimestre de 2012, o que mostra um avanço de 49,5% sobre o mesmo período de 2011, quando foram comercializados 18,6 milhões.
Nesta comparação, a Apple avançou apenas 26,1%, com as unidades embarcadas passando de 11,1 milhões para 14 milhões no período. Um crescimento na ordem de quase 30% em um ano não pode ser tido como uma notícia negativa quando analisado isoladamente. Contudo, quando se avalia o comportamento em geral ? que foi um incremento de quase 50% – é impossível afirmar que a empresa fundada por Jobs não esteja perdendo mercado para os concorrentes. Do segundo trimestre de 2012 para o terceiro de 2012, a participação neste mercado caiu de 65,5% para 50,4%.
Todos os demais cinco principais fabricantes de tablets ganharam espaço no período. O principal crescimento veio da Samsung com sua linha Galaxy Tab e Galaxy Note 10.1. A companhia distribuiu 5,1 milhões de unidades ao redor do mundo no terceiro trimestre do ano, uma alta de 115% sobre o segundo trimestre. Tomando como base o mesmo período de 2011, o avanço foi de 325%, quando 1,2 milhão de tablets foram embarcados. Amazon, Asus e Lenovo vieram na sequência em representatividade.
A Amazon, por exemplo, não tinha modelos no terceiro trimestre de 2011. Neste ano, a companhia apresentou seus modelos Kindle Fire de 7 polegadas e 8,9 polegadas no meio deste ano. Isso ajudou seu market share a sair de 4,8% para 9% entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano. A Asus ganhou espaço com o Nexus 7, ao passo que a Lenovo teve suas vendas impulsionadas pelo mercado chinês. Todos os aparelhos dos quatro principais fabricantes, depois da Apple, rodam Android.
Veja abaixo
| Fabricante | 3o. tri/2012 (unidades em milhões) |
3o. tri/2012 (market share) |
3o. tri/2011 (unidades em milhões) |
3o. tri/2012 (market share) |
Crescimento 2012/2011 |
| 1. Apple | 14 | 50,4% | 11,1 | 59,7% | 26,1% |
| 2. Samsung | 5 | 18,4% | 1,2 | 6,5% | 325% |
| 3. Amazon.com | 2,5 | 9% | NA | NA | NA |
| 4. Asus | 2,4 | 8,6% | 0,7 | 3,8% | 242,9% |
| 5. Lenovo | 0,4 | 1,4% | 0,2 | 1,1% | 100% |
| Outros | 3,3 | 12,2% | 5,4 | 28,9% | -38,9% |
| Total | 27,8 | 100% | 18,6 | 100% | 49,5% |
iPad mini, iPad killer?
O mais impressionante é que o grande motivador da perda de espaço da Apple foi exatamente um produto criado pela empresa para lidar com a concorrência no mercado de tablets menores, com sete polegadas. É interessante avaliar que a companhia, sempre à frente nos lançamentos e criando tendências, tenha, exatamente um ano após a morte de seu fundador, revertido seu caminho e apresentado um produto para atender a um nicho de mercado que seus concorrentes atenderam ao criarem produtos ?inspirados? em seu iPad.
?Acreditamos que um número considerável de consumidores interessados em comprar um tablet da Apple esperaram durante o terceiro trimestre o anúncio do iPad mini. Agora que o iPad mini, e uma quarta geração do iPad de tamanho convencional, chegaram, esperamos que a Apple tenham um trimestre muito bom. No entanto, acreditamos que o preço de saída do mini, de US$ 329 [para os Estados Unidos] deixa um grande espaço para que fabricantes Android mantenham o sucesso por eles conquistados durante o terceiro trimestre?, disse, por meio de nota, Tom Mainelli, diretores de pesquisas de Tablets no IDC.
Aqui vale uma outra consideração interessante: se clientes esperaram o lançamento de uma categoria de sete polegadas e adiaram a compra de um modelo de 9,7 polegadas, fica claro que, ao menos em um primeiro momento, quem compra iPad não o compra pelo tamanho. O compra, sim, pela marca. Arriscaria dizer que existem três categorias de tablets: o de sete polegadas, muito utilizado por clientes corporativos para o dia a dia no trabalho, os de dez polegadas, que são melhores para consumir vídeos e interagir com aplicações de entretenimento, e os iPads.
Qual a chance de o irmão mais novo canibalizar o mais velho? Se levarmos em consideração as especificações e preços de cada um ? enquanto o mini, com menos resolução de tela e processador menos potente sai a partir de US$ 329, o de 9,7 polegadas, com Retina Display e processador A6X custa a partir de US$ 499 ? difícil imaginar por que alguém trocaria o maior pelo menor. Quem, então, compraria o mini? Não podemos esquecer que ótimos concorrentes, como o Google Nexus 7 e o Kindle Fire,têm preço de entrada de US$ 199 (aqui, não é mera coincidência. Os preços estão somente em dólares porque esses modelos não são vendidos no Brasil).
Ainda se sabe o mercado do iPad mini. Ele foi lançado na sexta-feira (02/11) em 34 países (Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Bulgaria, Canadá, Cingapura, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Hong Kong, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Liechtenstein, Luxemburgo, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Porto Rico, República Checa, Romênia, Suécia, Suíça e Reino Unido). Segundo agências internacionais, não houve o frisson costumeiro de lançamentos da Apple, e em alguns países, como Hong Kong, parecia que o número de vendedores era maior do que o de clientes.
Seria o iPad mini, produto refutado por Jobs, o início da perda de prestígio da marca?
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