Internet das coisas: principais tendências

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11:49 am - 20 de janeiro de 2014

No primeiro artigo da série, descrevemos algumas tendências tecnológicas que terão impacto sobre a infraestrutura das operadoras de telecomunicações brasileiras em 2014; e, no segundo, como as operadoras podem tirar proveito de novas tecnologias para rentabilizar suas redes.

Dentre elas, está a chamada Internet das Coisas, ou Internet of Things (IoT), termo cunhado em 1999 pelo MIT AutoID Labs para definir o conceito que permite que qualquer objeto teria algum tipo de eletrônica embarcada que permitisse sua conexão sem fio com a internet.

Pois a Internet das Coisas já é uma realidade e, em 2013, movimentou mundialmente cerca de US$ 613 bilhões no setor privado, segundo o relatório Internet of Everything (IOE) Value Index da Cisco. Até 2020, estima ainda a Cisco, o valor gerado pela IoT será de US$ 19 trilhões, US$ 4,6 trilhões apenas para o setor público, por meio da melhoria de eficiência da máquina pública e redução de custos.

Já o IDC estima que a base instalada da Internet das Coisas será de aproximadamente 212 bilhões de elementos em 2020, o que inclui 30 bilhões de novas ?coisas? conectadas nos próximos seis anos.

Considerada a 4ª onda da internet, a Internet das Coisas é um tema extremamente importante e, abaixo, listaremos algumas tendências relacionadas a ela que devem se materializar em 2014 e que terão impacto direto na sociedade, nos negócios e na administração pública.

1. SmartGrid:

O investimento em infraestrutura de SmartGrid (ou seja, as rede elétricas inteligentes) nos países emergentes, incluindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, alcançará US$ 275 bilhões nos próximos 10 anos. Esse investimento será destinado a reduzir furto de energia, melhorar a confiabilidade e incluir as energias renováveis ??nas redes de eletricidade. O estudo ?Anual Emerging Markets Smart Grid: Outlook 2014? constatou que os investimentos incluirão sensores inteligentes e avanços das redes de transporte e distribuição. Só em 2014, espera-se a instalação de novos 5,6 milhões de medidores inteligentes, boa parte deles no Brasil.

2. Cidades Inteligentes:

Barcelona, a partir dos jogos Olímpicos de 1992, sofreu uma transformação urbana e econômica que tornou a capital da Catalunha uma das cidades mais importantes não apenas da Espanha, como da Europa. Além da revitalização de áreas importantes, como a região portuária (sonho do Rio de Janeiro para 2016), mais recentemente houve um direcionamento político para transformar Barcelona em uma cidade inteligente, por meio da adoção de diversos projetos com um uso intensivo de tecnologia e internet. Um exemplo é um sistema para gerenciamento inteligente do lixo, em que sensores são instalados em lixeiras públicas, permitindo ao centro de operações da prefeitura ter informações em tempo real sobre o quão cheias as lixeiras estão e sobre os odores dissipados (os parâmetros são configuráveis), otimizando as rotas de coleta do lixo, melhorando a qualidade de vida e reduzindo drasticamente os custos de operação. Os sensores se conectam via rede Wi-Fi pública espalhada pela cidade. A partir da conclusão deste e de outros projetos, como o de iluminação pública inteligente, Barcelona espera economizar mais de 3 bilhões de euros graças à redução de custos de operação e aumento de eficiência.

Outro tipo  de projeto que deve virar realidade em 2014 são os chamados ?estacionamentos públicos inteligentes?. Cidades como Santander, Budapeste, Estocolmo, Amsterdã, Cingapura, Taipei e São Francisco têm projetos de ?Smart Parking?, que são sensores instalados nas ruas para otimizar o estacionamento público.  Cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, devem implementar sistemas similares em 2014.

A instalação de sensores para detecção de disparos, sistemas de medição de ruídos e câmeras para vigilância pública também está na pauta das cidades brasileiras para 2014.

3. Consumidor:

Segundo matéria publicada na revista Times no final do ano passado, a expectativa é que a venda de roupas inteligentes e conectadas movimente US$ 606 milhões em 2014. Isso significa um salto de aproximadamente 35% no mercado da chamada ?internet vestível? em relação aos números de três anos atrás.

Pulseiras de monitoração corporal, óculos inteligentes (Google Glass), relógios inteligentes, entre outros equipamentos eletrônicos ?usáveis?, passarão a integrar a nossa lista de compras e consumo em 2014. Nossas casas estarão cada vez mais conectadas, e o mercado tem apostado nisso. Recentemente, o Google fez uma aposta na Internet das Coisas ao pagar US$ 3,2 bilhões pela Nest Labs, fabricante de termostato inteligente, um esforço para definir sua posição no mercado de dispositivos residenciais conectados à internet.

Na feira CES (Consumer Eletronics Show) de 2014, muitas empresas exibiram opções inteligentes de eletrodomésticos que fornecem alguma forma de controle pela internet ou de análise de dados pelos proprietários. Ao conectar sensores de dados e objetos, os fabricantes de eletrônicos de consumo esperam que seus clientes tenham uma vida mais fácil. Alguns desses equipamentos eletrônicos estarão disponíveis ainda em 2014.

*Lucas Pinz é gerente de tecnologia da PromonLogicalis, integradora independente de soluções de tecnologia da informação e comunicação (TIC) da América Latina.

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