Inteligência fiscal: seis dicas para sua empresa pagar menos impostos

Como exercer a “evitação fiscal” - meios, dentro da legalidade de pagar menos impostos - sem incorrer no risco de sofrer penalidades e multas

Author Photo
7:55 am - 01 de abril de 2016

Não
há quem não reclame da pesada carga tributária de nosso país, que
indubitavelmente fica com uma parcela muito considerável de tudo que
produzimos. Por esse motivo, muitos empresários se veem em tentação:
trabalhar 100% dentro da lei ou tentar buscar “caminhos alternativos”?
Sei que pode parecer estranho que em meio ao “Big Brother” da Nota
Fiscal Eletrônica, do acesso da Receita a cartões de crédito e
movimentações bancárias dos contribuintes, ainda existam empresários
que pensem que não serão pegos no pulo caso optem pela segunda
alternativa. Na verdade, alguns deles ficam tão preocupados em exercer a
“evitação fiscal” que se esquecem que podem existir outros meios,
dentro da legalidade, de pagar menos – e que no fim das contas o custo
de sonegar pode ser bem maior do que a economia feita. Isso sem falar
das potenciais multas e penalidades.

Quem
opta por sonegar imposto, além de cometer crime de acordo com a Lei nº
4.729/1965, encontra uma série de dificuldades. Sabemos que é difícil
hoje em dia um negócio sobreviver sem um sistema informatizado, porém
nenhum fornecedor de software sério permite, por exemplo, que a emissão
de documento fiscal seja parcial ou opcional, pois isso o tonaria
corresponsável pelo crime de sonegação, levando mais cedo ou mais tarde
todos os envolvidos a um desastroso fim.

Portanto,
quem resolve sonegar acaba com uma gestão mais frágil, sem o uso de
sistemas. E quem trabalha sem sistemas precisa confiar que seus
funcionários não irão desviar o dinheiro de vendas “não registradas”.
Por isso, o dono jamais tira férias e a empresa não cresce. Como seria a
expansão ou abertura de uma nova unidade sem o dono estar lá,
pessoalmente, para cuidar manualmente das transações “por fora”? Além
disso, o fato fica explícito, sendo comum ocorrerem casos onde
empresários sofrem ameaças de denúncias por ex-empregados no momento da
rescisão.

Mas, felizmente, é possível buscar formas legais para pagar menos impostos. Não
podemos nunca esquecer que as regras tributárias do nosso país, além de
serem supercomplexas, possuem muitas interpretações, a ponto de ser bem
difícil uma empresa estar 100% correta, por mais que queira! Então,
vamos considerar que uma empresa neste segundo cenário não é uma
organização perfeita, é apenas uma empresa que não quer pagar mais
tributos do que que deveria. E por onde começar?

Na
selva tributária, ter um bom guia pode ser a diferença entre a vida e a
morte empresarial. Tudo começa, sem dúvida, com uma boa assessoria
contábil. O contador assumiu nos últimos anos uma posição estratégica
para empresas de qualquer porte. Então, por isso, fui direto à fonte,
pesquisando as principais dicas de como lidar melhor com os impostos,
dentro da legalidade.

Veja o que disseram alguns dos melhores contadores
do país:

Enquadre a empresa adequadamente:
Um ponto de convergência onde todos os contadores são unânimes é que as
empresas precisam optar pelo regime tributário mais adequado. “Ter um
faturamento pequeno não quer dizer que ela deve ficar no Simples
Nacional”, alerta Roberta Mantovani dos Santos, diretora da
Contabilidade Nova Equipe M.. Cabe ressaltar que “o cliente deve
solicitar ao seu contador uma análise anual do enquadramento”, lembra
Relton Chaves, da Atlas Assessoria. “A empresa deve possuir uma boa
gestão interna e uma boa contabilidade para fazer uma comparação entre
os regimes do Simples Nacional, do Lucro Presumido e do Lucro Real”,
destaca Gabriel Jacintho, diretor da GJacintho Consultoria. Porém,
apenas é viável a simulação do enquadramento se a empresa possuir
sistemas e controles eficientes na sua gestão financeira e operacional.
Em outras palavras, muitas empresas pagam mais do que deveriam
simplesmente por falta de uma gestão interna que gere informações
confiáveis para uma análise mais criteriosa do regime tributário
adequado.

Analise os benefícios fiscais:
Após essa análise, sendo viável permanecer no Simples, ainda caberá
verificar os benefícios fiscais previstos às operações realizadas, ou
seja, “se o contribuinte cadastrou corretamente em seu sistema as
operações com substituição tributária do ICMS, se há hipótese de isenção
ou diferimento do ICMS (para fins de exclusão do % do ICMS do DAS), bem
como se há situações de saídas de produtos monofásicos (casos em que ao
estabelecimento comercial é aplicada alíquota zero de PIS/COFINS,
também excluindo os percentuais correspondentes do DAS)”, explica
Antonio Carlos Ijanc, da Helija Contabilidade. Pedro Barros, da MG
Auditoria e Contabilidade, demonstra em números este caso para o estado
de Pernambuco. “Uma empresa que está na faixa de alíquota do Simples de
11,61%, para mercadorias adquiridas com o pagamento de ICMS Substituição
Tributária, poderia reduzir esta alíquota para 7,66%”, exemplifica.

Verifique as alíquotas: Outra
boa dica é, na cotação de preços, sempre verificar se o produto
comprado não ultrapassa os 40% de seu conteúdo em importação. “Neste
caso, a mercadoria virá com alíquota de 4% de ICMS onde o empresário,
sendo do Simples, não terá direito ao crédito do valor e ainda terá que
recolher a diferença de alíquota (alíquota do estado menos 4%),
acarretando assim um grande aumento da carga tributária”, destaca
Robison José Teodoro, da Exatus Contabilidade.

Avalie dividir a empresa:
“Uma opção mais avançada é repensar a estrutura empresarial, com uma
possível divisão do objeto da empresa em um conjunto de empresas
responsáveis por cada fase, com regimes tributários mais interessantes
para cada uma delas, gerando ganhos em uma ou mais fases”, sugere Enzo
Dourado, da Contribute Contadores Associados. Além disso, profissionais
liberais, que costumam emitir recibos tributados de IR, já podem se
associar em empresas enquadradas no Simples Nacional com uma alíquota
reduzida. “No caso de
sociedades de advogados, por exemplo, a alíquota inicial é de 4,5%,
diminuindo drasticamente a sua carga tributária”, enfatiza Luiz Fernando
Martins Alves, da Martins Alves Contabilidade.

Diminua o pró-labore: Agora,
se a empresa está no Lucro Real, “diminuir o pró-labore e implantar a
distribuição de lucros isentos aos sócios poderá economizar até 47,5%
sobre os valores retirados”, garante Marciléia Criscuolo, da São Vicente
Contabilidade. Essa distribuição pode ocorrer a qualquer tempo, desde
que haja cláusula contratual específica abordando essa possibilidade e
os lucros sejam comprovados mediante balancete de suspensão e redução de
tributos (balancete mensal na opção do lucro real anual). Para isso, “a
escrita contábil precisa ser feita com rigor”, acrescenta a contadora.

Busque opções:
Adicionalmente, “é necessário verificar as opções de CNAEs, que também
se enquadrem na atividade a fim de garantir uma tributação mais clara e
precisa, o que pode trazer diferenças quanto às alíquotas de PIS e
COFINS sobre o faturamento”, afirma Luís Monteiro, da RMonteiro
Contábil. Além disso, “startups que possuem um planejamento para gerar
prejuízo nos primeiros exercícios podem se beneficiar de um abatimento
futuro de tributos no momento que passar a dar lucro, caso estejam
enquadradas em Lucro Real”, explica Luciano Aleixo, da Aleixo &
Silva. “Já no caso de multinacionais, para um estrangeiro que busca
vender serviços no Brasil, a carga tributária é consideravelmente menor
se o cliente estrangeiro se estabelecer no país abrindo uma empresa
local e, posteriormente, remetendo os resultados da venda de serviços
como lucros e/ou dividendos”, diz Rodrigo Tancredi, da HLB Spot
Contábil.

Em
suma, independente do regime tributário, a proximidade entre cliente e
contador é fundamental. “Em conjunto, podem estudar a legislação
estadual, federal e municipal para checar se existem benefícios para os
produtos e operações do cliente”, aconselha Jailson Alves, da iGo Gestão
Inteligente. Quem pensa em uma operação informal imagina que está
economizando o valor do imposto, mas esquece de todo o custo extra que
está incorrendo com gestão, equipe, possíveis perdas por desvios, além
do tempo e energia que poderiam ser usados para buscar o crescimento.
Com uma boa gestão, o empreendedor consegue economizar nos tributos e
ter mais chance de crescer, pois com o governo eletrônico, a sonegação
tende a se transformar simplesmente em um empréstimo com os juros mais
altos do planeta (multa de duas a cincos vezes o valor do tributo),
podendo ainda vir acompanhado de detenção de seis meses a dois anos. Com
certeza, não vale a pena correr esse risco. 


(*) Marcelo Lombardo é idealizador do produto Omie e CEO da Omiexperience

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.