Intel muda comando no Brasil em busca de inovação

A Intel trabalha em uma nova estrutura organizacional no Brasil. A mudança ocorreu há algumas semanas e vem para acomodar uma estratégia de aceleração da inovação na subsidiária brasileira da organização.
Com a movimentação, Fernando Martins deixa a posição de diretor geral da fabricante de chips no País, posto que ocupou ao longo dos últimos três anos, e retorna a uma função mais orientada à pesquisa e desenvolvimento na companhia. Seu foco passa a ser frentes como marco regulatório e governo.
O que muda, na prática, é o fato de que o gerenciamento do dia a dia no escritório local, bem como os esforços de venda, passam às mãos de Steve Long, diretor geral da fabricante para a América Latina.
Martins substituiu Jesus Maximoff que, em 2011, comandou interinamente a subsidiária nacional depois da saída de Oscar Clarke, que deixou a empresa de chips em 2010, para assumir a liderança da HP Brasil, de onde saiu há pouco tempo.
Fato é que a Intel, ao se pronunciar sobre as mudanças organizacionais revelou que busca um executivo para a função de diretor geral no Brasil ? o que deixa margens para especulações sobre uma eventual volta de Clarke, companhia onde trabalhou por seis anos.
Dentre as grandes de TI, a Intel talvez seja a provedora em posição mais confortável nesses tempos de mudanças e rupturas comerciais e tecnológicas. Mesmo com avanços de novos conceitos ? e especial o da mobilidade, que trouxe consigo a arquitetura ARM ? oponentes pouco ameaçaram a hegemonia da empresa.
Além disso, fala-se bastante na chegada efetiva da internet das coisas no mercado de B2B. Algumas consultorias, inclusive, apontam que será um mercado bastante relevante que começa a ganhar cada vez mais espaço a partir desse ano.
São cenários que tiraram a fabricante deixou a zona de conforto. A companhia se ajusta para captar novas oportunidades de mercado. O próprio deslocamento de Martins para uma posição mais de inovação no Brasil demonstra isso. Isso reverte adaptações também nas frentes de canais.
Atualmente 30% dos negócios da fabricante de chips no Brasil vem através de parceiros de integração (65%) e varejo/revendas (35%). São cerca de 8 mil aliados comerciais no País. Desses, a companhia mantém um relacionamento mais próximo com cerca de 460.
Há um esforço para trazer aos produtos de conteúdo local (organizações como Foxconn e Flextronics) manufatura de all-in-ones, tablets e 2 em 1 que podem ser revendidos por canais com suas próprias marcas, por exemplo. A iniciativa, na visão da companhia, traria vantagens dos canais de hardware na competição com marcas famosas comercializadas por grandes redes de varejo.
Em conversa com CRN Brasil, Marcelo Montenegro, diretor de canais da Intel no país, por exemplo, cita uma reunião na companhia onde lhe foi apresentado um gráfico com participação da fabricante no mercado de chips. A relevância da marca era praticamente absoluta. Contudo, um novo slide revelava o potencial de negócios onde a companhia atua como entrante.
A ideia por trás da abordagem é mostrar diferenciais em mercados onde atua como entrante. Nos últimos trimestres a fabricante amadureceu sua visão de mobilidade. ?São desafios que fazem a gente pensar?, diz, referindo-se ao passado recente e que motivaram uma aceleração da organização em direção oferta de produtos além das commodities.
E no horizonte que se desenha, cada vez mais conectado, muitas portas ainda podem ser abertas a partir da conexão de múltiplos dispositivos, que ganham inteligência. Certamente haverá oportunidades para o canal explorar novas frentes de negócios.
