Inovação tecnológica e criatividade destrutiva

*Por Marco Antonio Chiquie
A explosão da inovação no setor de tecnologia da informação que o mundo vivencia há pelo menos 30 anos expõe a sociedade constantemente a curtos ciclos de definições sobre qual tecnologia deverá ser adotada ou consumida nos próximos anos.
Esta indústria da criatividade destrutiva é capaz de tornar obsoletos ou sem sentido produtos amplamente consumidos ou empresas de qualquer porte em qualquer parte do mundo, tornando o planejamento e a diretriz de qualquer empresa do setor num enorme e constante desafio estratégico.
Nos últimos 20 anos, vimos o enfraquecimento e até mesmo o desaparecimento de grandes e poderosas empresas de várias partes do globo que pareciam imbatíveis, não só pelo seu tamanho, mas também pelo grande sucesso e respeito da sociedade aos seus produtos e tecnologia.
Na grande maioria dos casos não foi a falta de qualidade do produto, atendimento ou gerenciamento que levou a este resultado, mas sim a incapacidade ou dificuldade de enxergar claramente a velocidade da inovação e adaptação de mercado de seus principais concorrentes. Muitas destas grandes empresas, sem enxergar o poder de sua invenção, desenvolveram a tecnologia que foi capaz de destruí-las.
Há inúmeros exemplos nos últimos 20 anos de empresas que passaram ou estão passando por esta situação. Casos como Kodak, Xerox, Motorola, Sony, Panasonic, Novell, Netscape, Palm, Nokia, RIM, entre muitos outros, podem dar uma clara ideia de como o mercado movimenta-se rapidamente em diversas áreas da tecnologia.
Neste momento trava-se uma enorme batalha tecnológica pela adoção do padrão de consumo de dispositivos de acesso e conteúdo. Com a Apple desbancando a Microsoft e assumindo o posto de empresa de tecnologia mais valiosa do mundo, estamos vivendo um momento de transição que certamente deixará enormes consequências e mudará o rumo da tecnologia da informação.
O desenvolvimento do iPhone e a rápida penetração em mercados de alto consumo de tecnologia revolucionou o mercado de telefonia e de PC”s, colocando a Apple na vanguarda tecnológica deste início de século.
Muito mais que um produto, a Apple desenvolveu um estilo de consumo ao ponto de ser admirada pelos seus clientes como se fosse uma estrela de cinema e copiada por empresas lideres da indústria de tecnologia, que nos últimos 30 anos se desenvolveram baseadas na plataforma Intel/Microsoft, colocando em xeque um negócio de mais de dois trilhões de dólares.
No final de Outubro, a Microsoft lançou simultaneamente em todo o mundo seu novo sistema operacional, o Windows 8. Presente em 95% de todos os computadores em funcionamento no planeta, a Companhia de Bill Gates anuncia que está entrando em uma nova era e promete que o Windows 8 será a aposta dos usuários para funcionamento dos PC”s e dispositivos móveis nos próximos anos.
Em meio a tudo isso, há também um importante componente que promete acirrar ainda mais a disputa pelo mercado. O Android, sistema operacional desenvolvido pelo Google, é hoje o maior concorrente da Apple no mercado de smartphones e tablets, sendo forte ameaça à Microsoft para ocupar as vagas em dispositivos que não são produzidos pela empresa da maça, tornando ainda mais complicado o desafio da Microsoft para entrar no mercado de dispositivos móveis.
Diante deste cenário bastante nebuloso, ainda não há clara definição de quem sairá fortalecido ou vitorioso nesta disputa. O que sabemos é que todo período de transição tem prazo para terminar e que os grandes fabricantes de PC”s precisam urgentemente tomar posição quanto a que tipo de hardware vão ofertar. Fabricantes tradicionais de PC”s como HP, ACER, LENOVO e DELL, ainda não mostraram clara posição sobre que produto os consumidores leais deveriam investir e assim, seguem perdendo mercado e veem seus negócios perdendo valor a cada dia.
Esta indefinição, também afeta toda a cadeia de distribuição, pois os modelos de negócio e comercialização adotados pela Apple e pelo Google diferem do tradicional modelo de comercialização da indústria de PC”s, colocando em alerta o canal de distribuição especializado que espera sinais claros da indústria sobre quais caminhos adotar.
Até que estejam claros quais rumos a indústria deverá adotar, cabe aos distribuidores de TI analisar constantemente os sinais que são enviados diariamente ao mercado e procurar antecipar as tendências para adotar estratégias de negócios que busquem diversificar a linha de produtos ampliando o canal revendedor, levando sempre mais produtos de tecnologia aos tradicionais canais de TI e aos novos canais que entram no mercado.
*Marco Antonio Chiquie
Vice-Presidente da ABRADISTI (Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação)
