Robert Bosh Ltda.

Raio-X

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4:04 pm - 30 de julho de 2001


Companhia migra para o R/3 4.6c para melhorar o atendimento à cadeia logística, adotar novos indicadores gerenciais e aperfeiçoar os processos e a comunicação interna.


Três por quatro

Edgar Marçon

  • Gerente de tecnologia da Robert Bosch para a América do Sul.
  • 4 anos e meio na Robert Bosch América do Sul como gerente de TI.
  • Atuou 16 anos na MWM Motores do Brasil.

    Desafios
    1) Implantar o SAP R/3 nas unidades fabris do Brasil e, posteriormente, Argentina
    2) Atualmente o maior desafio é atender a cadeia logística, supply chain expandido, implementar novos indicadores gerenciais no BW e melhorar os processos internos integrados aos novos recursos do SAP R/3 4.6C
  • A Robert Bosch – que tem o privilégio de passar por três séculos de administração – abriu fogo contra a necessidade de melhorar o relacionamento com a cadeia de fornecedores e vai utilizar todas as facilidades que a tecnologia da informação oferece. A base estratégica mundial para o século XXI está calcada no programa BeQIK, no qual as letras Q, I e K são iniciais de termos em alemão correspondentes a qualidade, inovação e orientação. Imagine se o fundador da pequena oficina de reparos mecânicos e elétricos, nascida em 1886, estivesse vivo para acompanhar toda a evolução de TI e pudesse armazenar o histórico de sua bem-sucedida empreitada?

    Certamente o engenheiro assumiria a mesma postura adotada hoje pelos sucessores alemães: cautela em relação à sua política de CRM (Customer Relationship Management). Edgar Marçon, gerente de tecnologia da Robert Bosch para a América do Sul, afirma que os investimentos nessa área estão congelados e ficaram para 2002 no aguardo de um sinal verde da matriz em Stuttgart (Alemanha).

    A Bosch está envolvida com a implantação do pacote de gestão desde 1997, quando iniciou a instalação do sistema na unidade de Curitiba, em abril. O projeto foi concluído em julho do ano passado na unidade da Argentina. E, logo depois, a companhia já iniciou o upgrade da versão 3.0f para 4.6C do SAP R/3. Marçon afirma que o foco esse ano é expandir o relacionamento com a cadeia de fornecedores, melhorar e consolidar seu data warehouse – através da análise gerencial de novos indicadores. “Embora o Brasil tenha sido o primeiro país a implantar o software de gestão da SAP, todo o cronograma de TI é determinado pela matriz”, ressalta o executivo.

    Com a implantação e integração dos sistemas, todas as seis fábricas brasileiras e a planta da Argentina – Aratu (BA), capital paulista e duas em Campinas (SP), além de Curitiba (PR) – foram automatizadas tanto na parte administrativa como operacional.

    Outro foco é gerar novos indicadores para que os gestores da companhia tomem conhecimento sobre o que está acontecendo com a empresa. “Embora a Bosch já trabalhe com o BW (Business Warehouse), da SAP, na área comercial – implementado desde 1999 – vamos expandir para logística, qualidade, compras, finanças”, conta Marçon.

    A expectativa é de que a primeira fase dessa iniciativa seja concluída ainda neste ano, envolvendo os principais indicadores, como acompanhamento de estoque, vendas, compras, nível de qualidade e atendimento ao cliente, etc.

    Trampolim
    A Bosch ensaia seu salto nos mares não navegados da Internet, já que a Alemanha desenvolve atualmente um portal que, ainda sem data marcada, será o canal de comercialização com todos os fornecedores. Por enquanto, as iniciativas em terras brasileiras são experimentais.
    Diante dos primeiros passos rumo ao B2B (business-to-business), cerca de 90% dos pedidos para revenda serão recebidos através da Extranet, com troca de informações via EDI (Eletronic Data Interchange) entre os três mil fornecedores, o que agilizará as transações e irá melhorar a logística, pois eles receberão até o final do ano informações em tempo real.
    Marçon ilustra que será possível realizar o pedido de embarque da matéria-prima, despacho, serviços, etc., além de verificar a situação financeira em relação à fabricante de autopeças e ferramentas elétricas.

    Ensino a distância

    A comunicação interna também passa por adaptações. Preocupado com os usuários do sistema, a Bosch não quer mais perder tempo em treinamentos e parte para um piloto de e-learning. “Para formar uma cultura com base em um software de gestão é preciso tempo e dinheiro, uma vez que atualmente contabilizamos três mil usuários SAP na América do Sul”, afirma o executivo.

    A idéia é multiplicar o conhecimento através da Intranet da corporação, com o uso de ferramentas que a versão 4.6C dispõe a partir de agosto. Marçon ressalta que “tudo o que pudermos focar nas soluções com a SAP será aproveitado”. Esse projeto envolverá a disseminação por meio de dados, voz e imagem. Para que isso ocorra, a companhia – que ainda usa linha privada – avalia o mercado de Frame Relay com o objetivo de melhorar a performance da rede.

    Coincidência ou não, o fato é que a Robert Bosch e a SAP falam a mesma língua desde quando formaram a parceria tecnológica há cinco anos, além de estarem presentes nos principais continentes do mundo. Este fato conta pontos a favor de quem usa e abusa das as ferramentas do software de gestão e acaba se tornando fiel à fornecedora. Não é comum a montadora adotar pacotes de software de outras fornecedoras e isso é, sem dúvida, um retrato de que o desenvolvimento de tecnologia automotiva representa forte integração de seus sistemas.

    Mobilização

    Usuária do R/3, o upgrade para a versão 4.6C promovido pela Bosch envolveu um time de 145 usuários, mais uma equipe de 30 pessoas da área de TI e ainda consultores da própria SAP. Apesar da recente atualização, o módulo de folha de pagamento foi implementado nesse mês na fábrica de Curitiba e a área de recursos humanos é um projeto que vai até meados de 2002.

    “Além dos benefícios da nova versão, evoluímos e conquistamos um sistema homogêneo dentro da Bosch e, com o volume de usuários, precisamos atualizá-los porque cada qual aprendeu a servir-se do ERP de forma pessoal”, explica Marçon, que terminou o treinamento em outubro de 2000. Como centro de competência para a América do Sul, a companhia prevê a implantação do ERP na Venezuela ainda esse ano.


    RAIO-X

    Robert Bosch Ltda.

  • Número de funcionários – 10 mil
  • Faturamento 2000 – US$ 937 milhões
  • Número de fábricas – seis na América do Sul (Aratu (BA); três no Estado de São Paulo, sendo duas em Campinas e uma na Capital; Curitiba (PA) e uma em Buenos Aires (Argentina).
  • Orçamento previsto para TI – não divulgado
  • Parque instalado de software – ERP: R/3 SAP versão 4.6C; software de escritório: MSOffice com Outlook; sistema operacional: Windows NT, migrando para 2000 até o final do ano; banco de
    dados: Oracle 8.05 e até o final do ano 8.1.6
  • Pontos de Rede – 160 distribuidores interligados pela Extranet por meio de linhas privadas
  • Rede de telecomunicações – Embratel e Impsat
  • Parque instalado de hardware – Servidores: mais de 100 (IBM); workstations: 4 mil (grande maioria IBM, última cotação); storage: 9 Terabytes entre Chark IBM e EMS
  • Base de desenvolvimento da Intranet/Extranet/Internet – Java, com Visual Age (IBM), middleware Websphere (IBM) e banco de dados Oracle 8i.

  • Harmonia no chão de fábrica

    Depois de se instalar na Argentina, em 1994, uma das plantas da Robert Bosch, em Campinas (interior de São Paulo) passou a ser a sede administrativa latino-americana da companhia, gerenciando toda a atividade comercial do continente. Esse é um dos motivos para experimentar novas frentes em tecnologia da informação como o projeto, ainda piloto, de adotar coletores de dados, por meio de radiofreqüência, no chão da fábrica campineira.

    Não é por acaso que a empresa abusa da tecnologia da informação. No Brasil, a Bosch também produz ferramentas elétricas com um mix de produção no interior paulista, que inclui as linhas profissional, industrial e hobby, além de furadeiras, politrizes, serras circulares, entre outras, com uma capacidade total de produção de 30 mil ferramentas/mês, destinadas
    tanto ao mercado nacional quanto à exportação.

    Segundo Edgar Marçon, gerente de TI da Robert Bosch para a América Lanita, esse é um dos passos importantes
    que tem como objetivo reduzir a zero o número de erros de despacho, onde é possível conectar os recursos da 4.6C sem intermediações.

    Foram adquiridos até agora 10 coletores fornecidos da norte-americana Intermec, mas o executivo, que não revelou os participantes, afirma que avaliou sete fornecedores antes de adquirir os equipamentos. “A meta é contabilizar 80 dessas máquinas somente em Campinas, mas a expectativa é que o projeto de código de barra seja implantado até o primeiro semestre de 2002”, revela.

    Com a casa arrumada, todo o custo de tecnologia da informação foi centralizado numa área única, ou seja, antes cada departamento atualizava seu parque conforme a necessidade. Marçon adianta a intenção de adquirir equipamentos via leilão reverso, depois de a Alemanha absorver o projeto Internet.

    |Computerworld – Edição 346 – 25/07/2001|

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