Pão de Açúcar desiste da marca Amélia

O processo de integração das operações online com as de tijolo, que teve início no ano passado, culminou com o fim dos esforços do grupo Pão de Açúcar na marca Amélia, que vira agora uma anfitriã dos clientes onlines nos sites www.paodeacucar.com.br, para venda de alimentos, e www.extra.com.br, para eletroeletrônicos.

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9:03 pm - 20 de novembro de 2001

O Amelia.com.br, operação de comércio eletrônico do grupo Pão de Açúcar, já havia perdido a independência e agora se transformou em uma nostalgia, tal qual a música de Ataulfo Alves e Mario Lago, que inspirou o nome da companhia.

A Companhia Brasileira de Distribuição (CDN), que controla a empresa, decidiu desistir da marca e agora foca seus esforços nos sites www.paodeacucar.com.br e www.extra.com.br.

Quem acessar o site www.amelia.com.br será convidado a entrar em um desses dois endereços. O primeiro será a operação de comércio eletrônico do Pão de Açúcar para a área de alimentos. O segundo venderá produtos eletroeletrônicos.

"É a conclusão do processo de integração do comércio eletrônico na Companhia Brasileira de Distribuição", ressaltou Luiz Furtado, diretor do divisão de comércio eletrônico do grupo Pão de Açúcar. A personagem Amélia se transforma numa anfitriã dos dois sites, dando dicas e recebendo o internauta.

Com isso, o Pão de Açúcar põe um ponto final na sua aventura independente na área de comércio eletrônico. Lançado com grande pompa e a participação de Abílio Diniz, o principal executivo do grupo, o Amélia surgiu para ser uma operação independente, com logística própria e abrir o capital numa das mecas do capitalismo, a Nasdaq.

Mas a retração do mercado de capitais e o estouro da bolha pontocom fizeram o Pão de Açúcar recuar rapidamente a estratégia e, ainda em 2000, começar o processo de integração com as estruturas de tijolo do grupo, processo que culminou com a saída de Deborah Wright, executiva contratada a peso de ouro para dirigir a empresa de internet, em fevereiro de 2001.

Em 2000, o prejuízo operacional foi de R$ 19,5 milhões para um faturamento de R$ 32,7 milhões. Nos nove primeiro meses de 2001, segundo Furtado, a divisão de comércio eletrônico já equiparou o resultado do ano passado. "O crescimento é constante, principalmente na área de eletrônicos", declarou o executivo. Os prejuízos, embora ainda existam, também estão se reduzindo, diz, embora os dados não sejam revelados.

Ao longo de 2001, muitos indicadores mostraram que o desempenho da empresa melhorava. O valor médio das compras passou de R$ 260 para R$ 349. São entregues 80 mil itens por dia, devendo chegar ao final do ano com mais de 100 mil itens. E a base de clientes saltou de 93 mil (começou com o Pão de Açúcar Delivery e o Eletro Online) para 260 mil.

O passo do Pão de Açúcar é uma volta ao passado, mas também uma constatação, penosa para muitos empreendimentos online, de que a estratégia multicanal — a integração de todos os canais de venda da companhia, inclusive a internet — é a mais adequada para o comércio eletrônico ou tradicional.

Os grandes varejistas online são nomes conhecidos do consumidor, como Americanas, Magazine Luiza, Americanas, Ponto Frio, C&A ou Saraiva. Só o Submarino permanece como um empreendimento exclusivamente online.

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