Governança de TI da nova era exige quebra de paradigmas

CIOs da Bonasa, FMC e Roche revelam estratégias alinhadas às exigências do mercado transformado pelo digital

Author Photo
4:20 pm - 21 de maio de 2018

Hábitos dos consumidores, perfil de profissionais, modelos de atuação de empresas de diferentes setores, entre inúmeros componentes de variados ecossistemas de negócios no mundo todo sofreram impactos da transformação digital (ainda em curso). E se nada será como antes, não haveria de ser diferente com a governança de TI.

Os ambientes corporativos, antes apoiados em gestão tradicional, receberam novos atores e inovações estratégicas para garantir melhor eficiência e competitividade no cenário econômico transformado.

De acordo com Edson Souza, gestor de TI da Bonasa Alimentos, primeiramente é preciso quebrar paradigmas. Ele destaca que a a governança de TI é um braço da governança corporativa e tem o papel de criar controles para que a TI trabalhe da forma mais transparente possível perante executivos, gestores, conselho de administração e acionistas.

Com a transformação digital, as atualizações tiveram de acontecer em alta velocidade o que torna essa jornada complexa. Uma ação importante nesse processo, segundo Souza, é o treinamento de funcionários. 

“Quando pensam em treinamento, os gestores sentem até um calafrio, pois sabem que essa atividade exige investimento de tempo e dinheiro. Além de organização da logística do treinamento, que requer planejamento de como esse evento vai afetar as atividades normais da empresa.”

Outro passo importante é o desenvolvimento de uma cultura da inovação. “Para isso, é necessária uma mudança de mentalidade dos colaboradores, que devem estar abertos a novas formas de trabalhar. É um desafio, pois existe um apego quase que emocional a processos tradicionais. É preciso mudar o foco da equipe, de ‘o meu jeito’ para ‘o melhor jeito’”, ressalta.

Para Souza, entre os maiores entraves para a modernização da governança de TI estão: a maioria das empresas no Brasil não possui planejamento estratégico devidamente constituído, há poucos profissionais certificados, a maioria das empresas não visualiza a TI como estratégica, ainda existem muitas estruturas de TI operando no clássico estilo “corpo de bombeiros”, falta de transparência e consequente credibilidade, e governança de TI sem comandante, métricas e incentivo.

“Estou trabalhando fortemente para uma TI mais estratégica, com ações apoiadas até mesmo em um planejamento de marketing, trabalhando com aspectos dentro da própria TI. Além disso, é muito importante também a criação de um comitê estratégico de TI para ajudar na ‘venda’ dos seus projetos e aprimorar o relacionamento com as áreas de negócio.”

Mais do que inovação, visão
Na Roche, o modelo de governança de TI é um conjunto de processos que facilitam e agilizam as tomas de decisão. E tem características particulares. Segundo Laís Machado, diretora de TI Latam da Roche, ela se divide em quatro perspectivas – Projetos de TI e Negócios, para avaliar estratégias e tomar decisões sobre os investimentos em projetos; Melhorias de Processos e Sistemas, que objetiva priorizar decisões emergente das áreas de negócios; Fórum de Governança, para acelerar iniciativas que envolvem transformação digital; e Modelo de Serviços, que aborda assuntos mais objetivos como aquisição de equipamentos e políticas que regem serviços.

A guinada rumo à transformação do modelo tradicional da governança de TI na Roche aconteceu no ano passado, no módulo Fórum de Governança, com a criação do Flex, que possibilitou acelerar projetos com ferramentas e tecnologias disruptivas, apoiado no conceito de TI Bimodal.

De acordo com Lais, o Flex é a resposta da empresa para as exigências do mundo digital. “Ingressamos na nova era, por meio do modelo Agile, encurtamos os prazos de entrega e usamos muito das novas metodologias, mesmo em projetos tradicionais.”

Ele impulsionou a digitalização de processos internos e externos, prossegue Lais, e desenvolvimento de aplicativos específicos para o time de vendas, proporcionando o rápido acesso às políticas da empresa.

“Realmente, a TI muda a vida das pessoas, e, portanto, além das facilidades ligadas ao uso da tecnologia, existe o ganho de valores intangíveis como a satisfação dos profissionais, a facilidade e a segurança nas tomadas de decisão”, destaca.

Mas a cereja desse bolo foi uma intuição assertiva. Quando Lais ingressou na Roche como CIO, há seis anos, desde o início percebeu a importância de agregar ao seu time um profissional que se responsabilizasse pela comunicação, hoje peça-chave para a integração da TI com toda a empresa no Brasil e América Latina. “Com essa estratégia, todos os stakeholders ficam na mesma página em relação à movimentação da TI.”

Assim nasceu o TI in your hands, um informativo que é produzido e divulgado pela TI, com as suas principais entregas. Os projetos passaram a ganhar destaque, mostrando desafios superados e benefícios proporcionados às áreas de negócios contempladas e como transformaram o negócio. “Essa visibilidade do trabalho que está sendo feito pela TI concedeu à TI mais espaço na mesa de discussão estratégica”, revela.

governança

Sintonia no ambiente é chave
Excelência em governança na TI é fruto de um ambiente em que as pessoas possam dar o seu melhor. É no que acredita Vanderlei Andrade, CIO da empresa agroquímica FMC para América Latina e Global. “Para isso, minha gestão é focada em pessoas + processos + tecnologia. Procuro despertá-las para conduzi-las ao melhor”, revela.

Andrade destaca que a velocidade imposta pela era digital é hoje a única forma de continuar evoluindo. “Mas sem nos perder e nos distanciar do time. É importante conhecer cada integrante, suas habilidades e integrá-los em uma estratégia de colaboração para que os resultados sejam alcançados em conjunto. O trabalho conjunto é que constrói uma boa governança.”

Primeiramente, segundo o executivo, todos tiveram de mudar a maneira de pensar e isso se refletiu nos processos. “Nosso foco voltou-se para o digital. Inovamos no gerenciamento do budget. Sendo assim, controller e PMO passaram a trabalhar mais próximos, em colaboração, tornando a gestão do budget mais transparente, o que facilitou a construção de um planejamento mais assertivo”, orgulha-se Andrade.

Outro avanço destacado foi a simplificação da comunicação, que passou a permear todas as áreas e a disseminar a inovação em todas elas, contando com o CEO e o CIO como facilitadores. Juntos, é possível despertar a empresa para o novo e apoiar a integração dos profissionais mais antigos com os jovens que trazem inovações e diferentes formas de trabalhar.

“Hoje, estamos vivendo uma evolução global em nossos processos corporativos na esteira do SAP S/4 Hana, que nos despertou para a metodologia Agile, agora uma filosofia na organização, no mundo todo, em suas diversas áreas de negócio. Todo o time da TI participa da implementação dessa solução, convivendo diariamente com esse novo modelo de trabalho. Nessa jornada, há integração, colaboração e sintonia.”

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.