Google Glass: um autocorretor para nossas vidas?

A última pessoa que ficou na fila para testar por dois minutos o “facetime” do Google Glass esperou durante uma hora. Era como se uma pequena luz se acendesse sobre suas cabeças e, pensando bem, isso não está longe de acontecer.
Considerando as perguntas que surgiram durante uma demostração que fiz sobre o Google Glass, a conversa girou em tono de “Como faço para programá-lo?” (HTML5 Web services ou Java Android), ou “Eu tenho uma boa ideia de aplicativo!” e “Como eu consigo um?” (acho que você vai ter que esperar até 2014). E, depois de toda a discussão sobre os prós e contras, é preciso experimentar o Glass antes de se obter um.
Se dizem que os olhos são as janelas da alma, o Google Glass é como se fosse um demônio à espreita, esperando e observando. Mas você pode perguntar: esperando pelo quê? Esta é de fato a pergunta de US$ 6,4 bilhões, se as especulações sobre o tamanho do mercado que se inaugura com o device forem plausíveis.
Atualmente, o Glass se parece pouco como o Linux quando o baixei pela primeira vez (32 disquetes!) e o instalei. O Google Glass só será bem sucedido, e acredito que vai, se uma variedade de aplicativos atraentes e divertidos, chamados de Glassware, estiverem disponíveis quando o dispositivo chegar ao varejo.
Agora, retomando o título do artigo… o Google Glass fará a autocorreção de nossas vidas? Algoritmos de correção são muito utilizados para prever o que queremos escrever. Em vez de mostrar o que você está digitando, o óculos high tech irá observar uma série de ações que realizamos ao longo do dia. Assim, esse pequeno “demônio” estará observando, aprendendo, sendo repreendido, sendo instruído e, gradualmente, tornando-se um confiável e indispensável anjo da guarda.
Isso será um pouco assustador, por vezes perturbador e até mesmo perigoso. Mas eu não vejo nenhuma dessas tecnologias “vestíveis” como impeditivo para evolução tecnológica mais do que foram os trens, aviões e carros para a evolução das tecnologias de transporte.
De fato, o Glass é a pura manifestação do encontro do que eu chamo de meta-plataforma digital compartilhada, uma plataforma de plataformas sociais, móveis, analíticas, de nuvem, de workflow e de linguagem.
Social devido a integração do Google+, Twitter, Facebook, etc.; mobile à medida que somos seres em movimento; analytics, pois ele irá aprender o que iremos fazer; nuvem, é claro; workflow, explico a seguir; linguagem quando dissermos “OK, Glass, agora…”.
Por que o workflow merece um lugar aqui
Do mix de tecnologia citado anteriormente, só o workflow realmente precisa de uma justificativa para ser incluído nesta meta-plataforma emergente. O workflow consiste em uma série de etapas que consomem recursos (neste caso, a nossa atenção) para alcançar um objetivo. A tecnologia de workflow é representada por um workflow executável de declarações e frases em código armazenadas em um banco de dados para consulta e execução. Alguns sistemas prescrevem que os usuários podem fazer, enquanto outros se concentram no que os usuários não podem fazer.
A tecnologia de workflow depende cada vez mais do processo de análise para saber o que provavelmente irá acontecer em seguida, de modo que estes sistemas podem acionar automaticamente a tela para a direita ou a opção de comando de voz no momento certo. Às vezes – e isso é cada vez mais possível– os programadores podem até mesmo inspecionar e editar esses modelos de processos executáveis.
Para o Glass ser um grande sucesso, acredito que muitos aplicativos Glassware, especialmente na indústria de saúde, irão exigir filtros auto adaptáveis e personalizáveis, prioridades e workflows.
Em outras palavras, se o Glass realmente fará a autocorreção para sua vida, especialmente a vida profissional, ele também precisa de um workflow para sua face.
