Freemium ganha tentáculos e aumenta amplitude de monetização de dados
Trata-se de uma quebra de paradigma própria da Web 2.0 que chega, agora, ao mundo físico, escreve especialista no tema

Ainda pouco entendidos, mas muito utilizados, os serviços Freemium já acendem espaços físicos públicos e corporativos. Isso é feito com aplicações e inteligência, de modo a oferecer aos usuários serviços especiais que melhorem sua experiencia e sua eficiência. Trata-se de uma quebra de paradigma própria da Web 2.0 que chega, agora, ao mundo físico.
O Freemium é um modelo de negócio que oferece gratuitamente (“free”) uma infinidade de serviços digitais. Nesse formato, é comum cobrar-se um valor (“premium”) por funcionalidades avançadas ou especiais. A palavra “Freemium” foi criada em 2006 pelo norte-americano Fred Wilson para combinar esses dois aspectos de negócios na Web 2.0: “free” e “premium”. Hoje, esse conceito também está presente nos espaços físicos (aeroportos, shopping centers, estádios, etc.).
Alguns dos serviços Freemium digitais (virtuais, não físicos) mais populares são Linkedin, Spotify, Skype e Dropbox.
Essas são empresas gigantescas que, mesmo oferecendo acesso gratuito aos seus serviços, são muito lucrativas. A saúde financeira dessas empresas se baseia em três pilares: continuar atraindo novos usuários (o Skype, por exemplo, tinha 600 milhões de usuários em 2017); oferecer funcionalidades Premium suficientemente críticas para convencer parte desse universo a começar a pagar por seus serviços; e, finalmente, criar perfis de usuários (monetização de dados) que, com a ajuda de soluções de bigdata/analytics, serão usados para vender novos serviços e produtos.
Em nome da máxima rentabilidade, é essencial que o serviço Freemium atraia continuamente novos usuários. Conforme a atratividade da oferta paga, uma porcentagem desse universo acabará aderindo ao modelo Premium. Imagine que você seja o CEO de uma startup Freemium e receba um relatório dizendo que 1% é sua taxa de conversão (a porcentagem de usuários gratuitos que fizeram upgrade para um plano Premium) do trimestre mais recente.
O índice de 1% sinaliza que uma grande quantidade do que está sendo fornecido é gratuito — o que dá aos usuários poucos motivos para fazer upgrade. Entretanto, uma taxa de conversão muito alta não é necessariamente boa. Isso acontece porque um dos benefícios de um modelo Freemium é a capacidade de gerar tráfego (um elemento chave da monetização de dados, a verdadeira força financeira do modelo Freemium). Pensando-se no quadro maior, talvez seja melhor converter 5% de 2 milhões de visitantes mensais do que converter 50% de 100.000 visitantes.
Mais do que a porcentagem de conversão para Premium, a grande meta dos investidores de um serviço Freemium é gerar tal volume de dados sobre os usuários do sistema ou do espaço físico que isso reverta em novas vendas.
Monetização de dados é a verdadeira força motriz do mercado Freemium.
Estamos falando de um cenário em que, a princípio, os dados sobre os usuários do serviço eram gerados por bancos de dados tradicionais, mensagens de e-mail, etc. A evolução da tecnologia está fazendo com que outras fontes de dados sobre o usuário ganhem cada vez mais espaço: trata-se de soluções baseadas em beacons, video analytics, inteligência artificial e IoT (Internet of Things) capazes de estender a visão de dados, inicialmente cadastral, para dados comportamentais.
Passa a ser possível literalmente “enxergar” o comportamento do consumidor não só em um sistema digital (logs tradicionais mapeando o uso de uma aplicação Freemium como o Skype, por exemplo) mas, também, em um espaço físico. A meta é enriquecer e refinar o perfil desse consumidor/usuário.
Estas novas tecnologias acompanham os usuários em determinados ambientes inteligentes e os rotulam e escalonam por gênero, faixa etária, geolocalização. As soluções são capazes, também, de analisar por onde andaram e onde pararam dentro do espaço Freemium (aeroportos, shoppings, prédios corporativos, etc.) A riqueza da análise aumenta quando se cruza esses dados com o perfil da pessoa em redes sociais e com outras aplicações que mapeiem seus hábitos de consumo. O resultado final contribui para aumentar, e muito, o volume de vendas e de novos negócios.
Para isso, os dados criados a partir dessas tecnologias serão monetizados de uma maneira muito sofisticada. A soma de serviços de consultoria de negócios com soluções de bigdata/analytics é o que irá gerar, ao final do dia, um dashboard sob medida para cada empresa – uma verdadeira alavanca de crescimento dos negócios.
Em 2019, inteligência e tecnologia farão com que a receita decorrente de monetização de dados aumente, atingindo novos patamares.
Segundo relatório da IDC sobre BigData (2017), a monetização de dados está se tornando uma grande fonte de receita. O fundamento disso é claro: até 2025, o mundo criará 180 zetabytes (180 trilhões de gigabytes) de dados. Em face disso, veremos cada vez mais empresas analisando grandes volumes de dados para estabelecer o perfil dinâmico de seus usuários e clientes e, com base nele, projetar estratégias comerciais perfeitamente adequadas a cada um de seus usuários.
É exatamente aí que está o interesse de novos e grandes grupos de investimentos pelo mundo Freemium. Imagine acender com este tipo de tecnologia e inteligência um determinado ambiente físico. E, a partir daí entender o perfil e o comportamento de quem frequenta esse espaço. Por um lado, o espaço oferece um ambiente altamente colaborativo e uma experiência única de lazer, convivência, colaboração profissional e pessoal. Por outro, em troca de serviços Freemium e de uma experiência incrível, o usuário devolve seus dados e seu comportamento. De forma imperceptível, tudo isto já está acontecendo nos grandes centros urbanos brasileiros.
*Paulo Henrique Pichini é CEO & President da Go2neXt Digital Innovation
