Forças de mercado mudarão profundamente outsourcing de TI

O passar dos anos transforma o cenário do outsourcing de serviços de TI. O Gartner chega a estabelecer que vive-se um momento de renascimento da terceirização. ?Os modelos vencedores de amanhã são diferentes dos de ontem. Novas funcionalidades virão de novos fornecedores e muitos dos provedores atuais não sobreviverão?, define Frances Karamouzis, vice-presidente de pesquisas da consultoria.
O grupo aponta oito forças agindo sobre o mercado: componentização da oferta, globalização, elos de valor dos serviços, computação em nuvem, consumerização, segurança e privacidade, hipercompetição e hiperverticalização. A transformação segue também os vetores de um cenário de grande pressão, estimulado por uma economia nacional em expansão e retomada de investimentos.
?As empresas precisarão tirar proveito imediatamente desse contexto e não terão muito tempo para pensar?, acrescenta Cassio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisa do Gartner, classificando o contexto como crescimento indisciplinado. O analista cunhou a expressão para definir o cenário de pressão do negócio que não permite o melhor planejamento para aproveitar os resultados em um cenário urgente. ?Será preciso uma gestão diferente, mais alternativa e holística para avançar em um mundo turbulento?, completa.
Isso implica do surgimento, cada vez maior, de novas funcionalidades fora dos muros das empresas usuárias, ciclos tecnológicos mais curtos e o surgimento de novos players para disputar esse mercado em pé de igualdade (e vantagem) contra os grandes. O movimento exige que os gestores e provedores de TI avaliem, compreendam e pratiquem novos modelos e ofertas daqui para frente. Na outra ponta, provedores precisarão combinar portfólios, alinhar-se as mudanças e explorar novos negócios.
?Há uma mudança na forma como se faz outsourcing, e isso não é uma opção?, comenta Linda Cohen, também do time de especialistas do Gartner, que acrescenta: ?No passado, os tratos eram muito específicos para cada cliente. O provedor não tinha muita escala?. Os ventos apontam para a criação de padrões no portfólio ofertado.
Peso
O Brasil movimenta quase a metade do montante financeiro empregado pela América Latina em serviços de TI. A expectativa da consultoria é que a região gire um montante na casa de US$ 33 bilhões, ao fim desse ano; quantia que deve chegar a US$ 44,5 bilhões, em 2014.
O crescimento local no período será na casa dos 5%, contra uma expansão global do setor na casa dos 4% no mesmo intervalo. O mundo, ao final de três anos, aplicará US$ 944 bilhões em outsourcing de serviços de tecnologia.
O Gartner identificou alguns desafios para que o conceito ganhe terreno nas empresas nacionais. Segundo a consultoria, há lacunas estratégicas entre a percepção e impacto da tecnologia nos negócios, os movimentos rumo ao outsourcing ainda são encarados muito fortemente com a premissa de redução de custos, falta alinhamento, há uma baixa adoção de modelos como computação em nuvem, há gaps na gestão e organização das ações de sourcing e os provedores não são vistos como parceiros de negócio.
Contudo, existem coisas animadoras, como uma demanda interna crescente, evolução econômica brasileira latente ao longo dos últimos meses, cenário de expansão dos provedores locais, verticais fortes e um DNA de companhias locais que primam pela flexibilidade, criatividade, agilidade e foco no cliente.
