Finep abre porta para formar fundo de capital de risco junto a fabricantes de TI

Prosseguindo a discussão sobre inovação iniciada na quinta-feira (05/09), vamos falar de um tema correlato e importante à evolução do tema: fundos de investimento. Glauco Arbix, presidente da Finep, participou da inauguração do centro de inovação da Cisco no Rio de Janeiro, no final de agosto de 2013. O executivo da agência do governo sugeriu à fabricante a formação de uma parceria para criação de um fundo de investimento para tecnologia da informação e telecom.
No modelo, a fabricante de redes teria papel similar ao que já desempenham Embraer e Petrobrás, que estão à frente de iniciativas semelhantes nos setores onde atuam. A ideia de um corporate venture (fundo corporativo de capital de risco) ajudaria a incentivar um ecossistema de startups na frente de TI.
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Rob Lloy, presidente global de desenvolvimento e vendas da Cisco, presente no evento, não descartou uma parceria. O executivo afirmou desejo da companhia em estimular negócios nascentes e reforçou a ideia de que a empresa tem um compromisso de investimento de longo prazo com o país. Vale ressaltar que parte do investimento de 1 bilhão de reais a ser feito pela fabricante no Brasil considera participação nesse tipo de iniciativas.
Outras empresas de TI mantém braços de investimento em capital de risco. Não faz muito tempo, a brasileira Totvs anunciou a criação de um corporate venture. A lista contempla nomes como IBM, Microsoft, Google. Talvez um dos players mais conhecidos nessa seara seja a Intel. O convite feito pela Finep à Cisco deixa implícito um cenário que pode ganhar tração, gerando um ecossistema fértil e que já coleciona algumas boas práticas.
Buscas
?Normalmente investimos em empresas que possam ajudar o fortalecimento de um ecossistema. Gostamos de identificar setores com representatividade e investir em negócios que possam acelerar o uso de tecnologia nesses setores?, define Alexandre Vilela, diretor de investimento da Intel Capital, que trabalha a questão sob dois ângulos: financeiro e estratégico.
O executivo observa que há um estoque alto de capital a ser investido nas empresas da América Latina, com cerca de 65% dos recursos a serem canalizados ao Brasil. O chamado middle market, companhias que faturam entre 10 e 150 milhões de reais, ainda tem muito espaço para crescer nesse tipo de aporte.
?O que se percebe é que mais de 50% do volume [investido] mirou empresas do setor de TI, embora os valores não tenham sido alto, mais ou menos 4,5 milhões de dólares por transação. Esse capital, procurou, em transações em e-commerce e internet?, pontua, sobre o cenário em um passado recente.
Setores em evidência, além dos já citados (e-commerce e internet comercial), na visão de Vilela contemplam aplicações empresariais, TI para saúde, big data e meios móveis de pagamento.
Case
Há cerca de dois anos, a Intel Capital investiu na brasileira que atua no setor de saúde Pixeon Medical Systems desenvolvendo software de gestão de dados e imagem para medicina diagnóstica. O projeto seguiu preceitos que geralmente norteiam aportes da companhia. ?Sempre pensamos: vamos investir nessa empresa porque ela vai acelerar esse mercado?, comenta. A ideia é aplicar recursos em uma empresa que possa ser uma plataforma para o setor.
O recurso ajudou a startup investida a potencializar negócios. O investimento, por exemplo, permitiu que a companhia nascida em Santa Catarina multiplicasse por cinco seu valor de mercado em cerca de dois anos.
Contudo, a Intel não foi a primeira incursão no mercado de capitais. Roberto Ribeiro da Cruz, CEO da Pixeon, cita uma parceria anterior com CNPq e Finep onde captou mais de 3 milhões de reais. Os objetivos eram diferentes. Quando buscou esse recurso, o foco era inovação. ?A ideia era ter domínio de novas tecnologias e criar produtos para o mercado?. Alguns produtos foram desenvolvidos em conjunto com academia.
Investir em uma tecnologia que deixa conhecimento para outras inovações. ?O primeiro desenvolvimento não foi um sucesso, mas serviu de base para uma segunda onda baseada em cloud?. Aprendemos no primeiro aporte apesar do produto não ser um sucesso, mas permeou na empresa para um novo produto. O projeto pode não ter sucesso, mas garante conhecimento na tecnologia que permanece na empresa que desencadeará novos produtos.
Chegou dado momento, olhamos para ela, tinha produto, mercado intenso a conquistar mas como crescer? A busca era por crescimento, no menor tempo, ter mercado e agregar conhecimento? Uma linha é a pesquisa e inovação e a outra é o crescimento. A companhia buscou um fundo que tivesse reconhecimento para ajudar na associação de marcas; que tivesse relacionamento e tecnologia no setor; suporte para processos de fusão e aquisição; implantasse um modelo de governança;
Reflexões, entender a melhor fonte de recursos para a empresa. ?Não só fundo de investimento é caminho? e pensar o que a empresa quer ser no futuro. Passando desse ponto, dinheiro é commodity, tem que buscar no parceiro o que ele agrega.
O processo de capitalização, contudo, é lento. ?Não é como ir no banco, assinar uma promissória e já estar o dinheiro na conta. Não é simples. Normalmente, quando se entra em processo desse acaba deixando algo de lado na empresa?. Por isso é bom ter claro a melhor forma de investimento.
