Fiep cria rede para gerar inovação

Não é de hoje que se discute o uso de plataformas de colaboração no ambiente corporativo e que tipo de benefícios elas podem trazer para as empresas. O fato é que muitas companhias têm adotado essa ferramenta para instigar o trabalho em equipe, divulgar ações internas, coletar feedbacks e, principalmente, angariar boas ideias que gerem inovação, seja em produtos ou processos. Talvez, nesta última frente esteja uma das principais apostas atuais. E para que um projeto desses tenha sucesso, muitas organizações apostam no uso e adequação de todas as funcionalidades de interação possíveis.
O Gartner, em 2009, por exemplo, já previa que, em 2013, ao menos 80% das plataformas de colaboração seriam baseadas em técnicas de web 2.0, ou seja, com funções de chat, wiki, vídeo, entre outros. Hoje, com a tendência de social business tomando conta do ambiente de tecnologia empresarial, essas plataformas colaborativas, a partir de diversas integrações, se convertem em verdadeiros Facebooks corporativos. E isso tem estimulado, inclusive, a chegada de novos concorrentes.
Se antes falar em colaboração era algo restrito a empresas como Microsoft, Google e Cisco, hoje você tem fabricantes como Citrix, VMware e redes sociais como Yammer com ofertas interessantes e aderentes ao ambiente empresarial. Mas, no final das contas, o que os executivos realmente querem é resultado. Em muitas situações esse retorno é demorado, até porque, nem sempre uma companhia está preparada para uma plataforma de colaboração ou rede social corporativa. Por vezes, o sucesso esbarra no engajamento dos funcionários ou mesmo do público externo quando a estratégia está baseada em colaboração/inovação aberta.
Um exemplo que tem tido fôlego e angariado resultados interessantes, sobretudo, a partir da participação externa, vem da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). O diretor de inovação da entidade, Fiilipe Cassapo, trabalha no assunto há algum tempo. Ele conta que a estratégia de trabalhar o tema inovação por lá vem desde 2003, quando se iniciou uma série de atividades para promover a interação entre os integrantes da organização.
Em 2009, entretanto, é que a iniciativa ganhou corpo, a partir da criação da Rede de Inovação, tendo como pano de fundo a plataforma de colaboração Sharepoint, da Microsoft. O objetivo, como lembra o diretor, era promover a inovação a partir da colaboração entre empresas, academia e organizações governamentais, seja no âmbito federal, estadual ou municipal. Toda a ideia estava centrada em desenvolver um cenário baseado em web 2.0, para propiciar o máximo de interação possível. ?Inovação é feita de colaboração e precisa de ambiente para que as partes dialoguem e queremos promover isso na web. Queremos mapear experiências, casos, fazer biblioteca, tudo o que o mundo 2.0 permite.?
A solução da Microsoft se adequou à realidade pintada por Cassapo, já que para executar o projeto ele precisava de uma plataforma que estivesse pronta, mas com possibilidade de personalização e com a disponibilidade de todos os recursos 2.0. Permissão para personalizar era algo essencial para que fosse criada uma identidade para o programa, ressalta o diretor, que contou com forte apoio da TI na discussão dos prós e contras das ferramentas disponíveis e também nas integrações que foram necessárias durante todo o processo. ?Não imaginamos todo esse trabalho sem o suporte da TI. Assim que tive a ideia conversei com a diretoria de TI, até porque tem a questão de infraestrutura, integração, diálogo com prestador de serviço.?
Gerindo conhecimento
Por toda a proposta desenvolvida pela Fiep, o que mais pesou na busca pela ferramenta foi a disponibilidade das funcionalidades de interação. ?Chegamos a avaliar seis soluções. A TerraForum entrou a partir desse momento, é um parceiro com o conhecimento ferramental e de negócio. Uma coisa é ter a técnica, outra é ter experiência com assuntos como inovação e gestão do conhecimento?, relembra, ao comentar a importância de uma consultoria parceira nesse tipo de iniciativa.
Passada toda a fase de compra e consultoria, eles partiram para a implantação da ferramenta em si. Para que o processo caminhasse da melhor forma possível, eles mantiveram ativa uma equipe multidisciplinar, envolvendo, principalmente, as áreas de TI e inovação. Os resultados iniciais surgiram dois meses após o início dos trabalhos, com a primeira versão do portal no ar. O diretor de inovação lembra que se trata de algo muito desafiador, já que não era uma rede voltada apenas para tecnologia, mas um ambiente criado para interessados em inovação de forma geral.
?Falamos com universidades para saber o que agregaria valor, com empresas, organizações. Queríamos um ambiente bem aceito e com a cara dos interessados?, comenta. A primeira parte da rede consistiu, sobretudo, na publicação de informações sobre inovação com eventos, editais que as empresas poderiam participar para captar recursos, referências com artigos, cases e recursos de colaboração. ?O objetivo é ter um mapeamento de experiências, um local onde as pessoas contem sua experiência em inovação.?
Atualmente, a Rede de Inovação conta com 2,1 mil pessoas cadastradas. Elas navegam, em média, dois minutos pelo portal. Embora a Fiep entenda como um número bom, o desafio, como frisa Cassapo, é crescer a comunidade. ?Não basta portal, tem que interagir. Para ter continuidade, estamos nas redes sociais para mobilizar toda a comunidade, é um trabalho constante?, avisa. ?É desafiador mobilizar a comunidade tecnicamente. Falando assim, parece não haver dificuldade, mas personalizar pede técnica. O movimento de colaborar é a troca de ideias e isso é desafiador.?
Nas redes sociais, os esforços realizados angariaram quase quatro mil seguidores no Twitter e pouco mais de 700 ?curtir? na página criada no Facebook. Mas todo esse trabalho já estava previsto no escopo do projeto. O diretor de inovação da Fiep lembra que o fator mobilizar comunidade pulsava como algo essencial. Nesse contexto, ele afirma que o trabalho da consultoria foi essencial.
Embora ele entenda que os números precisam e devem crescer, o objetivo inicial da Rede de Inovação parece ser cumprido. O portal tem promovido a interação entre pessoas de diversos perfis, desde um empreendedor, passando por pessoas que buscam montar seu primeiro negócio e chegando a grandes multinacionais. Isso sem falar de governo e academia. ?Todos estão enxergando valor?, ressalta Fiilipe Cassapo. ?Falamos com todos os graus de maturidade no tema, desde quem não sabe nada, até quem está bem preparado e quer articulação. O conteúdo foi organizado em uma taxonomia dividida em quatro níveis.?
Para facilitar a interação e colocar as empresas dentro do nível mais adequado, uma boa sacada da Rede de Inovação foi a criação de uma plataforma de diagnóstico. A partir de 32 perguntas, os participantes consegue saber o grau de maturidade em inovação e, com base no resultado, eles também entendem o que pode ser feito para impulsionar o crescimento, mais de 500 empresas realizaram o diagnóstico. Hoje a rede está aberta para quaisquer interessados, bastante, para participar, o preenchimento de um cadastro básico.
