Ficar muito tempo na mesma empresa é bom ou ruim? Depende!
Se a empresa que você está não proporciona novos desafios e oportunidades, talvez seja hora de partir

Uma
dúvida bastante comum entre os profissionais é se é melhor construir
uma carreira com várias empresas no currículo ou se firmar numa única
empresa por um longo período. A resposta a esse questionamento é
bastante complexa.
Antigamente,
fazer carreira numa empresa era algo extremamente valorizado. Sinal de
confiança e competência. Depois, passou a ser visto como comodismo ou
falta de ambição profissional. Mas, na verdade, não devemos ser tão
radicais e muito menos simplistas numa questão como essa.
Antes
de qualquer coisa, é preciso que o profissional trace o seu plano de
carreira. Quais são as suas metas pessoais? De onde você veio, onde está
e onde quer chegar? Responder a esses questionamentos é fundamental e
decisivo para quem quer criar uma carreira da qual se tenha orgulho.
Tendo
em mente quais são seus objetivos, é importante avaliar se a empresa
que você está hoje te permite alcançá-los ou não. É preciso assumir o
papel de líder de si mesmo e analisar a compatibilidade entre o que você
pretende e o que a empresa pode lhe oferecer.
Caso
o ambiente atual seja promissor, você terá algumas vantagens.
Certamente, a maior delas é o fato de estar familiarizado com a cultura.
Um dos maiores problemas na troca de um emprego é o risco de não se
adaptar. Estar num ambiente seguro, onde se está adaptado e se é aceito
pelo grupo, costuma fazer bastante diferença na hora de criar uma
carreira de sucesso.
Somado
a isso, existe a sensação de estabilidade. Se você é um profissional
respeitado, querido pelos demais, provavelmente não estará entre os
primeiros a serem cortados no caso de um eventual corte de pessoas. Essa
segurança proporcionada por anos de trabalho pode ser muito importante
para os profissionais cujo perfil seja mais conservador, avesso a
riscos.
No
entanto, essa vantagens não podem ser aproveitadas como desculpas para o
comodismo. Achar que o emprego está bom porque é perto, paga bem, é
tranquilo e você já domina o que faz, provavelmente não vai te ajudar a
construir uma carreira de sucesso.
Ainda
que seja dentro de uma mesma empresa, é imprescindível que o
profissional seja submetido a uma série de desafios. Assumir novas
responsabilidades, novas funções e conquistar promoções deve estar
sempre no radar de quem quer ser um profissional diferenciado.
À
medida que a empresa vai propondo novas oportunidades, é importante que
o profissional busque corresponder às expectativas. Nesse sentido,
conhecimento nunca é demais. Fazer cursos, ler livros e buscar
atualização profissional em sua área ou em correlatas vai fazer com que a
empresa invista e reconheça seu trabalho cada vez mais.

Se
a empresa que você está não proporciona esses desafios, talvez seja
hora de partir. Contudo, faça isso de forma bastante consciente dos
riscos e oportunidades em que a decisão implica. Seja em várias ou em
poucas empresas, o mais importante é que o profissional continue
alinhado ao seu plano de carreira.
Agora,
caso você esteja em busca de recolocação e esteja com dificuldade de
abordar essa questão numa entrevista de emprego, fique tranquilo. Se
você ficou muito tempo numa empresa, procure exaltar os desafios e
projetos que teve durante esse longo período.
Já
se você teve passagem por várias empresas e por um curto espaço de
tempo, destaque o que motivou a sua saída de forma a demonstrar que você
é um profissional ativo, em busca de oportunidades e desafios
constantes. Não dê a entender que você pode ser um eterno insatisfeito
ou impulsivo. Assim, a empresa pode alinhar se você é ou não o tipo de
profissional que ela busca.
Procure
evidenciar o seu comportamento dentro da carreira pelo que ele é,
reforçando suas conquistas e desempenho. Assessorias de carreira podem
ajudar nesse processo, destacando o que é positivo em sua trajetória.
Cultive a resiliência, o interesse e a dedicação. Se estiver
comprometido com isso, sua carreira refletirá um excelente profissional,
independentemente do tempo que passou em cada lugar.
(*) Fernanda Andrade é gerente de Hunting e Outplacement da NVH – Human Intelligence
