Executivos de negócio investirão US$ 6 bilhões em TI no Brasil em 2014

As áreas usuárias avançam sobre o terreno da tecnologia da informação. Aos poucos (e cada vez mais) ganham relevância nos investimentos em ferramental tecnológico. A IDC estima que executivos de negócio das corporações brasileiras aplicarão US$ 6 bilhões em TI e telecom este ano.
O volume de recursos na mão de profissionais à frente de linha de negócios, como marketing, vendas, logística e RH, pode ser encarado de forma animadora. Contudo, trata-se de uma informação a ser ponderada com cuidado e usada como oportunidade pelos provedores de solução.
Um estudo do ano passado realizado pela AMI-Partners e encomendado pela Microsoft revelou que a TI administrada por outras áreas desperdiça US$ 24 bilhões ao ano mundialmente. As perdas são em produtividade e foram contabilizadas junto ao universo de pequenas empresas, que aplicam US$ 83 bilhões em tecnologia, de acordo com a mesma pesquisa.
Seja como for, a constatação da influência das áreas de negócio nos investimentos de TIC foi um dos destaques na tropicalização das previsões feitas pela IDC quanto a tendências sobre uso de tecnologia no País. No mercado nacional, a consultoria prevê uma situação não muito diferente do que ocorre em suas projeções mundiais. A lista de 10 previsões alinha-se à expectativa que a ?terceira plataforma? avance de maneira impactante por aqui também.
Contudo, percebem-se algumas particularidades regionais, conforme a descrito abaixo:
- #1. Executivos de negócio aumentam influência nos investimentos de TI. Estima-se que US$ 6 bilhões, no Brasil, dos recursos aplicados em tecnologia este ano serão oriundos das linhas de negócio;
- #2. Terceira plataforma incentivará atualização das redes de dados corporativas. Isso se vincula a entrada de novos dispositivos e aplicações dentro das infraestruturas empresariais;
- #3. Operadoras vendem mais serviços de dados (9,7%), voz móvel (11,4%), dados móvel (21%) e data center (13%). O ano marcará queda de 2,4% em suas ofertas de voz fixa. Dados é peça-chave;
- #4. big data e analytics amplia espaço, mas ainda há desafios. O mercado local cresce de forma mais tímida frente ao mercado mundial. Os gastos com o conceito chegarão a US$ 426 milhões este ano, impulsionados pelas verticais de varejo, telecom e finanças. O montante girado no país é mais da metade do investimento nessas ferramentas na AL. Provedores terão que mostrar valor das ferramentas em comparação a tecnologias já utilizadas de BI;
- #5. Data centers terão um papel fundamental para processar e armazenar dados, isso deve reverter atualização da parte térmica, elétrica e de gestão desse tipo de infraestrutura. A consultoria estima que 20% dos servidores vendidos no Brasil, em 2014, serão comprados por empresas de DC;
- #6. A modernização na camada de aplicações alavancará adoção de public cloud. Espera-se que US$ 2,6 bilhões serão movimentados na nuvem pública em 2017, sendo que, esse ano, o montante atingirá US$ 569 milhões, puxados por SaaS. O caminho percorrido será pelo ambiente híbrido;
- #7. Os dispositivos móveis seguirão em ritmo acelerada, com avanço significativo de smartphones e tablets. Notebooks e computadores de mesa desaceleram devido a maturidade do mercado e penetração desse tipo de produto, com movimento de reposição de máquinas. Em 2014, os tablets passam os notebooks no volume de vendas, mesmo não sendo um substituto do smartphone e PC. Pessoas estão mais conectadas com mais dispositivos. Smartphones foram 53% do mercado nacional no ao passado e este ano chegarão a 71% das vendas de aparelhos de telefone;
- #8. A mobilidade vem primeiro, isto é: consumerização virou realidade e acomodar a questão na estratégia corporativa figura entre as prioridades dos CIOs. O BYOD trará mais de 5 milhões de aparelhos não homologados pelas políticas de TI das companhias brasileiras este ano. Isso impacta na infraestrutura de telecom, segurança da informação, por exemplo. 39% das empresas vão incluir dispositivos pessoais em uma plataforma de gerenciamento MDM;
- #9. A enterprise mobility move-se de maneira mais acentuada do e-mail para aplicações móveis, na área de gestão, venda e trabalhadores de campo;
- #10. Internet das coisas acelera com aplicações B2B, chegando a movimentar US$ 2 bilhões em 2014. No brasil, isso será mais latente em utilização para gestão de frotas. Além disso, as verticais de saúde, seguradoras automotivas, automação de processo e energia. O ecossistema de integradores especializado começa a surgir;
Assim como nas previsões locais, as tendências previstas para o País em 2014 se apoiam fortemente no que a IDC chama de ?terceira plataforma? ? tecnologias influenciadas pelos conceitos de cloud, big data, mobilidade, analytics e social. Isso, na visão da consultoria, definirá aplicações focadas em nicho específicos. Outra mudança é o avanço de empresas de menor porte na utilização de TI.
Balanço geral
A consultoria reforça o fato de que o Brasil se consolidou como o quarto maior mercado de TI e telecom do mundo, atrás apenas de EUA, China e Japão. A expectativa é que o setor movimente US$ 175 bilhões em tecnologia da informação e comunicação até dezembro, o que representaria um crescimento de 9,2% frente ao ano passado, quando expandiu a taxa semelhantes no comparativo com 2012.
Segundo a IDC, o faturamento da área de software crescerá 11%, serviços 10% e hardware ?um pouco abaixo desses percentuais? no comparativo anual. Dentre os demais números apontados, destaque para o avanço de 67% nas receitas oriundas de cloud pública frente ao número do ano passado e a projeção de 71 milhões de dispositivos inteligentes conectados (smartphone, tablets, laptops) ao longo do ano.
