Empresas devem criar identidade para entrar em redes sociais
Durante o Digital Age 2011, Gal Barradas, CEO da agência F.biz, disse que as companhias que entram no mundo digital sem uma estratégia correta para exposição de sua marca, podem cometer suícidio.

Gal Barradas, sócia e CEO da agência F.biz, avisou logo no começo de sua palestra que usaria a obra de Luigi Pirandello, “Assim é se lhe Parece”, para fundamentar sua tese. Se no livro uma família é analisada a partir de diversos pontos de vista, ganhando contornos diversos, com a marca de uma empresa o objetivo deve ser o inverso – isto é, ela pode até contar várias histórias, mas a imagem que transmite deve ser sempre a mesma.
“A companhia deve fugir do jargão “assim é se lhe parece”. Em vez disso, deve formar uma identidade, mostrar que se ela parece, é porque ela é”, afirmou nesta quarta-feira (28/9), durante o Digital Age 2011 – evento de marketing digital promovido pelo Now!Digital Business.
Gal parte do pressuposto que, independentemente de a empresa ter um estratégia voltada para as redes sociais, ela estará nelas. “Marca é aquilo que falam de você quando não se está presente”, disse, lembrando da definição creditada a Jeff Bezzos, fundador da Amazon. No entanto, avisa: entrar, oficialmente, para essas plataformas sem ter uma identidade já formada é suicídio. “É um universo dominado pelos consumidores. Antes de explorá-lo, é preciso dialogar, mostrar para as pessoas (fora do ambiente web) quais são as suas promessas.”
O que o mercado corporativo está aprendendo é que a comunicação a partir das novas mídias é muito diferente daquela voltada aos antigos veículos. “Distribuir a mesma coisa por muitos canais não é mais possível. É preguiça”, defendeu. “As pessoas querem consumir diferentes conteúdos de acordo com o meio que utilizam.”
O marketing pela internet se sustenta sobre um tripé: segmentação, interatividade e mensuração de resultados. Há um trabalho a ser feito para criar uma coerência entre o que a empresa é e o modo como fala e se apresenta. “Uma palavra tem apenas metade de eu significado”, alertou, citando, desta vez, Humberto Eco. “A outra metade pertence a quem a interpreta.” Por isso, todo cuidado é pouco.
O principal erro das empresas que resolvem investir nas redes sociais é deixar de lado seus perfis pouco depois. Gal disse que cansou de ver marcas de respeito com contas abandonadas. “A web é diálogo. A companhia não pode deixar o consumidor solto, e ele deve sentir que está sendo ouvido.” A busca por fãs e seguidores também é superestimada. “O difícil é mantê-los e engajá-los”, afirmou.
Brasil
O número de internautas brasileiros deverá crescer consideravelmente nos próximos anos. Segundo o próprio Ministério do Desenvolvimento, o acesso à banda larga deverá chegar a 100 milhões de pessoas até 2016. Junto a isso, veremos a popularização dos smartphones e regionalização do marketing – já que o desenvolvimento não ficará restrito ao eixo Rio-São Paulo.
Infelizmente, porém, a qualidade da internet melhorará antes de a educação pública chegar a níveis satisfatórios. Para Gal um dos desafio das companhias será a comunicação com milhões de analfabetos funcionais que se cadastrarão nas redes sociais. O outro será regionalizar o marketing sem caricaturar a cultura de um povo e de uma região – estudo e planejamento são essenciais.
A concorrência aumentará e as empresas terão de encontrar maneiras para diferenciar-se das outras. As interações precisarão seguir outros caminhos, como a criação de jogos e aplicativos. É necessário estar preparado, já que, enquanto as organizações são guidas por processos e custos, e são lentas, os clientes são levados pelas emoções, e são ágeis. “Se a cultura da corporação não estiver preparada para investir nas mídias sociais, é melhor nem tentar. Ela tem de aprender e não se assustar.”
O crescimento da internet poderá beneficiar uma maior interação entre as pessoas e o governo, pois a partir dela é que eles se conectarão. “A banda larga será a ferrovia do Brasil. Os investimentos nessa tecnologia tem um efeito econômico semelhante ao de obras de infraestrutura convencionais, como rodovias e usinas”, disse Gal.
Por fim, a especialista fez um alerta, como se apontasse que o País esteja se desenvolvendo, deve fazê-lo no caminho certo. “O Brasil vai crescer. E o brasileiro terá de se tornar um melhor cidadão, assim como está se tornando um melhor consumidor. Será sua obrigação cobrar do poder público – como já cobra das empresas privadas – e contribuir para que ele avance.”
