Dia Mundial da Internet Segura: um contexto mais amplo

Realizado há dez anos no mundo e há cinco no Brasil, o Dia Mundial da Internet Segura 2013 é comemorado nesta terça-feira (05/02). Criado pela União Europeia e pela Insafe, rede europeia que reúne centros de conscientização sobre o uso responsável da internet, o principal objetivo da data é discutir boas práticas de proteção na rede.
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As ameaças corriqueiras continuam e, inclusive, evoluem de acordo com a mudança do perfil do usuário. Ricardo Giorgi, professor de MBA e pós-graduação na Fiap, alerta para o aumento de riscos no ambiente móvel, um movimento natural diante do aumento das vendas de smartphones e tablets. Inclusive, segundo o analista sênior da Kaspersky Lab no Brasil, Fábio Assolini, esse tipo de ataque, que até agora vem de fora, deve, neste ano, ser produzido por hackers brasileiros “Em 2012, tivemos páginas falsas de banco criadas para o formato mobile”, detalhou o especialista. “A produção nacional de vírus para celular ainda não existe, mas há um crescente interesse nisso”, explicou, em entrevista concedida recentemente. “A coisa está piorando cada vez mais em termos de segurança”, pontuou o professor da Fiap.
Mas os casos não param por aí.
Em um contexto Brasil – e extrapolando a discussão para etiqueta online em geral – o dia “perde” a relevância diante de mudanças no cenário global da web. Ou simplesmente World Wide Web, como o próprio nome diz.
Há pouco mais de um ano, empresas de internet e seus usuários fizeram uma mobilização global contra a aprovação dos projetos de lei norte-americanos Sopa e Pipa, que, entre outros pontos, criava um cenário que poderia cercear o comportamento online, impedindo o compartilhamento de arquivos, por exemplo.
Igualmente, há pouco mais de um ano, Kim Dotcom e outros executivos do Megaupload foram presos acusados de pirataria na internet, por auferirem US$ 175 milhões com a infração de direitos autorais de milhares de pessoas e empresas.
Já em abril deste ano entram em vigor as leis chamadas de Carolina Dieckmann e Azeredo, que tratam de algumas práticas online, como a criação de vírus, como crime, com penalização específica, que chega à prisão. No contexto internacional, no fim de janeiro, dois homens foram presos na Grã Bretanha pela sua ação no lançamento de ataques distribuídos de negação de serviço (distributed denial-of-service, ou sDDoS da sigla em inglês) contra uma série de sites de grande porte, como o PayPal. “É intolerável que quando um indivíduo ou um grupo descorda da atividade de uma entidade particular haja liberdade para cortar suas atividades por meio de ataques como os feitos nesta situação”, disse o juiz Peter Testar, quando anunciou a decisão.
E, há poucas semanas, o Megaupload retornou com o nome Mega, com a promessa de conceder espaço na web com serviço de nuvem (à semelhança do Dropbox), mas com uma alternativa legalmente interessante: caso o usuário queira, ele pode, por sua inteira responsabilidade, compartilhar os conteúdos que estejam em sua cloud. É um novo Megaupload, mas que blinda, desta vez, sua diretoria.
Diante de toda essa contextualização, pode-se pontuar que a segurança na web não trata somente dos cuidados com vírus e outras ameaças. O fim das barreiras entre o offline e online cria questões de segurança que não remetem somente à perda de dinheiro por meio de fraudes, mas práticas corriqueiras, como o compartilhamento de arquivos, que podem criar situações extremamente complicadas para o usuário.
“Políticas e iniciativas de um controle da internet vão continuar”, explicou Giorgi. “Mas existe a internet que conhecemos, a indexada pelo Google, e outra, três vezes maior do que isso, que poucos conhecem e onde a situação é perigosíssima”, contou. “A internet que conhecemos é a ponta do iceberg, e, por lá, dificilmente haverá um controle. A comunidade que a utiliza não deixaria isso acontecer”, concluiu.
