Desmembrar ou não desmembrar, eis a questão?

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11:10 pm - 23 de maio de 2011

Agora imagine que você é de uma operadora de telefonia regional, oferecendo serviços de voz pelo velho par de fios de cobre, e um concorrente nacional quer alugar estes fios de cobre para prover acesso de dados de alta velocidade. Pergunta-se: Você aluga?

Pois bem o impasse está criado! Este é o problema do UNBUNDLING (desmembramento). Existem diferenças de interesses entre as operadoras locais e as nacionais e os consumidores devem ser os maiores prejudicados. A nossa Anatel tem procurado não interferir na questão afirmando que a Lei Geral de Telecomunicações determina que as redes estejam à disposição da sociedade e, portanto, devem ser compartilhadas. Pergunta-se: Devem ser compartilhadas pela sociedade ou devem ser compartilhadas por empresas com interesse econômico neste compartilhamento?

Isto está me parecendo tão complicado quanto a Eleição Presidencial Americana. Sugiro que contratemos um juiz experimentado para resolver esta questão. Eu proporia o Noé. Que Noé? Aquele da Arca de Noé! Imagine uma pessoa como ele tendo que compatibilizar interesses tão diferentes de personagens diferentes como leões, tigres, cobras, rinocerontes e, do outro lado, pombas, cordeiros, formigas e elefantes. Todo mundo reclamando por água, comida e cama, sendo que do lado de fora tinha um baita pé d?água. Êta cabra bom! Resolver o unbundling para ele deve ser moleza.

Se a questão se arrastar muito e ficar sem uma decisão, podemos apelar para um anúncio que vi em uma revista de publicação semanal, na parte de esoterismo, onde se lia:Joga-se búzios africanos, tarot, cartas indianas, vidência no óleo. Questões amorosas e comerciais. Faz e desfaz todo tipo de trabalho. Pronto! E a Bahia é séria candidata a ter o melhor sistema de telecomunicações do Brasil.

Voltando à realidade, não adianta dizer que nos Estados Unidos e Europa esta questão do unbundling já está bem resolvida e com regras claras pois lá eles já estão na idade adulta das telecomunicações enquanto nós aqui ainda estamos engatinhando de fraldas (e conseqüentemente fazendo muita bagunça). Basta lembrar que no Chile (que tem um PIB equivalente à região de Campinas, no Estado de São Paulo) já tem o sistema PCS (aqui é SMP Sistema Móvel Pessoal) há um certo tempo e nós ainda estamos fazendo licitação.

Estes velhos fios de cobre, que atingem o cliente final, podem valer mais do que ouro!

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