Desenvolver liderança é vital para preparar melhores profissionais

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11:03 am - 24 de novembro de 2015

Não é tendência passageira: desenvolver capacidades de liderança dos funcionários é vital para preparar melhores profissionais e pessoas, acredita Ruy Shiozawa, presidente do Great Place to Work Brasil. Segundo ele, as companhias que encontram essa fórmula saem à frente e, junto com práticas como comunicação, mantêm um excelente ambiente para trabalhar.

Shiozawa destaca, no entanto, que o aprimoramento de líderes não transita apenas no âmbito dos gestores. “Vai além. É o desenvolvimento de pessoas com capacidade de influenciar e isso não é ensinado nas universidades”, conta.

Na entrevista que segue, o executivo ressalta as práticas das Melhores Empresas para Trabalhar em TI, como elas gerenciam seus talentos e até o que podem aprender com o Google, que pelo sétimo ano consecutivo configura no topo do ranking.

Revista IT Forum – o que faz das empresas listadas no ranking As Melhores para Trabalhar em TI?

Ruy Shiozawa – Se pudéssemos resumir em um item, o que faz dessas empresas as melhores para trabalhar é como elas desenvolvem a liderança. Isso não está no campo do chefe, vai além: é o desenvolvimento de pessoas com capacidade de influenciar e isso não é ensinado nas universidades, que têm uma preocupação maior com a formação técnica. Fui por mais de 20 anos da área de TI, estudei na melhor escola de engenharia do Brasil e não tive nenhuma disciplina comportamental. Esse é o desafio e as melhores empresas perceberam que têm de preparar essas pessoas antes que elas virem gestores, apostando em ‘so skills’. A boa notícia é que essa preocupação não é tão complexa quanto parece, porque pode-se colocar em prática ações simples. A Radix, por exemplo, descobriu essa fórmula. Todos os dias, o presidente consome uma hora, do momento que chega à empresa até a sua sala, porque ele faz questão de andar pela companhia, conversar com os funcionários e mostrar o lado humano da organização. Quando ele faz isso, conhece as pessoas e passa a dar o exemplo, desenvolvendo lideranças. Esse mecanismo prepara melhores líderes para a empresa e para a sociedade.

Revista IT Forum – Já que você citou o desenvolvimento, uma das práticas consideradas essenciais em excelentes ambientes de trabalho, qual outra iniciativa as companhias estão mais empenhadas em conduzir neste ano?

Ruy Shiozawa Falar e escutar, promovendo uma verdadeira proximidade com o funcionário. Isso leva à transparência. Esse item é vital nos tempos atuais, de crise financeira Esse cenário pode causar muitas dúvidas nos colaboradores, que se sentem receosos. Uma empresa que fala abertamente que está imaginando um ano difícil conquista a confiança e mantém a transparência. É importante saber que na hora que se compartilha, a organização tem mais aliados.

Revista IT Forum – Falar e escutar promove um feedback constante entre os times. Como você avalia esse quesito entre as melhores?

Ruy ShiozawaA média geral das empresas premiadas é de 85% de satisfação, algo muito relacionado ao número de feedbacks que o funcionário recebeu. Quando o colaborador não tem nenhum feedback ao longo do ano, essa taxa cai para 69%. Quando a pessoa recebeu quatro ou mais feedbacks sobe para 90%. O feedback significa proximidade entre líder e funcionário e, como consequência, desenvolvimento. Suponhamos que alguém tem de ciência em espírito de equipe, o líder ajuda a desenvolver. Nos questionários do GPTW, os colaboradores citam que esperam mais comentários sobre seus trabalhos.

Revista IT Forum – Considerando que, das listadas entre as melhores, grande parte tem em seu quadro profissionais de idades entre 26 e 34 anos, como elas têm se estruturado para contratar pessoas de diferentes gerações e promover equilíbrio e ideias entre elas?

Ruy Shiozawa – Cada geração tem sua característica. Mas acredito que, mais do que isso, é preciso contar com uma gestão de pessoas individualizada. Esse é o desafio do líder. Ele tem de conversar com cada um da equipe, entender o sonho de cada um, as aspirações. As empresas que têm em suas práticas a comunicação transitam bem com qualquer uma das gerações. A melhor forma é o diálogo para conhecer a pessoa. Só pelo fato de saber que ela pode conversar, tem abertura, parece que é um alívio. Não existe essa questão de ‘depois que passar pela catraca na porta da empresa, desliga a chave e esquece os problemas’. Isso não existe.

Revista IT Forum – No ano passado, a pesquisa constatou um grande número de demissões voluntárias. Por que isso aconteceu?

Ruy Shiozawa  Quando as pessoas não estão satisfeitas, se movimentam e buscam oportunidades. É cada vez mais importante ter um ótimo ambiente de trabalho, porque as pessoas vão buscar o que elas almejam e se a empresa atual não é o que elas almejam, vão deixá-la. Na verdade, as pessoas não pedem demissão da empresa, e, sim, do chefe. Por isso, o grande segredo, mais uma vez, é o desenvolvimento do líder, porque é ele quem retém ou faz com que o colaborador não queira ir embora.

Revista IT Forum – Você costuma dizer que o salário não é mais hoje fator de retenção. Qual é o conjunto de fatores que faz um colaborador ficar na empresa?

Ruy Shiozawa  O fator que esse ano apareceu mais forte na pesquisa é o alinhamento de valores. Se a empresa prega ética, flexibilidade e cuidado com a família, por exemplo, o funcionário tem de se identificar e isso o faz ficar. De acordo com o levantamento do GPTW, das pessoas que ficam na companhia pelo alinhamento de valores, a média de satisfação é de 90%. O segundo grupo mais forte é o que fala que na empresa há oportunidade de aprendizado e de crescimento. Desse grupo, que responde na pesquisa que a oportunidade é vital, a média de satisfação é de 88%.

Revista IT Forum – Como as empresas estão endereçando a questão da diversidade em seus processos de contratação? Apenas uma das companhias premiadas é comandada por mulher, por exemplo.

Ruy Shiozawa – Algumas perguntas na pesquisa que endereçam essa questão e, entre as melhores, são as que têm avaliação mais alta. Entre empresas já é prática comum respeitar a diversidade e até estimular. Ainda estamos em uma indústria masculina, que precisa incentivar esse mecanismo.

Revista IT Forum – Mais uma vez, o Google está no topo do ranking. O que as demais empresas de TI podem aprender com a gigante da internert e até implementar práticas em seus negócios?

Ruy Shiozawa – O fato de manter essa consistência por tantos anos é um mérito gigantesco. Isso porque a empresa, que já está em uma posição máxima, conseguir manter-se nela é um desafio. Na pesquisa do GPTW, o juiz final é o funcionário e ele é o retrato das boas práticas da empresa. Acredito que, agora o que o Google e outras organizações estão começando a mudar é o processo de avaliação de desempenho. O que algumas organizações estão questionando é, à medida que elas crescem, os processos ficam tão complexos e sofisticados que eles acabam não funcionando. Imagine um líder com uma equipe de 20 pessoas. O processo que era para ajudar a gestão, acaba atrapalhando nesse caso. Agora, a tendência é fazer coisas mais simples e ágeis, com mais frequência. E, em vez de fazer uma vez ao ano, aplica-se a avaliação mensalmente de forma mais simples. Assim, a empresa obtém resposta do funcionário mais rapidamente. Esse mecanismo tem sido uma tendência forte e o Google está ajudando a puxar e provocar essa mudança nessa área.

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