Data Science e a descoberta de padrões de comportamento

Novo campo alia Big Data, processamento estatístico e inteligência artificial para encontrar informações e detectar padrões

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8:39 am - 03 de setembro de 2015

Em junho deste ano, a empresa Tail Target, em parceria com grupos de
usuário, fez um estudo sobre o perfil do desenvolvedor Java no Brasil.
Para isso, divulgou entre os desenvolvedores um link que deveria ser
clicado por quem quisesse participar da pesquisa.

Este link não continha uma pergunta sequer nem levava para nenhum
questionário. Imediatamente, choveram e-mails avisando que o link
divulgado estava errado. Não estava. Em menos de uma semana estava
pronto um estudo completo que mostrava os interesses, demografia e
estilo de vida dos desenvolvedores. Mágica? Não, Data Science.

Data Science é um novo campo que alia Big Data, processamento
estatístico e inteligência artificial para encontrar informações e
detectar padrões. É cada vez mais comum encontrar grandes empresas cuja
tomada de decisão está baseada em Data Science.

Para outras, Data Science é fundamental para a própria existência do
seu negócio. No Netflix, 75% da audiência vem do seu algoritmo de
recomendação, que é um ótimo exemplo de Data Science aplicada. A
plataforma de relacionamentos e-Harmony usa Data Science para encontrar o
par ideal para uma pessoa e já é responsável por 5% dos casamentos nos
EUA.

O estudo sobre o perfil do desenvolvedor Java analisou dados de
navegação anônimos de centenas de pessoas que visitaram um dos sites
sobre desenvolvimento Java que estavam sendo monitorados. Fazendo uma
análise sobre que outros sites estas pessoas visitavam, algoritmos de
inteligência artificial detectaram padrões que permitiram traçar um
perfil comportamental dessas pessoas.

Segundo esse estudo, 88% dos desenvolvedores Java brasileiros são
homens e apenas 12% são mulheres. Os adultos representam a maioria
desses desenvolvedores (44%), seguidos de jovens adultos (30%) e
adolescentes (25%). Finanças, tecnologia, futebol, viagens e TV, nessa
ordem, são os assuntos que mais interessam os desenvolvedores.

A surpresa nesse estudo veio ao medir os microssegmentos que mais
interessavam aos desenvolvedores homens e mulheres. Entre os homens, os
principais microssegmentos são TV Aberta, novelas, carros de alta renda,
séries de TV e viagens internacionais. Já as mulheres preferem ler
sobre TV Aberta, TV a cabo, cabelo e maquiagem. Ou seja, os
desenvolvedores homens são noveleiros. As desenvolvedoras não.

Os algoritmos aplicados não coletam informações demográficas nem
qualquer informação fornecida pelos usuários. O que eles fazem é
processar registros de acesso a milhares de sites e executar uma série
de algoritmos de inteligência artificial que tentam adivinhar as
informações demográficas e os interesses baseado no comportamento online
dessas pessoas.

Obviamente existe uma margem de erro nesses algoritmos, mas eles têm
se tornado cada vez mais precisos. Depois da publicação deste estudo, um
pesquisador da Universidade de Kent enviou os dados de uma pesquisa
similar feita em 2003. Esse estudo usou métodos tradicionais:
entrevistas e questionários para encontrar a demografia do desenvolvedor
Java. O estudo de 2003 identificou que 88% dos desenvolvedores eram
homens. Esse é exatamente o mesmo número encontrado pelos algoritmos que
fizeram o mesmo levantamento usando dados comportamentais.

 

(*) Fabiane Nardon é Cientista Chefe da Tail Target

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