Crowdsourcing: conceito de prestação de serviços na web já pagou US$ 2 bilhões

O termo existe desde 2006, mas veio mostrar sua força no Brasil há pouco tempo. Difundido no exterior, o crowdsourcing – formato de terceirização (sourcing) de serviços para multidões (crowd) – já pagou de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões par acerca de um milhão de pessoas ao redor do mundo, conforme dados da Bizmedia.
“As pessoas pensam que crowdsourcing é coisa pouca, mas é um outsourcing feito pelas multidões. Antes você tinha o departamento de marketing que tinha que cuidar de certas iniciativas da empresa. Mas hoje em dia você não pode mais correr o risco de seu produto não atender ao gosto do mercado, e decisões como esta não podem ficar nas mãos de apenas uma pessoa ou departamento”, explicou Marina Miranda, da Mutopo.
O processo funciona da seguinte forma: a companhia vai lançar um produto e precisa de uma peça de divulgação para isso. Em vez de encarregar apenas seu departamento de marketing, é possível lançar uma competição na internet, passando o mínimo de especificações necessárias para a ação. O melhor programa dentre centenas apresentados por concorrentes é aquele que receberá o pagamento e assinará a ação.
O mesmo pode acontecer com a formatação de um novo produto. É possível buscar no mercado, também por meio da ferramenta facilitadora da internet, sugestões de funcionalidades e aplicativos de um aparelhos de celular, por exemplo.
“A Procter and Gamble faz isso há dez anos. Você tem hoje um mundo complexo que muda muito rápido. Antes uma empresa tinha que se reinventar em oito anos. Hoje, a toda hora. Não dá tempo de ter só um departamento pensando nisso”, defendeu Marina.
“Crowdsourcing é um modelo de negócio que se vale das pessoas para trabalhar com você. O Google é um grande crowdsourcing. Pessoas que clicam em links para remunerar terceiros, concedem informações que refinam buscas…”, continuou.
Existem ainda vertentes da prática. Uma ferramenta norte-americana, por exemplo, chamada Cloud Twist, remunera o usuário por “fazer coisas”. “Isso tem ligação com divulgação das marcas na internet, com ajuda de redes sociais como Facebook e Twitter, e comentar informações, fazer análises de produtos…”, explicou a especialista, adicionando que com tais atividades, o usuário ganha pontos, os quais, posteriormente, são trocados por presentes e brindes. No Brasil existe algo parecido, lançado há menos de dois meses, o iWiin premia internautas por interação em redes sociais.
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Outro exemplo é remunerar profissionais de TI para que eles encontrem bugs e falhas de segurança em sites – antes que pessoas mal intencionadas o façam. A criação de logos e peças publicitárias também é ação bastante comum.
Desenvolvimento do trabalho
De acordo com Marina, o movimento se configura em uma evolução do mercado de trabalho como conhecemos hoje, mas um não deve suplantar o outro – ao menos por um tempo.
“A Espanha tem 40% dos jovens que nunca trabalharam na vida – e o governo banca. Mas não tem mais dinheiro na Europa: o mundo esta mudando muito rápido e tem um monte de gente fechando os olhos. Quando você vê que em Nova York, de cada sete pessoas, uma depende da caridade de outros para se alimentar, fica claro imaginar que não necessárias alternativas para se ganhar dinheiro”, pontuou.
No Brasil
O processo, segundo a especialista, está evoluindo em solo tupiniquim, com cada vez mais companhias de grande porte, como Vivo, Claro e Tecnisa, lançando competições para desenvolvimento de produtos para o mercado. “A internet popularizou e facilitou as coisas”, observou. “Estamos com a faca e com o queijo na mão”, avaliou.
Dentre os pontos positivos do processo, estão:
- Ganho de dinheiro: remuneração, por parte de quem participa do projeto, pela elaboração/produção de trabalhos com os quais não teria contato por outras vias
- Economia: ao lançar o serviço para o mercado como um todo fazer, a companhia economiza consideravelmente. Se antes, citou Marina, gastava-se R$ 20 mil para o desenvolvimento de um site, hoje R$ 500 resolvem o problema
Por outro lado, estão os negativos
- Resultado ruim: falta de qualidade de projetos entregues, pela falta de compromisso
- “Escravização” da mão de obra: pagamento injusto, de poucos centavos, por parte das empresas, que aproveitam-se da falta de oportunidades dos participantes
