Correntes de data center na nuvem prometem facilidades

Não olhe agora, mas tem uma corrente sendo construída na nuvem.
Em Janeiro, a Verizon comprou a pioneira da nuvem, Terremark, por US$ 1.4 bilhões. Três meses depois, a CenturyLink anunciou que compraria a Savvis, host de serviços gerenciados (e fornecedora de infraestrutura de nuvem), por US$ 2.5 bilhões. Em Junho, uma subsidiária da gigante japonesa de telecom, NTT, comprou a Opsource para estabelecer uma unidade de negócio de soluções em nuvem.
O que acontece quando data center em nuvem se casa com uma empresa de telecomunicações? Minha resposta: o nascimento de uma rede em nuvem, uma cadeia de data centers que, em alguns casos, coloca dois ou mais data centers fazendo backup uns dos outros. Coisa que muitas empresas valorizariam conforme levam cargas de trabalho para a nuvem. A queda no serviço do Amazon Web Services, durante o feriado de Páscoa, serviu como um alerta sobre o valor da distribuição geográfica quando se trata de backup e recuperação.
Espero que o Amazon Web Services esteja estudando essa tendência. Se você é um cliente AWS na região da Virginia do Norte, não poderia facilmente designar o data center AWS de Dublin como preferência em caso de interrupções. Provavelmente não poderia escolher sequer o data center do AWS na costa leste dos EUA, a não ser construísse, sozinho, os links da rede.
Você fica preso, usando a ?zona de disponibilidade? da vizinhança, que, entre abril 22 e 24, não se tratava de data center separados e, em alguns casos, congelou ao mesmo tempo que a zona principal.
O backup automático para uma localização diferente, no entanto, é um possibilidade definitiva, graças às correntes em nuvem. A combinação CenturyLink-Savvis uniu 34 data centers Savvis e 16 da CenturyLink na América do Norte, Europa e Ásia. A união Verizon-Terramark combinou 13 data centers Terramark com 36 data centers de serviços gerenciados da Verizon, formando uma cadeia de 49 data centers na América do Norte e Sul, Europa e Ásia.
Essas cadeias não têm um data center intimamente conectado com o outro, em ordem de progresso. Em vez disso, são grupos regionalizados de data centers, com uma instalação servindo como localização hub. O hub age como uma instalação central para conectar todos os membros do grupo à Internet e outras redes por canais de alta velocidade.
Data centers geograficamente separados já foram ligados antes, é claro, mas as novas combinações são interligadas por uma única empresa de telecomunicações, que pode oferecer conexões implantadas automaticamente como serviço por linhas de alta velocidades.
Eu perguntei a Ben Stewart, VP sênior de engenharia de instalações da Terremark, como um de seus clientes teria utilizado um data center distante da Verizon como opção de backup antes da fusão. Ele disse que poderia ser feito, mas teria sido muito trabalhoso para um cliente de nuvem com conhecimento de telecom. Primeiro, seria necessário estudar as tabelas de velocidade de diversas operadoras de telecom disponíveis na rota. Depois, negociar com todos os segmentos de rede que poderiam servir o propósito, para então testar se tudo funcionaria.
Se alguma coisa desse errado – como um roteador falhando em uma rede principal, gerando centenas de tentativas – seria necessário fazer dezenas de telefonemas para descobrir onde estava o problema que prejudicava todas as operações.
Agora, se um cliente da Terremark quiser fazer uma conexão com outro data center, ?é apenas dar um clique em um formulário de pedido?, e o link para a conta adicional seria gerado. Além disso, o número de operadoras envolvidas e o número de roteadores foram reduzidos, melhorando a velocidade.
A Terremark iniciou essa abordagem com seus 13 data centers, mas ?teríamos demorado muito mais tempo para chegar ao nível global?, disse Stewart. ?Com a Verizon, chegamos lá.?
Por exemplo, em 22 de setembro, a Terremark inaugurou um novo data center de 25 mil metros quadrados, em Amsterdã, onde tem acesso rápido, por linhas de 20 Gbps, numa das operações de Internet mais rápidas do mundo. A nova instalação serve como um hub para outros quatro data centers da Terremark na região, e oferece conexão com um salto para Internet.
Como o ponto de acesso de rede em Amsterdã mudou o cenário dos outros data centers da Terremark pela Europa, onde a empresa já tem forte presença? Ele leva Londres, Frankfurt e Madri para mais perto do resto do mundo.
Amsterdã está diretamente ligado ao Ponto de Acesso de Rede das Américas, da Terremark, uma enorme instalação de 750 mil metros quadrados, no centro de Miami. É tanto tráfego de rede convergindo nos loops de rede que circulam ali que Miami é uma das cinco cidades mais bem interconectadas do mundo, de acordo com o website da Terremark. É um portal a outros pontos dos EUA; do Ponto de Acesso de Rede das Américas, Bogotá, na Colômbia, e São Paulo estão apenas há um hop de distância.
?Amsterdã e Miami estão há um hop e ? da velocidade da luz por cabo de fibra. Portanto, os clientes da Terremark em Londres, Madri, Paris e Frankfurt estão todos ligados agora, apenas dois hops de distância de Amsterdã e três de Bogotá?, contou Stewart.
Empresas globais, como a rede de Hotéis InterContinental, estão querendo descentralizar aplicativos mainframe e torná-los disponíveis para servir clientes em diferentes locais. Bryson Koehler, VP de rendimento e informações de hóspedes, sabe que se os sistemas de reservas e relacionamento com o cliente da InterContinental puderem ser distribuídos, o atendimento ao cliente parecerá instantâneo, dando à empresa alguma vantagem competitiva. Ele quer que o hóspede seja, literalmente, capaz de reservar um quarto usando um smartphone, de dentro do táxi, saindo do aeroporto. Para isso, ele precisa encontrar uma forma de oferecer serviços distribuídos. Ele está trabalhando nisso, mas ainda não está pronto para distribuir.
Rodar sistemas coordenados de forma distribuída é uma tarefa difícil, mas infraestrutura como serviço, em forma de data centers interconectados pode ser uma boa opção. Tendo carga de trabalho estabelecida na nuvem, apenas escolha onde mais gostaria de tê-la rodando e indique qual deve servir como cópia primária.
Cadeias de data centers em nuvem irão, um dia, hospedar cópias de aplicativos corporativos principais. Em algumas situações competitivas, incluindo o ramo da hotelaria, aplicativos distribuídos farão muita diferença.
O caso da Verizon-Terremark foi meu principal exemplo porque além dos 49 data centers que formam a unidade de infraestrutura como serviço da Terremark, a Verizon opera 200 data center de telecomunicação, que lidam com cobranças e serviço de atendimento aos clientes dos serviço de telefonia. Um data center de telecom não é muito diferente de um data center em nuvem. No futuro, é possível que a Verizon e outras telecoms reservem espaço em seus data centers existentes para dar mais locais para sistemas distribuídos na cadeia de data centers.
CenturyLink e Savviss são outras fornecedoreas de IaaS e telecom e que, combinadas, têm 50 data centers por todo o mundo. Outro exemplo de data center interligados com acesso a junções e trocas de rede essenciais.
A Amazon também constrói seus data centers na primeira junção da rede, mas, nesse ponto, ainda fica nas mãos do cliente a navegação entre data centers.
No futuro, nenhum data center em nuvem será uma ilha. Nenhum tsunami, furacão ou terremoto será capaz de derrubar seus sistemas só porque o data center primário sofreu queda de energia e as operações foram interrompidas.
Tanto sistemas virtualizados quanto cargas de trabalho em nuvem podem ser migradas, rapidamente, para outro local. Uma máquina virtual em uso pode ser transferida em milissegundos; com alguns segundos de alerta, pode migrar sem perda de dados. Sistemas virtualizados rodando em um data center que é parte de uma cadeia em nuvem pode ser um sistema muito mais durável e disponível do que alguns de seus modelos predecessores de alta disponibilidade.
