Após perdas e saída de CEO, Lenovo volta suas ações para o mercado chinês

Nova direção da fabricante anuncia que vai intensificar a operação na China, principal responsável pelos maus resultados.

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3:03 pm - 05 de fevereiro de 2009

Enfrentando um grande declínio nas vendas e fortes perdas financeiras, a nova diretoria da Lenovo pretende voltar o foco da empresa para a China.

“Com as mudanças no ambiente macroeconômico, nossos negócios na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África) e nas Américas sofreram profundos impactos. Por isso, nossa companhia está se concentrando mais na China e em mercados emergentes”, afirmou, em conferência com jornalistas, Liu Chuanzhi, fundador da companhia, que está retornando ao cargo de chairman.

A China é o maior mercado para a Lenovo. O país representou cerca de 45% das receitas da empresa no último trimestre.

Nesta quinta-feira (05/02), a companhia surpreendeu o mercado com o anúncio da renúncia de seu CEO William Amelio. Ex-presidente da Dell na Ásia, o executivo vinha conduzindo a fabricante chinesa em um processo de reestruturação, que continua a ser trabalhado, cujo objetivo era aumentar a competitividade da empresa no cenário mundial.

Amelio será substituído por Yang Yuanqing, que deixa o posto de chairman da Lenovo para assumir o cargo de CEO.

Ao mesmo tempo em que anunciou a saída de seu CEO, a Lenovo reportou prejuízo de 97 milhões de dólares e receita de 3,6 bilhões de dólares para o quarto trimestre de 2008. O resultado representa um declínio de 20% no faturamento, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a fabricante, o principal motivo das perdas foi a queda da demanda por PCs que se deu na China no período.

A volta de Yang e Liu a seus postos relembra os retornos de Michael Dell, para a Dell, e de Steve Jobs, para a Apple, que também aconteceram em períodos difíceis para as companhias.

Mas, Yang e Liu, que comandavam a Lenovo quando as vendas da empresas estavam altamente confinadas em seu país de origem, vão encontrar uma companhia absolutamente diferente, graças à compra da divisão de PCs da IBM feita em 2004.

Nos últimos quatro anos, dois americanos estiveram no cargo de CEO da fabricante: Amelio e Stephen Ward, que assumiu o posto logo depois da aquisição e ficou até 2005.

Para terem sucesso na reestruturação da fabricante, os dois novos comandantes ainda terão de melhorar a presença da Lenovo no mercado global de PCs, não apenas na China. Quando Yang e Liu anunciaram os planos de comprar a divisão da IBM, os dois afirmaram que o negócio transformaria a empresa chinesa em um player global com forças para competir com gigantes como HP e Dell.

E, segundo Liu, este ainda é o plano da empresa. “Estamos aprimorando nossas operações na China para que possamos ter um desenvolvimento futuro nos mercados maduros. Vamos fazer de tudo para garantir nossa posição nos mercado americano e europeu”, afirmou o executivo.

Yang seguiu o mesmo discurso. “Sou o CEO desta companhia e ainda quero que ela se torne uma empresa global”, disse.

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