Como a Apple pode transformar o iPhone em um MacBook Air ultra-portátil
Caso siga os exemplos da Samsung e Huawei, que permitem o uso dos smartphones como PCs, a Apple poderia criar o dispositivo móvel definitivo do mercado.

Em meio às batalhas por bordas, telas e duração de bateria, há uma coisa que todos os iPhones possuem em comum: eles são poderosos o bastante para substituir o seu PC. Agora, antes que você comece a gritar com a tela, não estou falando do iMac Pro ou do HP Omen, por exemplo. Se você usa seu laptop ou desktop para fazer algo que não consegue no smartphone, então o argumento é discutível. Os PCs e Macs ainda possuem seu lugar no mundo, e vai levar ainda um bom tempo antes que os aparelhos mobile consigam lidar com as tarefas mais exigentes que chamamos nossos computadores para realizar.
Mas, para a maioria das pessoas, um iPhone é o bastante. E a Apple sabe disso. A empresa de Cupertino já está anunciando o iPad como um computador, e o iPhone está perto disso, já que conta com os mesmos processador, sistema operacional e capacidade de armazenamento. O único problema verdadeiro é que a tela do celular é muito pequena para trabalhos mais longos.
No entanto, se a Apple pensasse no iPhone como um MacBook Air, isso poderia funcionar.
Quando Steve Jobs revelou o MacBook Air há cerca de 10 anos, o principal atrativo do aparelho era justamente sua extrema portabilidade. Não era a máquina mais rápida ou poderosa do mercado, mas as pessoas o adoraram pelas suas dimensões leves e finas. Com apenas 1.3kg e menos de 2,5cm de espessura na época, o Air impulsionou uma nova era de portabilidade muito antes do iPad fazer a sua estreia.
Só que a estratégia da Apple para o MacBook Air parece ter esbarrado algum tipo de obstáculo. O laptop não recebe um update significativo em anos (apesar da melhoria de especificações anunciada em 2017) e não é mais a dona do título de laptop mais fino ou leve da linha de computadores da Apple. Essencialmente, é o Mac Mini dos notebooks da empresa.
Dez anos depois, o dispositivo portátil definitivo da Apple não é mais o MacBook Air. Nem o MacBook. Na verdade, não é nenhum Mac: é o iPhone. A Apple ainda pode vender cerca de 20 milhões de Macs ao ano, mas a companhia vende o dobro disso (ou mais) em iPhones a cada trimestre. Resumindo: o iPhone se tornou o MacBook Air para uma geração de usuários da Apple que não possuem uso para o poder de processamento de um computador. O smartphone da fabricante é mais do que capaz de realizar a maioria das tarefas – enviar mensagens e e-mails, navegar na web, fazer streaming de mídias, acessar redes sociais – possui uma câmera ótima e conta com uma bateria que dura um dia todo.
Uma tela com vista
Uma coisa que o iPhone não possui, no entanto, é uma tela grande. A maior tela do iPhone possui apenas 5,8 polegadas, o que não é exatamente convidativo para trabalhar. A Apple ficará feliz em te vender um iPad ou MacBook para preencher essa necessidade, mas não há como expandir a tela do celular e também não há multitarefa verdade, pelo menos não igual aos modos Split View ou Picture in Picture do iPad. E, enquanto a tela do iPhone continuar dentro desse limite de 6 polegadas, as coisas serão assim.
Mas elas não precisam. Quando revelou o Galaxy S8, há quase um ano, a Samsung também apresentou uma dock inovadora que quer transformar a forma como pensamos nos nossos smartphones. Chamado de DeX (veja foto abaixo), o dispositivo permite que o S8 (e também o Note 8) seja conectado a um monitor e acessórios como mouse e teclado para fornecer um espaço de trabalho em tamanho completo. É uma inovação verdadeira que leva os smartphones a um novo território.

É fácil descartar a ideia da Samsung como apenas um “truque”, mas uma vez que você conecta o S8 ao DeX, é possível ver o potencial de forma instantânea. O gadget pode não ser tão bem acabado quanto poderia, mas a Samsung desenvolveu uma interface de desktop legítima para o S8 que faz o que o Chrome OS fez pelos laptops. Não há configurações ou preferências para falar sobre, mas os apps do smartphone parecem mais com apps para PCs do que softwares móveis, com janelas redimensionáveis, interfaces robustas, e multitarefa tradicional. Uma vez conectado com a dock, não parece que você está usando um smartphone em nenhum momento.
E outras fabricantes de smartphones perceberam esse potencial. A Huawei faz algo parecido com o Mate 10 Pro, permitindo que os usuários conectem um cabo padrão USB-C para HDMI para entrar no chamado ”modo PC”. E a Razer mostrou algo na CES que realmente chamou a atenção de muita gente. Chamado de Project Linda (veja foto abaixo), o protótipo da fabricante consiste em um laptop de tamanho padrão com um slot para colocar o smartphone. Fico me perguntando se a Apple já não conta com algo parecido em seu laboratório.

macOS
Não importa para que você usa seu iPhone, mas há momentos em que todos poderiam aproveitar um descanso de ficar segurando o smartphone. E é aí que uma dock poderia ser um acessório e tanto. Mas, ao contrário da Samsung, Huawei e Razer, a Apple conta com uma vantagem embutida aí: o Mac. Lembre-se, o iOS é feito a partir do OS X, então criar uma versão “lite” do macOS para o iPhone seria uma extensão natural do iOS.
Mas a Apple poderia ir além de um sistema móvel e também incorporar funções no estilo do Mac: um File System completo baseado no iCloud, busca Spotlight, notificações dinâmicas, segurança poderosa e, é claro, apps do calibre de desktops.
As pessoas pedem por um Mac híbrido há anos, e essa seria a melhor coisa possível depois: essencialmente, um Mac que pode caber no seu bolso. O iPhone está evoluindo mais rapidamente do que o Mac conseguiu em sua história, a ponto de estar perto do limite do que é possível fazer no celular. Cada nova versão do iOS pode trazer alguns novos recursos, mas, na maior parte, o iOS é reprimido pelas limitações da tela do iPhone. E, a não ser que a Apple esteja pensando em lançar um iPhone de 10 polegadas em breve, o iOS não conseguirá sair desse modelo.
O próximo passo
Se a Apple quisesse expandir e modificar o iOS para caber em uma tela grande e funcionar com um trackpad, teclado e mouse, transformaria o iPhone em uma espécie de MacBook Air moderno. Com a diferença que seria ainda mais móvel, versátil e avançado.
Então como seria uma dock para o iPhone? A Apple poderia seguir o caminho do S8 e criar um acessório portátil que se conecta com um monitor. Ou talvez um pad de recarga wireless que transfere os dados quando em contato com o smartphone. Ou até mesmo algo parecido com o que a Razer demonstrou: um acessório do tamanho de um laptop com um slot para um iPhone. Isso provavelmente não é algo viável (ou acessível financeiramente), mas seria certamente a forma mais legal de fazer essa transição.
Qualquer que seja o método, parece inevitável que a Apple desenvolva algum tipo de maneira para levar o iOS para a tela grande. Por mais que o iPhone X seja incrível, ele ainda é apenas um iPhone, e até que a Apple abrace todo o seu potencial, isso é tudo que ele será. Mas, apesar de o MacBook Air poder estar no fim da sua jornada, seu espírito continua vivo. Tudo que a Apple precisa fazer é trabalhar nisso. Ao combinar a destreza mobile do iPhone e do MacBook Air, a Apple criaria o aparelho móvel definitivo, um que funciona tão bem nas suas mãos quanto ao ser conectado em um monitor de 20 polegadas.
