Com nova diretora, Oracle promete treinar mão de obra de seus canais

Quando chegou ao departamento de canais da Oracle Brasil, Francislaine Muratorio tomou, como primeira atitude, unificar as três gerências ? Aplicativos, Software e Hardware ? no mesmo andar. A ideia principal era estimular a relação entre os funcionários da empresa e minimizar problemas de comunicação com parceiros, que recebiam ligações e propostas de três áreas diferentes e sentiam o discurso descentralizado.
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Depois disso, veio outra ideia, novamente com o objetivo de comunicar: iniciar um calendário de reuniões com parceiros, para entender suas dores e criar um cenário de diálogo e confiança. A primeira reunião deveria ter durado duas horas, mas acabou se estendendo pelo dobro do tempo por conta da interação dos canais participantes.
Além das mudanças, há seis meses no cargo, Francislaine, que tem 35 anos, planeja outra missão, talvez esta uma das mais importantes para o canal: a extrapolação do programa de geração de talentos da Oracle Academy para sua rede de parceiros. A executiva responde para o substituto de Sandra Vaz (antiga responsável pela área e agora na SAP), Hugo Freytes,vice-presidente sênior de Alianças e Canais da Oracle para a América Latina.
A proposta está sendo alinhavada agora e a ideia é que esteja disponível em tempo hábil para o segundo semestre letivo deste ano. ?Ainda estamos definindo quais serão as políticas?, pontuou. A ideia é que apenas os parceiros classificados dentro dos segmentos Platinum e Gold. ?Os próprios parceiros reclamam muito da falta de profissionais?, pontuou.
De fato, a falta de mão de obra qualificada disponível no mercado ajudou a colocar o item ?Capacidade técnica e disponibilidade de profissionais competentes para implementar a solução? no topo da lista de prioridades que os CIOs gostariam de perceber em seus fornecedores de tecnologia. O tema, que ocupava o quarto lugar do ranking em 2011, foi a escolha de 38% dos profissionais consultados no ano passado pelo estudo Antes da TI, a Estratégia (estudo realizado pela IT Mídia). O levantamento, feito com executivos das mil maiores empresas do Brasil, retrata até que ponto as dificuldades de contratação e retenção de talentos está se reflete no cliente final e indica um dos pontos de atenção para os players do mercado.
Segundo a pesquisa, a questão ficou ainda mais evidente em 2012. No ano anterior, 60% dos gestores haviam apontado como principal prioridade desejada em seus fornecedores a habilidade de apresentar os benefícios esperados da solução proposta, mas na última edição o percentual baixou para 34% e o assunto ficou em terceiro lugar.
A Oracle tem, atualmente, cerca de 560 parceiros no Brasil, dos quais, 200 são classificados como Gold (com especialização), outros 70 possuem a nomenclatura Platinum (com mais de cinco certificações) e outros dez são Diamond, com 25 certificações. Os demais entram na categoria, Silver, sem especialização, e Remarketer, que são aqueles não classificados como parceiros, mas que podem fazer a revenda simples de produtos. aproximadamente 60% da receita da companhia vem do ecossistema de canais, e a proposta é manter essa proporção. No Brasil, são quatro Distribuidores: Ação Informática, Officer, Avnet e CTIS.
Visão do parceiro
Não é de todo desconhecido do mercado que a fabricante é considerada pelo canal, muitas vezes, como uma concorrente de seu próprio ecossistema. Um parceiro da companhia, que pediu para não ter seu nome revelado, afirmou à CRN Brasil que espera que a nova era da Oracle no Brasil traga definições mais claras sobre o papel do parceiro na oferta ao mercado. ?A Oracle desce bastante a barra e chega em contas que seriam do canal. E nós, canais, sofremos muito. O que queremos é a regra bem clara?, clamou.
?Não atribuo a situação à pessoa [disse, referindo-se à saída de Sandra Vaz e a chagada de Francislaine], porque se trata de uma cultura da empresa. Mas penso que uma mudança, neste cenário atual, seria importante. Queremos que a Oracle ouça mais os canais, procure-nos mais, e entenda um pouco mais nossas necessidades?, pontuou, aconselhando que a criação de um conselho de parceiros dentro da fabricante facilitaria esse processo.
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