Nova etapa do Desenrola chega na hora certa para milhões de brasileiros
Com duração de 90 dias, o programa prevê descontos de até 90% do valor das contas em aberto e taxas de juros mais vantajosas

Por Claudia Amira, diretora-executiva da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital)
Diante de indicadores de inadimplência que estão batendo recordes – de acordo com a Serasa, o país somava 83,3 milhões de negativados em abril, resultado alcançado após 16 meses consecutivos de alta – o novo Desenrola Brasil, viabilizado por meio da Medida Provisória Nº 1.355, chega em momento oportuno para brasileiros interessados na renegociação de suas dívidas.
Com duração de 90 dias, o programa prevê descontos de até 90% do valor das contas em aberto e taxas de juros mais vantajosas, além de abrir espaço para utilização do FGTS no abatimento dos débitos de famílias, aposentados, pensionistas, estudantes e micro e pequenas empresas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, em apenas duas semanas a iniciativa já beneficiou mais de 1 milhão de pessoas, com desconto médio de aproximadamente 85%.
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Analisando somente um dos eixos do programa, o Desenrola Famílias, fica evidente a demanda represada por ações voltadas à renegociação. Até 14 de maio foram registradas 449.003 operações quitadas à vista, enquanto 685.504 operações foram refinanciadas com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), considerando operações reservadas e formalizadas até 20 de maio. Apenas essa fatia do Desenrola totalizou aproximadamente R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas, conforme levantamento parcial do governo.
Tudo leva a crer que o ritmo do Desenrola tende a ser mantido nos seus próximos meses de duração, principalmente porque os brasileiros parecem estar dispostos a repactuar suas contas em aberto e também demonstram enxergar a importância da ação. Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de maio reforça essa percepção ao apontar que 68% dos endividados dizem acreditar que vão se beneficiar pessoalmente da nova versão do programa. Além disso, a sondagem mostra que a maior parte dos entrevistados entende que a iniciativa impactará de forma positiva a economia do país.
Toda essa movimentação certamente tende a desempenhar papel importante na recuperação financeira dos brasileiros negativados e inadimplentes. Ao mesmo tempo, dá fôlego mais do que bem-vindo em meio a um cenário econômico complexo, muito influenciado pelas taxas de juros ainda em patamar elevado, mesmo com o início do ciclo de cortes na Selic. No entanto, é fundamental que a renegociação venha acompanhada de medidas que promovam a educação financeira.
Somente com a combinação de conhecimento e conscientização é possível evitar que aqueles que fizeram acordos ou trocaram dívidas mais caras por mais baratas voltem à mesma situação no futuro. A educação financeira precisa ser prioridade não apenas para pessoas físicas e jurídicas, mas também para as instituições financeiras e governos, porque o endividamento de cidadãos e empresas impacta diretamente a economia, o que resulta em consequências negativas para todos.
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