No mundo ideal, as áreas de Sustentabilidade ou ESG não vão existir

Cinco macrotendências que apontam para a plena integração do ESG ao dia a dia dos negócios

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10:00 am - 22 de dezembro de 2023
Lu coen Sustentabilidade ESG

Calma, na verdade, esta é uma boa notícia. Prever o futuro é sempre um exercício perigoso, mas vou tentar explicar aqui minhas razões para acreditar neste título. De acordo com um estudo do World Economic Forum, realizado com 250 diretores de estratégia de 20 verticais de indústria, divulgado em janeiro, há 5 tendências que vão impactar o mundo dos negócios daqui para frente.

A primeira delas é um isolamento de países, uma desaceleração na globalização. O corredor econômico Estados Unidos-China está diminuindo e a Covid também fez países (e todos nós) se fecharem um pouco. Com isso, há novos corredores se formando, novas alianças, conceitos como o de nearshoring e a busca, por exemplo, por fornecedores mais próximos, com uma preocupação com o estrago no meio ambiente que trazer material produzido do outro lado do mundo, para vender aqui, faz. Um olhar para a cadeia toda é muito bem-vindo e tem tudo a ver com ESG. Um fornecedor mais próximo também é mais fácil de ser controlado/verificado, do ponto de vista de direitos humanos na própria produção. Vemos então ESG no comércio, na cadeia de fornecedores.

O segundo ponto está dado – a importância de se olhar para o próprio impacto no meio ambiente e os riscos a que a companhia está submetida no que tange ao clima já é  tema em empresas mais modernas . Logo, atenção: os riscos climáticos já não estão na área de Sustentabilidade. Riscos climáticos estão na de riscos de negócios, inclusive submetidas ao conselho.

Áreas de Recursos Humanos têm cada vez mais desafios. Atração e retenção de talentos tira o sono de muitos profissionais. No setor de tecnologia, talvez esse seja o maior pesadelo. Por outro lado, a população está envelhecendo e o aumento vertiginoso no curso de vida está trazendo profissionais acima de 50 ou 60 anos novamente para o mercado. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a mobilização de uma força de trabalho multigeracional e de melhores oportunidades para os trabalhadores mais velhos poderá impulsionar um aumento de 19% do PIB per capita nos próximos 30 anos. Estou usando este exemplo para mostrar a terceira tendência e o olhar em diversidade, parte do “S”, em ESG. Portanto, conceitos ESG também estão no RH.

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As quartas e quintas tendências têm a ver com tecnologia. A crescente prevalência da computação em nuvem, da Internet das Coisas (IoT) e de outros avanços tecnológicos podem levar a uma tendência na direção oposta à partilha colaborativa de dados, de acordo com o estudo do WEF. Existe também um senso comum de que “máquinas inteligentes, bots e sistemas alimentados principalmente por aprendizagem automática e inteligência artificial aumentarão rapidamente em velocidade e sofisticação entre agora e 2035”.

Um estudo recente do Gartner destaca que, até 2025, 30% das mensagens de marketing de grandes organizações serão geradas sinteticamente, contra menos de 2% em 2022. Não acredito que isto gere desemprego, mas acredito que propicie uma mudança grande nas habilidades requeridas de funcionários. Ou seja, será preciso olhar para novas formas de aprendizado, rapidamente. Em uma análise de junho deste ano, a consultoria McKinsey estima que o uso de soluções generativas de IA, por si só, pode trazer ganho econômico de 2,6 trilhões a 4,4 trilhões de dólares por ano, no mundo. Para que isso funcione, no entanto, as empresas devem dar aos funcionários a oportunidade de desenvolver ainda mais suas habilidades de uso da inteligência artificial. Está aí um exemplo.

Estas 5 macrotendências, na minha visão, indicam um olhar ESG que vai da área de TI às áreas de risco, passando por Finanças, RH e Vendas. Dizer que a sustentabilidade está ligada ao sucesso ou ao fracasso de uma empresa não é um exagero. A alta liderança precisa tornar a sustentabilidade parte da maneira como o negócio define o sucesso, para que os funcionários entendam porque precisam incorporá-la na forma como pensam e no que fazem.

Tudo isso me faz pensar que, no mundo ideal, não haverá área de Sustentabilidade nas companhias, porque o conceito, a preocupação e a forma de fazer negócio estarão impregnadas de conceitos ESG, de tal forma que qualquer profissional, seja de Marketing, Vendas, Produtos, Finanças ou RH, deverá saber conduzir. A forma correta de tratar o tema é ele ser parte do dia a dia de qualquer pessoa ou profissional. Sendo assim, todos serão ESG. Agora, o que não sei é quando isto acontecerá ou, mesmo, se esta lógica é utópica. Mas que faz sentido, faz. Não acha?

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