A IA é aliada do candidato, mas desempenho na entrevista ainda é crucial

IA já é parte do recrutamento, mas exige uso ético e personalizado. Habilidades humanas seguem insubstituíveis para se destacar no mercado

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10:00 am - 04 de novembro de 2025
Imagem: Shutterstock

por Bruno Barreto*

Denominador comum entre as discussões atuais independentemente da área de atuação, a Inteligência Artificial já faz parte do mercado de trabalho e, consequentemente, das etapas de recrutamento e seleção. Segundo a 31ª edição do Índice de Confiança da Robert Half (ICRH), dominar a tecnologia e saber usá-la a seu favor ocupa a quarta posição entre os principais desafios dos gestores para o segundo semestre de 2025.

Neste sentido, afirmo que usar a tecnologia a seu favor pode ser, inclusive, tê-la como aliada no processo de seleção para uma vaga de interesse. Segundo dados da Robert Half, 57% dos candidatos desempregados têm utilizado ferramentas de IA como apoio nos processos seletivos.

Seja para refinar uma carta de apresentação ou currículo, a Inteligência Artificial tornou-se um caminho natural para grande parte dos candidatos que buscam se destacar ao buscar uma nova oportunidade.

Personalização e coerência são essenciais

Alinhar o objetivo profissional com o descritivo de uma vaga com o auxílio da IA, porém, requer muito cuidado. Na intenção de entregar o que se pede, a ferramenta pode incluir atribuições que não necessariamente se encaixam com a realidade das experiências profissionais do candidato. Por isso, a revisão e personalização são passos imprescindíveis, pois nada substitui a linguagem pessoal e o estilo de cada perfil.

Leia mais: Atualização contínua é a peça-chave para os profissionais de tecnologia

Mais do que isso, em vez de beneficiar o candidato, um currículo automatizado pode ter o efeito contrário ao soar excessivamente genérico ou, ainda, apresentar informações que não são comprovadas em fases posteriores do processo.

Um exemplo prático: um dos requisitos de determinada posição é o inglês avançado. Ao solicitar para a IA uma carta de apresentação com base no descritivo da vaga, é capaz de a ferramenta incluir a competência, mas não necessariamente o profissional domina o idioma. Se em futuras fases do processo houver dinâmicas de conversação ou teste prático, seguramente acontecerá a desclassificação do candidato e, ainda, uma incoerência de currículo identificada pelo recrutador.

Habilidades comportamentais

Além de dinâmicas e testes práticos, é comum que existam questionamentos sobre resultados em experiências anteriores como forma de mensurar o histórico profissional. Saber colocar-se de forma clara sobre suas competências e resultados é fundamental quando está cara a cara com o recrutador, e este contato humano vai além de qualquer interferência de tecnologia.

Apresentar-se de forma confiante e transparente são atributos que requerem desenvolvimento pessoal e preparo para além de ferramentas. As habilidades comportamentais não são substituíveis por tecnologia e é por meio dessas características que os profissionais podem se destacar.

Reforço que competências como pensamento crítico, capacidade de adaptação e inteligência emocional seguem em alta nos perfis desejados para diferentes posições em distintos mercados e não são resolvidas por prompts.

*Bruno Barreto é Especialista em Recrutamento na Robert Half

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