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Citigroup opta por posição diplomática a favor dos fundos

Embora pareça um mau negócio, ao desistir de vender sua participação no capital da Brasil Telecom aos fundos de pensão, o Citigroup encontrou uma alternativa mais segura e sem dúvida mais diplomática do que seria a de exercer o seu direito à opção “PUT” contra os mesmos fundos, afirmou fonte próxima às negociações.

O comportamento do grupo financeiro americano mostra maior conservadorismo e menos resistência e ousadia, afirmam fontes do mercado.

Na verdade, exercer a opção “PUT” contra os fundos e receber R$ 100 por ação ordinária da BrT, praticamente o dobro do valor alcançado hoje em bolsa pelos papéis com direito a voto (a BRTP 3 fechou ontem a R$ 45,50, com alta de 5,81%) seria um passo certo em direção ao lucro e à eclosão de uma controvérsia nacional de repercussão negativa de proporção razoável.

Embora os fundos de pensão tenham gestão independente da estatal à qual estão vinculados os seus cotistas, sabe-se que na prática impera uma certa dose de promiscuidade. O assunto poderia vir a público, transformando o Citi em objeto de críticas de personalidades da política. “Se até na possível fusão entre BrT e Oi, uma conseqüência natural de consolidação do mercado envolvendo empresas privadas, o ministro Hélio Costa está opinando, imagine se o Citi decidir cobrar uma grande soma dos fundos de pensão?”, diz executivo do setor que pediu para não ser identificado.

Segurando o pássaro

A atitude do Citi está sendo encarada, portanto, como aconselha o velho ditado que diz que é melhor um pássaro na mão do que dois voando. Na verdade, para o Citi receber a PUT dos fundos, não poderia haver no horizonte nenhum risco de ação judicial envolvendo o Opportunity. “Condição difícil de ocorrer”, pondera fonte próxima às pendengas judiciais que freqüentaram a sociedade desde o seu início. “Era grande a dinâmica do relacionamento dos acionistas da BrT, ora o Citi estava alinhado ao Opportunity contra a Telecom Italia, ora o Opportunity alinhava-se à italiana contra o Citi e assim por diante”.

Ou seja, se não fechar o acordo que está sendo formatado no momento com os fundos, o Citi corre o risco de ficar sem receber coisa nenhuma lá na frente.

O acordo também tem a conveniência de eximir o Citi de desembolsar sua parte na compra da participação da Telecom Italia, sem perda de participação no capital na BrT.

“A mensagem de confiança no mercado de telecomunicações nacional é inequívoca”, garante fonte. “Um grupo americano desse porte acreditando na valorização futura das ações da Brasil Telecom é um dado importante para que esta valorização efetivamente ocorra”, arrisca o analista.

A valorização das ações da BrT pode se dar por diferentes caminhos: pela comentada fusão com a Oi; pela própria pulverização das ações no mercado de capitais, ou pela aquisição da tele por outro grupo. Estariam no páreo, neste caso, a Telefónica, a Telmex ou outra hoje ausente do mercado doméstico, como a China Telecom ou a Vodafone.

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