Cisco apresenta sistema de convergência de redes para internet das coisas

Há alguns anos trabalhando em cima do conceito de internet sobre todas as coisas (ou IoE, na sigla em inglês usada pela fabricante), a Cisco apresentou nesta terça-feira (24/09) seus sistemas de convergência de rede (NCS), voltado a Teles e operadoras de serviços de comunicações. Os equipamentos trabalham tanto com o legado como coma configuração de redes definidas por software, virtualizando e gerenciando aplicações automaticamente.
De acordo com o diretor de operações da Cisco no Brasil, Anderson André, o NCS permitirá atender novas demandas da rede. “A partir do momento que você move aplicações, que antes funcionavam centralizadas, você começa a exigir demandas de rede diferentes. Há uma imprevisibilidade de tráfego, com necessidade de readequação da infraestrutura”, explica.
A companhia aposta no aumento das transações máquina a máquina (M2M), ?totalmente diferente das interações habituais por características de mobilidade, processos e necessidade de adaptação?.
A Cisco projeta 50 bilhões de coisas conectadas em 2020, com dispositivos M2M crescendo cinco vezes mais rápido que os dispositivos móveis convencionais. Em 2017, a previsão é de que mais de 22% de todos os eventos em rede sejam baseados nesse tipo de comunicação.
Em resumo, o NCS adapta e automatiza a rede, eliminando a necessidade de um operador de redes de comunicações de classificar e passar informações. Em centésimos de segundo, a camada criada pelo NCS ? que opera com APIs abertas ? realiza a comunicação entre IPs e recursos de transmissão, totalmente controlados por software.
Há dois sistemas disponíveis imediatamente no Brasil e no mundo ? o NCS 2000, que se conecta com redes de transporte de DWDM em taxas acima de 100GBps e suporta capacidade de configuração de rede dinâmica com capacidades ROADM de 96 canais, e o NCS 6000, line card de 1Tbps e capacidade de transportar 5 terabytes por segundo (Tbps) por slot e 1,2 petabytes por segundo (Pbps) por sistema para suportar as convergências dos ambientes IP e ópticos.
Existem três projetos-piloto implementados no mundo, na Ásia, Europa e Oceania, com o sistema. A operadora de telecomunicações australiana Telstra utiliza o aparelho para evolução e crescimento de serviços corporativos, a operadora de TV britânica Sky para aprimoramento nas transmissões e vídeo, e, finalmente, a japonesa KDDI para serviços em nuvem. No Brasil, contudo, o cenário é de atraso.
?No Brasil, já estamos atrasados. As prestadoras de serviço terão que correr muito para alcançar isso?, alerta André, referindo-se à sobrecarga da rede prevista para o período da Copa do Mundo do Brasil no ano que vem. Ele mencionou alguns testes com operadoras. Em um deles, devido à ausência de licenças disponíveis, em breve não haverá mais possibilidades de venda de linhas móveis. ?Com o NCS, você consegue liberar até 40% de espectro?, promete o executivo.
A Cisco não revelou preços das soluções, nem metodologia de venda.
