CIOs e suas equipes são substituíveis?

A nova provocação do momento é que CIO e sua equipe estão se tornando relíquias, sobretudo, na medida em que as decisões sobre a compra de TI estão, cada vez mais, vinculadas ao marketing, vendas, RH e outros departamentos. Quem precisa de uma grande área de tecnologia quando outros gestores podem comprar servidores, storage, aplicações e dispositivos a partir de um site e com um cartão de crédito em mãos?
Em uma coluna intitulada ?A nova cara da TI: executivos das linhas de negócio?, Patrick Houston, que contribui com a InformationWeek EUA, relatou exemplos como LivingSocial, uma startup como o Groupon, onde a chefe do RH, Jennifer Trzepacz, contratou um sistema de gestão de desempenho, pagamento e recrutamento em nuvem, sem qualquer ajuda do departamento de TI. Assim, Houston conclui: ?Trzepacz e outras como ela ? gestoras que conhecem mais do seu trabalho que a TI ? estão destinadas a comandar fatias cada vez maiores dos orçamentos de TI?.
Acrescentando combustível ao debate, existem dois recentes relatórios que concluem que os departamentos de marketing, onde os gastos com tecnologia crescem três vezes mais rápido que em qualquer outra área, estão liderando diversos projetos. O Gartner prevê que, até 2017, os departamentos de marketing gastarão mais em tecnologia que os departamentos de TI. Um estudo da IBM, que ouviu 1,7 mil CMOs, revelou que 23% deles dependem muito de parcerias externas para projetos de TI ? mas 61% deles acreditam que isso acontecerá muito nos próximos três ou cinco anos.
Dados de recente pesquisa da InformationWeek com profissionais de TI e fora da área reforçam essa tese. Três quartos dos respondentes disseram considerar o departamento de TI da empresa como um coadjuvante quando o assunto é inovação, credenciando outros departamentos como propulsor de iniciativas do tipo.
E essas percepções só crescem. Outro articulista da InformationWeek EUA, Larry Tieman, ex-executivo de TI da FedEx, entende que a organização de TI do futuro ?será menor, com mais foco externo, e altamente especializada, com grande parte da expertise em infraestrutura e operação terceirizada. O que os profissionais de TI farão, quais conhecimentos precisarão ter, e qual será o real papel do CIO (se é que ele terá), ainda não está determinado.?
Mas antes de enterrar a área de TI, vamos observar alguns pontos:
– Nem toda empresa é uma startup. A LivingSocial pode funcionar bem sem um departamento de TI, mas empresas com diversos sistemas legados para gerenciar, concorrentes para ultrapassar e regulamentações para cumprir precisam de um time interno de tecnologia focado em integração, segurança, desenvolvimento de aplicação, analytics, redes, entre outros. ?Colocar tudo em nuvem? funciona apenas para empresas de menor porte. E não necessariamente temos uma divisão entre novo e velho mundo. Considere todo o trabalho de seu time interno de infraestrutura feito pelo Google, um dos grandes provedores de nuvem.
– Um desafio anterior da TI é ganhar posição como centro de inovação e não ser apenas a área de suporte e manutenção. A TI está unicamente bem posicionada para liderar inovação. Mas os CIOs precisam estabelecer parcerias formais com outros departamentos e não apenas efetuar conferências telefônicas de vez em quando.
A Allstate, por exemplo, tem um programa de crowdsourcing para inovação. Além disso, o vice-presidente executivo Suren Gupta está no conselho de inovação que inclui executivos de diversos setores como finanças, investimentos, operações e vendas. A USAA, por meio do Agile Labs, colocar desenvolvedores juntos com especialistas no problema e representantes do serviço de atendimento ao cliente para criar protótipos de novos produtos. ?Os líderes trabalham para formalizar a inovação tecnológica como parte diária do negócio, porque a realidade é que os departamentos nem sempre vão buscar ajuda na TI?, escreveu meu colega Eric Lundquist.
– Em meio a tudo isso, o CIO também precisa buscar uma atuação além do departamento de TI. Entre as companhias do estudo InformationWeek 500, 34% dos CIOs são responsáveis por inovação, 33% por gerenciar e melhorar processos de negócio, 13% por operações, 13% pro procurement, 12% por serviços, 5% logística e supply chain e 30% por alguma outra função. Apenas 15% dos executivos participantes do IW 500 não têm responsabilidade fora da TI.
No final das contas, entretanto, o conhecimento técnico ainda segue sendo algo crítico. Convidado a responder a questão ?Qual o caminho mais rápido para o insucesso??, o CIO da Quintiles, Richard Thomas, afirmou: ?Trabalhar em TI sem entender tecnologia. Se você está em TI, eu espero que você realmente entenda aquilo que está falando?.
