CIO dos EUA conta como gastou, melhor, seus US$ 8 bi de budget

Mesmo com US$ 8 bilhões em orçamento para investir em tecnologia da informação, o foco não era acertado. Com isso, o governo dos Estados Unidos tinha, no início de 2009, um calhamaço em PDF com informações sobre US$ 27 bilhões em projetos atrasados. Foi com este cenário que o indiano Vivek Kundra, o primeiro CIO que aquele país já teve, chegou para trabalhar, ao lado do presidente Barack Obama.
Em apresentação feita semana passada, durante o Dell World 2011 ? encontro promovido pela empresa de Michael Dell com parceiros e clientes de todo o mundo, em Austin (Texas, EUA) -, Kundra explicou que, em dez anos, a administração pública passou de 423 data center para mais de dois mil. ?E adivinhem qual era a média de virtualização em termos de ciclos de CPUs? Menos de 27%. No caso de storage? Menos de 40%. Tinha que reduzir este gap que tinha entre os setores público e privado, que não era por falta de dinheiro, porque o governo havia gastado cerca de US$ 60 bilhões na última década para modernizar sua infraestrutura?, contou.
A primeira coisa que fez, para entender para onde era destinado o dinheiro da adminsitração, foi criar uma plataforma de acesso online na qual estivessem as informações de todos os projetos de TI do país e quem era o diretor de tecnologia responsável. Em cada ficha, havia valor de investimento, prazo de entrega e todas as informações pertinentes à análise. Conforme explicou Kundra, neste processo, a primeira barreira foi quebrada: o executivo e sua equipe de desenvolvedores implantaram o projeto em 60 dias, prazo tido como recorde para qualquer iniciativa pública.
Com os dados em mãos, ele pode observar, por exemplo, que o Departamento de Defesa gastou dez anos e US$ 850 milhões para criar um sistema de ERP que, simplesmente, não funcionou. No caso do Departamento do Interior, o responsável não conseguia mandar e-mail para todo o seu staff porque havia 13 sistemas de correio eletrônico diferentes – que não falavam entre si. ?Eram dois data centers para dar contas dos e-mails, e eles gastavam US$ 5 milhões, por ano, em infraestrutura?, explicou. ?Olhamos para outros sistemas e decidimos não investir mais para resolver este problema. Conseguimos economizar US$ 3 bilhões com o que era injetado para fazerem coisas como estas funcionarem?, adicionou.
A decisão, então, foi fechar 800 data centers e iniciar o processo de migração para a nuvem. ?Neste momento, iniciamos a política de crescimento zero de data centers.? Conforme relatou Kundra, o envio dos e-mails relativos ao General System Administration e ao Departamento de Agricultura geraram uma economia de US$ 45 milhões. ?Isso apenas para e-mail. Pense em todas as aplicações que estão no governo. Vimos US$ 5 bilhões em economia?, explicou.
Outros dois pontos levados pelo executivo foram a segurança ? garantir que todas as informações públicas estivessem protegidas ? e o investimento em ideias que, realmente, gerassem eficiência. No primeiro caso, foi criado um projeto interno no qual times do próprio governo buscam brechas de segurança nos sistemas, como forma de corrigí-los antes que cibercriminosos o façam. ?Hoje em dia, o hacker não é mais aquele adolescente que quer se divertir. Hoje temos o crime organizado?, constatou. Para a segunda opção, foi criado um site, o data.gov, no qual eram inseridas diversas informações estatísticas sobre diferentes áreas do país, como saúde, educação, benefícios sociais, entre outros. ?Começamos com 37 acessos aos dados em 2009, e hoje temos 400 mil. Criamos um espaço no qual terceiros poderiam criar aplicativos para facilitar diversas atividades. Criamos concursos e prêmios, com orçamento de US$ 50 milhões. Desta forma, conseguimos ter ideias muito mais rapidamente do que se tivéssemos deixado em ambiente interno?, concluiu. O crowdsourcing a serviço de todos.
*A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da Dell
