CIO do Deutsche Bank: ?nuvem pública ainda não?

Para aqueles que acham o setor financeiro no Brasil muito conservador quando o assunto é nuvem, as reservas em relação ao modelo público de cloud computing não são exclusividade do mercado brasileiro. Em rápida conversa com InformationWeek Brasil, durante o SAPPHIRE 2013, evento da SAP para clientes e parceiros que acontece em Orlando (EUA), o CIO do Deutsche Bank Wolfgang Gaertner foi enfático ao dizer: ?nuvem pública ainda não?. E ele continuou afirmando que, ao menos neste momento, nem há planos para isso.
Esbarram por lá, assim como no Brasil, questões regulatórias. É preciso saber onde a informação está e ter a segurança de que todas as regras de compliance estão sendo cumpridas. Sobre nuvem privada, ele disse que está mais aberto, mas ainda não aplicou à rotina da instituição.
Mas o fato de não ser um setor aberto à computação em nuvem neste momento não significa estar avesso às transformações. Talvez, mais que as instituições brasileiras, os bancos de varejo na Europa precisam passar por uma reinvenção por conta da crise financeira que desafia qualquer tipo de negócio no continente.
No caso do Deutsche Bank, a equipe executiva vem observando o mercado com atenção desde o início da crise de 2008, iniciada nos Estados Unidos. Em 2011, como lembrou Gaertner, foi tomada a decisão de se investir em um grande projeto, chamado Magellan, que culminou com uma plataforma de tecnologia bancária totalmente renovada. ?O negócio de varejo precisava ser transformado por conta da crise financeira que reduziu margens e ampliou regulação. Tivemos grandes oportunidades de desenvolver a perspectiva do varejo na Europa?, comentou.
O parceiro escolhido para essa virada nos negócios foi a SAP e o projeto como um todo levou 18 meses. Pode até parecer muito para os tempos atuais, onde três meses soam como eternidade, mas dada a complexidade do negócio e a proposta da iniciativa, trata-se de um período bem razoável. Como diz o próprio CIO, trata-se de uma transformação evolucionária. ?Consistiu em substituir o legado, tendo a SAP como parceira, num programa plurianual. Ano passado tivemos um grande avanço. Implantamos a versão mais atual do ERP e migramos várias coisas e concluímos tudo em 18 meses. A cada seis meses temos uma novidade.?
A ideia de mudar toda a plataforma da instituição era ter algo mais simples e que permitisse ofertar serviços mais inteligentes aos clientes. Mesmo com todo o planejamento, Gaertner considera que o banco tomou uma decisão ousada, mas foi tudo feito em conjunto. E, para ele, essa ousadia foi e seria a única maneira de transformar o negócio, especialmente em uma empresa que vinha usando por vários anos tecnologia proprietária.
O projeto Migellan como um todo consiste na renovação da plataforma e, consequentemente, na migração de cinco milhões de contas, num processo iniciado em julho de 2012. Até 2015, a divisão de clientes corporativos e privados (PBC, da sigla em inglês), que bancou o projeto, terá investido um bilhão de euros no desenvolvimento dessa nova plataforma. É para este ano também que está prevista a finalização da migração de todos os processos e contas da divisão PBC na Alemanha para a plataforma.
*O jornalista viajou a Orlando a convite da SAP
