Cibercrime custou R$ 15 bilhões ao Brasil em 2012, afirma Norton

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4:32 pm - 04 de outubro de 2012

A Norton, divisão de tecnologia voltada para consumo final, OEM, varejo e SoHo da Symantec, divulgou o Norton Cybercrime Report 2012, relatório global da fabricante, que mostrou que o cibercrime causou US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 15 bilhões) de custos no Brasil nos últimos 12 meses, e US$ 110 bilhões em todo o mundo.

O estudo, que revela o comportamento e problemas de cibercriminosos, e aponta as necessidades e vulnerabilidades dos usuários, chegou aos valores após coletar informações de relatos pessoais de mais de 13 mil adultos de 24 países, entre 16 e 30 de julho de 2012, com o auxílio da StrategyOne. No Brasil, é estimado que mais de mais de 28 milhões de pessoas foram vítimas deste tipo de crime nos últimos 12 meses, sendo que os prejuízos por vítima são de R$ 562.

Adam Palmer, chefe da área de cibersegurança da Norton, explica que, devido à explosão do mundo multiplataforma, principalmente do avanço da utilização da internet através de smartphones e tablets, os cibercriminosos evoluíram a forma de ataque, criando ameaças específicas para cercar usuários além dos PCs e notebooks. “Essa ameaça é potencializada através das redes sociais, através de jogadas como ‘adicione o botão de dislike (não curtir) no Facebook’, entre tantas outras formas de persuadir as pessoas”, conta.

Obviamente, como nota Fabiano Tricarico, diretor de vendas da área de consumo da Symantec América Latina, esse comportamento mutante das formas de ameaça também mostra a fraqueza por parte dos usuários em conhecimentos, até mesmo superficiais, de proteção de dados e informações em diferentes plataformas. Palmer complementa essa visão: “as pessoas se esquecem da segurança nos smartphones e nos tablets. Os consumidores sabem dos problemas, mas não sabem o quanto o cibercrime evolui diariamente.”

O grande problema da segurança da informação no Brasil é a falta de educação digital. Como sabemos, nos últimos anos foi realizado um esforço gigantesco do governo para inserir a população na World Wide Web, desde a diminuição dos preços de máquinas, através de subsídios para fabricantes, até ao Plano Nacional da Banda Larga (PNBL), que visa a entregar internet a preços mais baratos. Faltou, no meio do caminho, um esforço similar para inserir a educação digital, através de campanhas para a segurança em ambientes virtuais.

“Para a maior parte da população, phising, hacker e spam são apenas palavras diferentes para falar de vírus”, afirma Tricarico. “O crescimento do consumo apenas torna nosso mercado ainda mais interessante para os cibercriminosos, pois as pessoas querem fazer as coisas pela internet.”

Voltando ao estudo, a Norton afirma que até ameaças mais simples e óbvias são bons negócios para os cibercriminosos. De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros já receberam mensagens de texto no celular pedindo para clicar num link ou solicitando discar um número. “As vulnerabilidades móveis dobraram de 2010 para 2011, e a gama de ameaças partem do mais simples ao mais complexo sistema”, ressalta Palmer. “Os usuários estão dispostos a se infectarem, seja no exemplo do Facebook (citado acima) ou acreditando que vão ganhar algo.”

Como notado, as vulnerabilidades móveis são amplificadas pelas redes sociais. Um em cada cinco adultos com vida online (21%) foi vítima de fraudes no ambiente social ou móvel, e 39% que possuem redes sociais foram vítimas de malwares neste ambiente, afirma a Norton. O estudo informa, também, que embora 75% dos entrevistados acreditem que os cibercriminosos estejam mirando as redes sociais, menos da metade (44%) utiliza uma solução de segurança que os proteja contra ameaças nestes ambientes. Além disso, apenas 49% usam as configurações de privacidade para controlar as informações que compartilham.

“O comportamento de risco é a principal falha do usuário. Por exemplo, 1/3 deles não desconecta a conta depois de cada sessão; 1/5 não verifica os links antes de compartilhar; e 1/6 não tem ideia se as suas configurações são públicas ou privadas”, observa Palmer. Novamente, mas sem ser repetitivo, falamos da falta de conhecimento sobre as capacidades da segurança da informação e as formas que ela se mostra. “As pessoas devem entender que os computadores não cometem crimes, mas as pessoas sim.”

Mais dados relevantes:

  • 89% das pessoas apagam e-mails suspeitos de pessoas que não conhecem;
  • 21% não tomam medidas para proteger suas informações pessoais enquanto estão acessando a internet;
  • 42% não sabem como um malware ou vírus funcionam;
  • 55% não sabem se seus computadores estão limpos de vírus;
  • 48% estão usando apenas a proteção antivírus básica;
  • 28,3 milhões de brasileiros são vítimas por ano de cibercrimes – 3 vezes a população de São Paulo;
  • Globalmente, são cerca de um milhão e meio de vítimas todos os dias;

Na ordem, os países que mais originam ataques no mundo são Estados Unidos, China, Índia, Brasil e Alemanha. Palmer explica que nos EUA já existe um trabalho forte junto à polícia para prender e identificar os cibercriminosos, e que no País esse processo está caminhando, mas ainda é bastante incipiente. “Estamos treinando os policiais para derrotar esses criminosos com a aplicação da lei”, conta o executivo.

Este é um grande problema para nós, onde a legislação brasileira está bastante atrasada quanto aos ambientes digitais. Parafraseando Palmer, os cibercriminosos correm na velocidade da luz, e o governo na velocidade da lei, e essa realidade pode causar problemas para o nosso futuro digital, se não houver um trabalho mais forte das instituições governamentais para assegurar a navegabilidade e acesso seguro às redes, além das soluções de fabricantes como a própria Norton.

Beto Santos, country manager da Norton Brasil, conta que, para tentar incutir a ideia de segurança nos usuários, a companhia faz algumas palestras em universidades, mas, como complementa Tricarico, “é um trabalho de formiguinha”. “Fazemos nossa parte, mas não há nada estruturado com o governo, por exemplo”, finaliza Santos.

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