Chromebook amplia leque de serviços para os canais

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9:00 am - 18 de março de 2014

Chromebooks chegarão ao Brasil em breve. A expectativa é que mexam com algumas estruturas ao aprofundar o conceito de venda de computadores como serviço. CRN Brasil conversou com Maurício Fernandes, presidente da Dedalus, canal que trabalha soluções Google, para entender um pouco sobre como a chegada desses dispositivos pode afetar o mercado e as revendas nacionais.

CRN Brasil ? Como vocês sentem a demanda desses dispositivos para o mercado brasileiro?

Maurício Fernandes ? Temos que olhar isso de maneira ampla. Compramos uma visão da Google de da plataforma 100% web que passa por três questões importantes: Apps, App Engine e dispositivos. É secundário se vamos vender ou não o dispositivo. O importante é ajudarmos os clientes a darem mais esse passo.

Google Apps já vivenciou avanços importantes e os clientes que usam isso, tem interesse natural pelos dispositivos. Independente de [o aparelho] ser vendido por parceiros Samsung ou Acer, os canais Google são essenciais para abastecer o mercado corporativo.

CRN Brasil ? O Chromebook está preparado para o mercado brasileiro e o mercado brasileiro está preparado para Chromebook?

Fernandes ? Acho que sim. Digo isso com base na experiência de dois anos vendendo Google Apps. O retorno que o mercado nacional deu para o Apps foi forte. O motivo pelo qual acredito que o Chromebook vai vender bastante são os mesmos: vincula-se a flexibilidade e custo. Há, ainda, um novo paradigma. As empresas brasileiras ficaram muito tempo paradas, só com as ofertas dos grandes players mundiais. Creio que vamos surpreender muito com o produto.

Minha questão tem mais a ver com o posicionamento do produto de forma mundial. Quando ele foi concebido, tablets eram apenas uma figura no horizonte. Há uma divisão de espaço agora dos laptops com outros dispositivos móveis que viraram estações de trabalho. Dependendo do perfil de equipe, tem que avaliar o que será melhor para cada demanda, ver quem ganha essa história ou se vai segmentar essa questão de dispositivos.

CRN Brasil ? Qual a oportunidade para o canal nesses aparelhos?

Fernandes ? Vejo uma oportunidade grande de serviços no entorno do dispositivo, pois quando você fala que vai levar o Chromebook às mãos de usuários remotos, há muito suporte e integração a ser feita. É interessante que tenha toda uma parte de gestão de identidade implantada na empresa e isso é algo ainda muito tênue entre as companhias brasileiras. Quando você dá um equipamento tão poderoso para o usuário na ponta, precisa tratar da retaguarda e dar o suporte para a plataforma.

CRN Brasil ? Mas e como fica a questão da banda larga, essencial para um dispositivo baseado em web como é o caso dos Chromebooks e tão deficiente no Brasil?

Fernandes ? É um ponto importante, pois essa é uma dúvida que sempre vem. É importante lembrar que as coisas não são bem assim. Ele é web-based, mas funciona offline. Com HTML5 as aplicações ficam offline e o sincronismo ocorre quando se estabelece a conexão. A empresa pode largar o aparelho na mão de um funcionário que terá acesso restrito e momentâneo e dá para trabalhar. Os benefícios da arquitetura são tão fortes que precisamos ir a fundo com relação ao HTML5 e na questão do offline que habilita que tenha uma máquina funcional mesmo na lua.

CRN Brasil ? A Dedalus já recebeu algum Chromebook para testar e mostrar aos clientes?

Fernandes ? Está a caminho. Ganhamos um do Google e deve chegar aqui nos próximos dias.

CRN Brasil ? Que orientação tem recebido do Google para esses aparelhos?

Fernandes ? Na verdade, uma das coisas bacanas do Google é que eles só falam depois que a coisa acontece de fato, algo raro em um setor que se especializou em contar versões de um futuro que as vezes não acontece. Para o Chromebook temos ainda poucas informações. De fato, só coisas que se tornaram públicas. Então, nesse momento, estamos fazendo o mesmo que fazemos nas outras ocasiões: isto é, aguardando. Mas o que tem nos servido é essa visão 100% web na qual acreditamos e o esse equipamento é uma peça desse contexto maior.

CRN Brasil ? Conversei recentemente com Michael Lock, vice-presidente de vendas do Google para o corporativo, e ele mencionou que empresas brasileiras já testam a tecnologia. Alguma dessas companhias é cliente Dedalus?

Fernandes ? Existem empresas no Brasil, sim. Algumas delas são clientes nossos e os estamos acompanhando nesse processo. O teste é mais para satisfazer curiosidade do que algo necessário.

CRN Brasil ? Daria para detalhar um pouco esses projetos?

Fernandes ? Um é em uma grande empresa, com dezenas de franquias. Ali, os pontos de contato poderiam usar o Chromebook. Temos testes com escolas, também. Tem outro caso de automação em uma companhia com uma força de vendas grande e espalhada no Brasil inteiro.

CRN Brasil ? O preço de 30 dólares é aderente ao mercado nacional?

Fernandes ? Conversamos com clientes que vêem isso como um preço baixo, considerando o que vem incluso na oferta.

CRN Brasil ? Por exemplo?

Fernandes ? O pacote de dados (que, no caso de contrato com uma operadora de telecom sai bem mais de 30 dólares por mês e não vem com o aparelho).

CRN Brasil ? O Apps vem junto nesse valor?

Fernandes ? Não, mas ele vai custar 10 reais a mais por mês.

CRN Brasil ? Quantos clientes vocês têm de soluções Google que podem usar o Chromebook?

Fernandes ? São cerca 150 empresas para os quais vendemos produtos Google, mas fechamos novos contatos todos os dias. A base tem crescido rapidamente. Uma grande poderia adotar esses aparelhos. As maiores empresas, talvez, tenham projetos mais complexos e demoraria um pouco mais para migrar, mas todos tamanhos é alvo. Acredito que muitas organizações vão começar no mundo Google a partir do Chromebook.

CRN Brasil ? E sobre a compra da divisão de telefones da Motorola. O que você acha que vem para os canais?

Fernandes ? Gostaria de saber. Na verdade, o que é público é que é uma fusão que começa a fazer sentido no ano que vem. Até lá, muita coisa vai acontecer. A impressão que tenho é que a decisão foi tomada de forma muito rápida. Faz sentido e digo que não é uma aquisição só por patentes, como muitos tem dito. Creio que os detalhes não estão muito bem definidos ainda.

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