Caixa trabalha mobilidade como conceito

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9:26 am - 30 de abril de 2012

Mobilidade sempre confere desafios ao departamento de tecnologia da informação. Mas como atender bem ao negócio diante de barreiras que, muitas vezes, estão fora do alcance de sua área? Criatividade é uma resposta que se encaixa bem. No caso da Caixa Econômica Federal, o pensar o negócio fim e adaptar tecnologias já existentes para atender à demanda caíram como luva, principalmente, se pensarmos em uma instituição com 44,6 mil pontos de atendimento (incluindo ATMs) e presença em todo o território nacional.

O CIO da instituição financeira, Roberto Zambon, falou sobre o assunto em apresentação no IT Forum 2012, na Praia do Forte (BA). Na ocasião, lembrou que mobilidade não pode estar restrita a um smartphone ou tablet, mostrando que o que agrega valor ao negócio é trabalhar o conceito como um todo.

Em meio a diversos exemplos citados, destaca-se o Bolsa Nutris, um programa criado para o pagamento de benefícios sociais em terminais de autoatendimento sem a necessidade de um cartão de plástico. Para isso, ele gerou uma aplicação que envia um SMS com um código que, por sua vez, servirá como uma espécie de token para efetuar o saque no ATM. Com isso, ele eliminou a necessidade de emitir dois milhões de cartões. ?O custo do projeto foi muito baixo e a avaliação de risco compensa pelo baixo valor do benefício pago.?

Outro exemplo interessante é a aplicação de atendimento móvel, que é a adaptação do sistema bancário para um dispositivo móvel, similar a um PDA com impressora acoplada, que porta quase todos os serviços disponíveis na agência tradicional. As aplicações são diversas: auxiliar o atendimento quando a agência está cheia, ações de serviço social, como cadastro para Bolsa Família. O problema enfrentado é em relação à rede móvel. Dentro das agências, Zambon conta que resolveu disponibilizando uma rede Wi-Fi, em campo, conta com 3G, sendo assim, a solução não se aplica às regiões remotas onde a rede de dados móveis ainda é falha.

Conectividade, aliás, é um tema que suscita um debate muito grande. Praticamente todos os CIOs que assistiam à apresentação de Zambon relataram problemas com rede de dados móvel e colocaram isso como impeditivo para alguns projetos. Mas como pontuou o CIO da Marfrig, José Parolin, nessas horas, é preciso ter criatividade e bolar soluções móveis mas que não necessariamente sejam online, atestando que isso depende muito da natureza de cada negócio. ?Nem tudo pede online, o dado é que temos áreas em que funciona muito bem e posso ter real time e tem locais que vou ter que ser criativo.?

Com linha de pensamento similar à de Parolin, o CIO da Petrobrás, Álvaro Martins, acredita que, diante do cenário das comunicações no Brasil, o ideal é adaptar a solução à realidade. ?Não se pode por a mesma solução no País inteiro. É preciso adaptar de acordo com as regiões. Pode ser móvel sem ser online, vai a campo, faz leitura, não está online e na casa ou escritório conecta e transmite os dados?, exemplifica.

Mas isso depende muito de qual setor você atua. A adaptação é encarada mais facilmente, mas o fato de não ser online pode comprometer uma iniciativa. Outro exemplo levado por Zambon, da Caixa Econômica, foi a famosa agência barco, uma ideia que surgiu conjuntamente entre TI e logística para atender comunidades ribeirinhas na região amazônica. Pela natureza do banco, a comunicação durante as transações é fundamental. E eles resolveram isso com conexão via satélite.

Apesar de ser um meio de comunicação caro, o fato de ser apenas uma conexão, e não diversas como poderia ser sem a agência barco, resolveu a questão do custo. Em 415 dias eles realizaram mais de 23 mil atendimentos e abriram mais de cinco mil contas. A embarcação passa 28 dias viajando por 350 quilômetros do Rio Solimões. ?Teremos um segundo barco no segundo semestre e essa iniciativa de TI mudou estratégia do negócio?, avalia. No começo, eles tinham problemas com a estabilidade da comunicação. ?Hoje o barco navega e trabalha, antes a conexão não funcionava (com a embarcação) em movimento. Isso melhorou trabalho, já que back-office se faz em movimento, tirando a necessidade de ficar um tempo parado para envio dessas informações?, lembra Zambon.

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