Categories: Notícias

Burocracia desafia avanço de serviços digitais aos cidadãos por parte do governo

O Brasil evoluiu nos últimos anos na existência de tecnologias da informação e comunicação (TICs) nos órgãos públicos, segundo a pesquisa ‘TIC Governo Eletrônico 2013’, primeiro levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil (GCI.br) sobre o uso de tecnologia pelos órgãos públicos brasileiros, elaborado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Esse avanço, no entanto, está aquém do desejado e esbarra na burocracia. A observação é de especialistas do setor que estiveram presentes em debate promovido durante o lançamento do estudo na tarde de quinta-feira (25/2), em São Paulo.

Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br e coordenador-executivo e editorial do estudo, afirmou que a pesquisa consumiu dois anos para ser concluída e mostra que o acesso à internet é praticamente presente em todos os órgãos públicos. No entanto, a existência de uma área de TI é desafio para muitos deles, mostrando uma clara desigualdade em relação ao uso de tecnologia da informação e revelando as diferenças no que diz respeito a planos diretores de TI.

“Identificamos que, enquanto 85% dos órgãos federais e estaduais têm uma área de TI, nas prefeituras esse número cai para 46%. Além disso, 89% dos órgãos federais têm plano estratégico de TI, enquanto 57% dos estaduais possuem um. Isso revela desigualdade no uso e na gestão dos recursos tecnológicos”, destacou.

A pesquisa também ressalta o uso de serviços eletrônicos para levar mais eficiência aos processos do governo e melhorar os serviços públicos. De acordo com Barbosa, há uma lacuna nessa questão.

A facilidade de realizar download de arquivos é oferecida por 80% dos órgãos. Por outro lado, iniciativas como agendamento e emissão de documentos está presente em apenas 32% dos órgãos. “Isso revela que estamos em estágio mais informacional do que transacional”, observou. Ele lembra que municípios têm indicadores diferentes, especialmente entre os poderes.
O Judiciário, por exemplo, está mais avançado nesse ponto. “Ainda são necessários esforços para ampliar a prestação de serviços eletrônicos para atingimento de estágio de maturidade avançado”, pontou.

A comunicação via web entre cidadão, empresas e governo tem evoluído, conta. Outro canal relevante são as mídias sociais, que está presente em 88% dos órgãos da esfera Federal e 73% da Estadual.

Para Andrea Ricciardi, diretora do Departamento do Governo Eletrônico (eMAG) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Mpog), que estava presente no debate de lançamento dos dados, o Brasil esbarra na questão burocrática e precisa amadurecer várias dimensões, desde o conceito de serviço público, que nasce em prestar informação consistente e fácil, a evoluir para uma orquestração dos órgãos para que seja possível para o cidadão dirigir-se a um único lugar caso precise do setor público. Hoje, grande parte dos serviços disponíveis na web, lembra, tem de ser finalizados de forma presencial. “A TI nos dá suporte para mudar o quadro”, observou.

Cristiano Faria, pesquisador digital e coordenador do Laboratório Hacker da Câmara dos Deputados, reforçou outra questão: a necessidade de disponibilizar informações no formato 2.0 (dados abertos) para facilitar os processos de participação e a interação da sociedade na definição do serviço.

“Infraestrutura de telecomunicações já não é mais um limitante para a evolução de serviços na web. O próximo desafio é focar no uso de sistemas e na governança da tecnologia”, acrescentou Maria Alexandra Cunha, professora de Administração da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

Medidas de efeito demonstrativo. Essa é a definição da evolução das políticas eletrônicas do governo na visão de José Carlos Vaz, professor da Universidade de São Paulo (USP). “Quando evolui, encontra barreiras institucionais, políticas e gerenciais. Nosso meio eletrônico nunca veio acompanhado de política do estado brasileiro com a simplificação de procedimentos e foco no cidadão”, justificou.

Para Vaz, a saída para mudar o quadro é parar de pensar na TI em um nível micro e partir para o macro. “Estamos condenados a uma escolha. Optamos por ser um País dependente do ponto de vista tecnológica ou paramos de nos enganar e achamos que temos de aumentar a capacidade de produção tecnológica. O governo eletrônico é uma excelente oportunidade”, assinalou.

Recent Posts

Movida lança agente de IA no WhatsApp em parceria com a Meta e aposta em nova experiência de locação

A plataforma de locação de automóveis Movida lançou um agente de inteligência artificial integrado ao…

14 horas ago

Oracle nomeia Marcelle Paiva como nova VP de vendas, Data&AI Hub na América Latina

A Oracle anunciou Marcelle Paiva como nova vice-presidente de vendas, Go-to-Market (GTM) e ecossistema para…

15 horas ago

Mercado de IPOs de tecnologia ganha força com avanço da IA

O mercado de ofertas públicas iniciais voltou a ganhar tração em 2026, impulsionado principalmente pelo…

16 horas ago

Oracle adiciona US$ 85 bilhões em contratos de IA e encerra trimestre com carteira recorde de US$ 638 bilhões

A Oracle encerrou o quarto trimestre e o ano fiscal de 2026 com resultados recordes,…

16 horas ago

Disputa entre Anthropic e OpenAI expõe divergências sobre o futuro da inteligência artificial

A disputa entre Anthropic e OpenAI ganhou novos contornos e se tornou um dos principais…

16 horas ago

Marketing B2B precisa se reorganizar para atender compradores mais autônomos, diz Forrester

As áreas de marketing B2B precisam rever sua estrutura operacional para acompanhar a transformação do…

17 horas ago