Brasilcap é destaque do prêmio da IDC por projeto de ERP na nuvem
Pão de Açúcar, Peixe Urbano e SulAmérica também encontraram no modelo de cloud computing uma forma de conquistar competitividade em seus respectivos mercados.

No ano passado, o cenário de cloud computing foi pautado pelo alto interesse e pouca adoção. Os investimentos giraram em torno do e-mail, planilhas e antivírus. Tudo o que não era core business foi parar nas nuvens em uma espécie de teste. Deu certo. “Agora, as empresas estão menos receosas em relação ao modelo, já entendem as aplicações nos negócios”, diz Anderson Figueiredo, gerente de pesquisas e consultoria Enterprise da IDC Brasil, durante o IDC LA Cloud Solutions Roadshow 2012, realizado ontem (10/4) em São Paulo.
Figueiredo aponta que nos próximos meses, application as a service (AaaS) tem evoluído na cadeia de cloud e deverá decolar. Um dos termômetros são os casos de sucesso na área, que têm saltado, garante. A IDC recebeu, antes do IDC LA Cloud Solutions Roadshow 2012, 41 casos de sucesso de empresas que atuam em território nacional e têm projetos em cloud. Do total, 33% eram sobre AaaS, e-mail correspondiam a 20% e mais de 60% abordavam a gestão de dados. “Trata-se de um incremento qualitativo dentro da pirâmide de contratação”, explica.
Dos casos enviados, quatro foram selecionados para serem apresentados durante o evento: Pão de Açúcar, Peixe Urbano, Brasilcap e SulAmérica, companhias que encontraram no modelo uma forma de conquistar competitividade no mercado de atuação. Aquele considerado mais inovador foi escolhido pela audiência e recebeu um troféu pelo projeto de sucesso. O premiado foi a Brasilcap. Em segundo lugar ficou Peixe Urbano, seguido por Pão de Açúcar e SulAmérica.
Na Brasilcap, empresa coligada do Banco do Brasil que atua no mercado de capitalização, a nuvem começou a ganhar corpo muito antes de o conceito nascer. Isso porque, diz Felipe Ávila, gerente da área de suporte técnico, em 2005 a companhia optou por uma reestruturação da TI, que contemplou a adoção de servidores blades. “Mudamos para uma infraestrutura consolidada e mais eficiente, mas fomos além e partimos para a virtualização de 60% dos servidores.”
A reestruturação foi uma esteira para a cloud. Hoje, a empresa conta com o ERP da SAP em nuvem privada dentro do data center da Brasilcap. “O projeto consumiu quatro meses e foi finalizado em dezembro de 2011”, lembra Ávila. A ideia inicial era ter uma estrutura de suporte de 33 servidores, mas a companhia conseguiu reduzir para seis.
“Temos virtualização de rede, de servidores e servidores físico. Tudo isso orquestrado pela cloud”, diz. Segundo ele, o ERP na nuvem possibilitou eficiência e performance. “Posso apertar a mão da área de negócios e dizer que foi uma boa escolha”, afirma.
O site de compras coletivas Peixe Urbano, como qualquer empresa nascente, buscava estruturar-se para dar início às atividades e brigar com gigantes do setor. Sua operação nasceu, há dois anos, com os pés na nuvem. Roger Mattos, líder técnico de Engenharia do escritório de São Paulo do Peixe Urbano, conta que portal hoje tem 20 milhões de acessos, mas que como no início eles não sabiam como seria a demanda nos próximos meses, optou-se por um modelo que permitisse elasticidade.
A escolha foi pela Amazon Web Services (AWS), com os serviços EC2, AmazonS3 e Elastic Load Balancer. “A oferta é madura, já que eles são um dos pioneiros no mercado e isso contou pontos. Eles não têm restrição de ambientes [Windows, Linux, SQL Server etc], como trabalhamos com várias plataformas foi o ideal”, observa.
De acordo com ele, o serviço provou ser escalável, em linha com a demanda flutuante do Peixe Urbano. Ele exemplifica. “Em 31 de março de 2011 realizamos uma promoção de um centavo no site e nosso acesso cresceu 700%. Ao longo do dia escalamos mais máquinas para suportar o pico. Instalamos de cem a 150 máquinas virtuais”, lembra.
Embora, diz, a performance não tenha sido a esperada, já que o site manteve-se instável em alguns momentos, o executivo aponta que não foi por causa da nuvem e, sim, por um gargalo no software, que foi solucionado posteriormente, garante.
Outro pico, indica, foi registrado semanas depois da campanha durante um ataque DDoS em que o tráfego aumentou dez vezes. “Adicionamos mais memória e não tivemos lentidão”, garante. A rapidez para lidar com momentos de alta demanda é algo crítico para o Peixe Urbano. “Se nossa média de processamento em CPU ultrapassa 55% durante dois minutos consecutivos, dez novos servidores de aplicação são criados automaticamente”, diz.
A rede varejista Pão de Açúcar há tempos empunha a bandeira da sustentabilidade e foi essa a demanda que a levou para o mundo da nuvem. A companhia usa o ERP da SAP na cloud para realizar o gerenciamento e a gestão de emissão de gases do efeito estufa (GEE) que a companhia produz.
Com os dados, gera-se valor para os negócios, fazendo com que a empresa tome medidas para reduzir o impacto que causa no meio ambiente e possa inovar. “Só se melhora aquilo que se mede”, sintetiza Hugo Bethlem, vice-presidente-executivo do Pão de Açúcar. Segundo ele, a organização tem acesso a um inventário, que contabiliza todas as emissões e remoções de gases de efeito estufa obrigatórios e voluntários.
A companhia adotou o software em meados do ano passado e em dezembro iniciou-se um processo de consolidação das informações, que deverá ser finalizado neste mês. Bethlem explica que o grande benefício é que a tecnologia tem custo atraente e pode ajudar o Pão de Açúcar a estar em dia com sua meta infindável de contar com uma gestão e operação sustentável.
Alta disponibilidade e escalabilidade foram alguns dos atrativos que levaram a SulAmérica Seguros Previdência e Investimentos a apostar no modelo. Os objetivos de negócios incluíam aprimorar a gestão comercial e dar à equipe de corretores, que soma 30 mil, uma ferramenta que pudesse acelerar as vendas e ampliar o lucro. A solução escolhida foi o Google App Engine que suporta todo o processo de vendas, cotação, captação do cliente, precificação de planos de saúde e odontológicos.
Antes, afirma Umberto Reis, superintendente de Sistemas da SulAmérica Seguros, os corretores usavam planilhas Excel para controlar propostas e vender planos, situação que resultava em morosidade aos processos. Para se ter uma ideia, corretores focados no segmento de pequenas e médias empresas chegam a emitir 22 mil propostas ao ano. “Queríamos dar agilidade, mobilidade e transparência aos processos. Além de facilidade na aplicação das regras de precificação de planos e aceitação de propostas. A nuvem tornou possível”, diz.
