Brasil questiona legado dos megaeventos

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos aproximam-se com velocidade assustadora. Com ar sereno, Brasil observa os prazos ficarem apertados, derrapando em questões básicas que residem na própria não-definição de regulamentações para algumas obras e projetos. O trabalho, a partir de agora, pedirá grandes esforços para saber se o legado deixado será algo bom ou decepcionante ao País.
Na visão de muitos, os megaeventos colocam caráter de urgência em questões que precisariam ser resolvidas de qualquer forma. A postura traria benefícios de antecipação na adoção de tecnologias e investimentos em infraestrutura para solucionar gargalos históricos que vão de transporte e saúde até redes de telecomunicações. Contudo, falta muito a ser feito e, as vezes, parece que o País se “autoboicota” na preparação.
?O anúncio de que o Brasil sediaria a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foi encarado pela indústria como oportunidade e alavancagem?, recorda Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Mas viu-se poucas coisas realmente andando. O executivo demonstra preocupação no que toca os prováveis atrasos, que desencadearão ? inevitavelmente ? compras de última hora e consequente explosão nos custos e limites orçados.
Com um contrato de quase duas décadas firmado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e 400 pessoas trabalhando de forma permanente na construção de sistemas de tecnologia que rodaram (e rodarão) nas Olimpíadas, o presidente da Atos na América Latina, Alexandre Gouvea, condensa o que classifica com a chave para o sucesso de um megaevento: ?A experiência demonstra que a receita é simples. Exige, apenas, antecipação?.
Resta saber o legado que o Brasil vai querer deixar para as próximas décadas. Se repetir o desempenho do projeto do Panamericano do Rio de Janeiro (onde o orçamento previsto foi estourado em cerca de dez vezes), Copa do Mundo e Jogos Olímpicos são esforços que precisarão ser ajustados enquanto ainda há tempo.
