Brasil luta para abandonar a sina de País do futuro

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9:00 am - 18 de março de 2014

Um vídeo com viés publicitário, muito entusiasmo e executivos brasileiros falando em inglês enquanto estrangeiros arranham um português decente. Dessa forma começou um evento promovido pela Brasscom (Associação Brasileira de Empresas de TI e Comunicação) e pela revista The Economist, para tratar das oportunidades e desafios em solo brasileiro na manhã de quinta-feira (03/11), em um hotel de arquitetura moderna e imponente na região dos Jardins, em São Paulo (SP).

O inegável bom momento da economia brasileira faz com que as mensagens publicitárias soem um tanto ufanistas. Mas há indícios e esforços para fazer com que a frase ?O Brasil é o país do futuro? deixe de ser encarada com uma promessa jamais cumprida.

?O momento é glorioso?, anima-se Antonio Gil, presidente da Brasscom, em inglês. ?A forma que o País está trabalhando e a confiança com que atua, eleva as expectativas de que chegará aos seus objetivos?, acrescenta.

O executivo apresenta um cenário onde Brasil passa da sétima (em 2010) para a quinta economia mundial em 2012. No intervalo, o mercado de terceirização de serviços (BPO, na sigla em inglês) saltaria dos atuais 85 bilhões de dólares para algo entre 150 bilhões e 200 bilhões de dólares, com exportações expandindo oito vezes os patamares atuais e chegando à casa dos 20 bilhões de dólares.

?Há uma janela de oportunidade. Estamos indo para uma impressionante avanço. A TI vai ser mais pervasiva e barata?, lista Gil, questionando se estaremos preparados para abocanhar uma fatia de mercado em expansão. O executivo cita avanços nessa direção, listando programas governamentais recentes que trazem o intuito de suportar aspectos como inovação, capital humano, infraestrutura e competitividade.

Rogério Oliveira, líder do conselho da Brasscom e ex-presidente da IBM no Brasil, lista três componentes que afetam o mercado de tecnologia: a ascensão social, que leva mais gente para classes de consumo (o que impulsiona a adoção TI para atender esse contingente); o avanço da banda larga e das telecomunicações; e a busca por sofisticação das companhias, mesmo aquelas com alto nível de adoção da computação, como finanças e governo.

2022
?O Brasil fez muitas coisas positivas ao longo dos últimos 15 anos e está muito melhor em comparação com o começo da década de 90. Mas ainda existe muita coisa que precisa ser feita?, comenta o Fabio Giambiagi, autor do livro ?2022 ? Propostas para um Brasil melhor no ano do bicentenário?.

Ele atenta para a necessidade de ser mais produtivo e receita que sem uma ação mais incisiva nos investimentos em educação, haverá dificuldade de sustentar as evoluções econômicas expressivas verificadas no passado recente. ?Se o mundo ajudar, vai ser mais fácil a tarefa, mas, se não avançarmos nas reformas, vamos encarar limites e não conseguiremos atingir crescimento superior a 4%?, pondera.

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