Boundary rastreia desempenho de aplicativo, mesmo em AWS

A Boundary atualizou seu sistema de operações inteligentes para coletar dados de uma variedade de sistemas de monitoramento de data center. Os dados passam pelas capacidades analíticas da Boundary para dar aos gerentes de operações uma visão quase em tempo real do que acontece com seus aplicativos.
Talvez seja necessária uma palavra dos tempos da Guerra Fria pra resumir o que a versão mais recente da Boundary faz: coletivização. Os dados são enviados a ele a partir de sistemas de configuração e provisionamento Chef e Puppet ou da máquina de identificação e análise de dados, Splunk. Eles veem também dos sistemas de monitoramento de desempenho de aplicativos (APM) líderes de mercado, New Relic e AppDynamics. O gerenciador de sistemas em código aberto, Nagios, contribui mais, assim como o switch de rede definida por software (SDN) Plexxi. Fontes adicionais serão acrescentadas quando tanto a Boundary quanto seus clientes adicionarem adaptadores à biblioteca atualmente disponível.
A Boundary não oferece a função de “mergulho” no código de um aplicativo para identificar a parte que não está funcionando, como oferece uma implementação do AppDynamics. Em vez disso, ele monta uma visão de alto nível sobre como todos os aplicativos no data center estão funcionando. A análise é realizada por meio da capacidade analítica da Boundary, no centro de seu serviço online; não existe instalação local dessa capacidade. Um pequeno “medidor” ou coletor de tráfego de rede é instalado em cada máquina virtual monitorada. Ele transmite pacotes de informações sobre o tráfego de entrada e saída da máquina virtual para análise.
O objetivo é analisar todos os elementos que o CEO da Boundary, Gary Read, chamou de “app chatter”, os pedidos que um aplicativo faz ao servidor de banco de dados ou as mensagens que ele manda para o servidor web.
Se isso soa como muitos dados conectados à capacidade analítica, em muitos casos, é. A Boundary está disponível gratuitamente para um usuário que gera até 1 GB de dados por dia. Os data centers que geram até 5 GB por dia pagam mensalidade de US$ 45. O que equivale, em linhas gerais, a ter entre cinco e oito servidores rodando entre 25 e 40 máquinas virtuais, disse Read. Usuários maiores, que geram até 25 GB, pagam US$ 1.495 por mês.
Em entrevista, Read disse que a implementação de medidores baseados em código-C ocorre simplesmente por meio de sistemas de implementação comumente usados, como o Puppet, da Puppet Labs. Ele não interfere nas operações do aplicativo. O objetivo em gerar todas essas correntes de dados e enviar para a capacidade analítica é identificar quando alguma coisa fora do normal acontece com o aplicativo e alertar o administrador dos sistemas.
Quando diferentes partes de um aplicativo são distribuídas em diferentes servidores no data center, ou mesmo alocadas como serviço fora do data center, a Boundary ainda consegue detectar e mapear como um componente essencial do aplicativo.
O painel online de um cliente da Boundary é atualizado a cada segundo e mostra, graficamente, o status operacional geral e os pontos problemáticos individuais.
Read disse que a Boundary tem mais de 1.000 usuários na versão gratuita e 95 clientes pagos, incluindo o serviço de nuvem Joyent, StumbleUpon, Github e Gilt Groupe. Um usuário, Michael Hood, engenheiro-líder da família de serviços online de comunicação e rastreamento, Life360, disse que ser capaz de ver o desempenho de seus aplicativos na Amazon Web Services é crucial para os negócios.
Entre seus 35 milhões de usuários, muitos são famílias com crianças que “dependem das informações que fornecemos para gerenciar o cotidiano”. Os aplicativos da Life360, por exemplo, enviam, repetidamente, pedidos para os iPhones Androids que os membros da família utilizam e postam suas localizações no Google Maps. Se o aplicativo cai, a Life360 vai ouvir reclamações de pais que dependem dessas informações.
“Quando a Amazon caiu, na véspera do Natal, imediatamente vimos comentários nas redes sociais de pessoas que estavam tendo problema para usar o aplicativo”, relembrou Hood. Fora essas interrupções, alguns problemas ainda se desenvolvem dentro de uma zona de disponibilidade da Amazon, observou ele. “Podemos rotear o tráfego por um caminho diferente (para outra zona) para evitar problemas de desempenho”, disse Hood. O Life360 usa informações da Boundary uma vez a cada dois meses, em média, para ações defensivas e para garantir respostas imediatas ao usuário final, acrescentou Hood.
Como exemplo do fluxo de dados envolvido, a Life360 coleta bilhões de fragmentos de informações por dia para rodar seus aplicativos. A Boundary coleta informações de cada transação nas atividades da Life360 e todos os aplicativos de seus clientes. Isso soma uma coleta de 7.5 TB de dados de desempenho de aplicativo por dia. A capacidade analítica da Boundary “age como um prisma e separa” informação sobre cada aplicativo individualmente, disse Read.
O serviço não é um competidor direto de outros sistemas de monitoramento de aplicativos, como New Relic ou App Dynamics. Um representante de cada um deles esteve presente no anúncio dos serviços da Boundary, na semana passada. A Boundary pode usar seus dados para oferecer alertas codificados por cores para gerentes. Também pode remover alerta e destaque de problemas assim que forem resolvidos, automaticamente ou não.
Em um caso, gerentes foram alertados sobre um aplicativo que gerava um numero anormal de retransmissões de rede e descobriram hardware defeituoso na rede. O host de um sistema de jogos online viu desempenho anormal em um cluster de servidor de jogo e descobriu que um servidor tinha recebido um tamanho errado de banda em seu cartão de interface de rede.
A Boundary já detectou uma quantidade anormal de tráfego interno vindo de um país com que um determinado aplicativo tinha pouquíssimo contato, e alertou os gerentes sobre um possível ataque de negação de serviço (DoS), contou Read.
