BlackBerry avisa: lançamento de tablets vai demorar. E agora?

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6:40 pm - 31 de janeiro de 2013

19 de outubro de 2011, São Paulo. Diretor geral da então Research In Motion, e atual BlackBerry, para o Brasil, Peter Gould, afirmou categoricamente durante o lançamento do Playbook em solo tupiniquim: “não vamos, em absoluto, sair do mercado de tablets”.  A questão veio por conta de exemplos de insucesso em um mercado predominantemente dominado pelo iPad, da Apple. A HP anunciara no mesmo ano a interrupção das vendas de seu TouchPad, pouquíssimos meses após sua chegada ao mercado. A Dell ainda não havia trazido o já esquecido Streak para o Brasil.

30 de janeiro de 2013, Nova York. CEO da empresa há cerca de um ano, Thorsten Heins anuncia durante o lançamento do BlackBery 10, de dois dispositivos de ponta (Z10 e Q10), e da transformação do nome da empresa, que passa de RIM a BlackBerry, que o mercado deve esperar mais um pouco por novas empreitadas da marca dentro do universo de tablets.

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Não que isso seja a confirmação de saída do mercado, mas sabe-se que quem não inova, fica de escanteio naturalmente.

De acordo com o Mashable, durante coletiva de imprensa na quarta, Heins afirmou que a companhia iria continuar no mercado, mas que ainda está procurando uma forma de se diferenciar e se posicionar com qualquer modelo novo. Segundo a reportagem, o executivo considerou que a relação custo/benefício destes produtos era um desafio – em alusão à emersão de tablets menores e mais baratos, como o Kindle Fire, da Amazon – que são vendidos em um baixo custo e dão retorno financeiro às empresas através de serviços.

 

Em junho do ano passado, a fabricante anunciou a morte do Playbook de 16 GB. “O Playbook 16GB continuará disponível para distribuidores e revendas, enquanto as unidades durarem. Nós continuaremos produzindo os modelos de 32GB e 64GB que estarão disponíveis com nossos distribuidores e varejistas em todo o mundo”, afirmara a companhia.

O movimento não foi visto com os melhores olhos, especialmente porque a então RIM demorou mais de um ano entre o anúncio do lançamento do produto e a chegada efetiva ao mercado norte-americano. Diversos supostos problemas envolvendo o projeto, como autonomia de bateria praticamente inócua, teriam sido os motivadores da demora. Outro ponto considerado como negativo pelo mercado: o produto não detém conexão 3G, somente Wi-Fi. Isso compromete claramente a habilidade de mobilidade do produto, que, segundo os executivos da empresa, poderia usar o 3G de smartphones da marca quando o usuário estivesse longe  de um hotspot. Quem não tem smartphone BlackBerry, portanto, não veria muitos motivos para adquirir o produto.

Mas nem tudo é ruim. A questão envolvendo poucos aplicativos na App Store foi resolvida. Atualmente, a BlackBerry World tem 70 mil apps. Outros pontos positivos também chamam a atenção, e muito, dos clientes, especialmente os corporativos. Uma capacidade importantíssima é a de segurança do aparelho. Nisso não há dúvidas de que a fabricante é certeira.

Além de vir com a tecnologia Balance, que separa totalmente os ambientes profissional e pessoal do usuário em um mesmo hardware – evitando, assim, seu  filho do cliente envie um e-mail para o chefe quando estiver jogando Angry Birds, e mais importante, que o colaborador copie arquivos confidenciais da empresa em seu arquivo doméstico – a capacidade de criptografia dos produtos também é essencial para determinados clientes em potencial.

Ano passado, por exemplo, a companhia informou que a polícia canadense havia adotado Playbooks para utilização em viaturas em projetos de mobilidade, e que a opção havia sido tomada exatamente por motivos de confiabilidade no sistema.

O que há de errado, então?

Em relatório de dezembro publicado pelo Gartner, as perspectivas em torno do QNX, sistema operacional do tablet da BlackBerry, são de crescimento, mas de perda de mercado para concorrentes com sistema operacional da Microsoft, combinado entre Windows 8 e Windows RT.

Veja:

 

Plataforma 2012 (unidades) 2012
(%)
2016 

(unidades)

2016
(%)
iOS 72,988 61,40 169,652 45,94
Android 37,878 31,86 137,657 37,28
Microsoft 4,863 4,09 43,648 11,82
QNX 2,643 2,22 17,836 4,83
Outros 510 0,42 464 0,13
TOTAL 118,883 369,258

 

Quando se olham os números, naturalmente vem a questão: com assim perda de mercado, se de 2012 para 2016 as perspectivas são de aumento da participação da plataforma de 2,22% para 4,83%?

“Departamentos de TI verão o Windows 8 como oportunidade para desenvolver tablets em um sistema operacional que é familiar a eles e com dispositivos oferecidos por muitos fornecedores de classe empresarial”, afirmou Carolina Milanese, analista do Gartner, no comunicado de divulgação. “Isso significa que veremos o Windows 8 como uma forte oferta ao departamento de TI, além de um sistema operacional com um forte apelo ao consumidor.”

“Isso representa uma grande ameaça para fabricantes que pensaram em focar no mercado corporativo, que agora precisam se firmar também nos consumidores”, disse Carolina. “Esta é exatamente a mesma tendência que fabricantes como a RIM têm de enfrentar no mercado de smartphone. A diferença aqui é que tablets foram criados primeiramente para consumidores e depois inseridos em um ecossistema de aplicativos e serviços que faziam sentido a empresas. Quando o desenvolvimento partir do departamento de TI, acreditamos que sistemas operacionais tais como o Windows 8 terão uma vantagem, já que eles não são vistos como algo comprometedor à usabilidade dos usuários”, continuou.

Em entrevista concedida recentemente ao IT Web, Don Dodge, criador do QNX – sistema que serve de base para o BlackBerry 10 e para o Playbook –, destrinchou planos para usos da plataforma.

“Meu foco são os próximos anos. Se não tivermos sucessos nos celulares, tablets e carros, não será um mercado decente, em primeiro lugar. Mas você verá novidade em sistemas médicos para informações dos pacientes. Esta é uma área interessante e temos o pedigree para o sistema operacional que entregue isso. Temos certificados de segurança e uma plataforma muito robusta”, disse.

“Queremos prover uma proposta de valor que não seja somente hardware, mas também software”, disse. “O que faremos no ambiente de tablet é buscar por serviços específicos através do produto – como verticais de finanças e serviços. Ainda estamos explorando casos para isso”, afirmou Heins nesta quarta-feira, segundo o Mashable.

Tecnologia existe. Perspectivas também. Só falta, agora, saber como focar a estratégia de oferta.

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