Banda Estreita Ai Lerdax

Antigamente a comunicação telefônica no Rio de Janeiro era gerida pela Companhia Telefônica Brasileira.
Funcionava. 
É verdade que era preciso rodar a manivela do telefone, um monstrengo geralmente pregado na parede, esperar que a telefonista atendesse do outro lado, informar com quem (isso mesmo, com quem, não com que número) se desejava falar e esperar que a moça da mesa telefônica (as telefonistas eram sempre moças educadas e gentis, muito diferentes das que fazem o atendimento aos clientes da Oi nos dias de hoje) encaixasse manualmente em sua mesa o cabo de seu telefone ao conector telefônico do interlocutor e avisasse a ele que havia uma chamada. Minha saudosa sogra, que viveu esta época, costumava contar que em 1927, na semana em que João de Barros e sua equipe de tripulantes pousou o hidroavião Jahú na Baía da Guanabara após a primeira travessia do Atlântico sem escalas, as telefonistas do Rio atendiam o telefone com a saudação “Bom dia, o Jahú chegou”.
Era até possível fazer ligações de longa distância. Desde que você informasse à telefonista tanto a cidade desejada quanto o interlocutor, aguardasse alguns dias até que a conexão fosse agendada entre as duas redes e, no dia e hora aprazados, esperasse ansiosamente ao lado do telefone que “sua” telefonista ligasse e, depois de se entender com a da outra extremidade da linha, lhe pusesse em contato com o assustado interlocutor (o susto se devia ao fato de que ele era avisado com antecedência que a ligação seria feita mas o assunto não lhe era informado, e ninguém fazia uma ligação desta apenas para “dar um alô”: em geral as notícias não eram das mais agradáveis).
Como se vê, não era fácil.
Mas funcionava.
Depois, passou o tempo e a velha CTB foi desmembrada em empresas regionais. A aqui do Rio passou a chamar-se Telerj e, como a qualidade de seus serviços era no mínimo discutível, foi carinhosamente apelidada pelos usuários de “Telerda” ? sendo o “lerda” final atribuído por alguns à lentidão dos serviços, por outros à rica rima que propiciava.
Então veio a privatização e as coisas mudaram de novo. E mudou o nome da prestadora, já que o anterior estava associado a serviços de péssima qualidade. Os serviços passaram a ser prestados pela Telemar que, rapidamente, conseguiu alcançar um nível de qualidade tão ruim quanto o da antecessora, herdando a fama.
O caso exigia, naturalmente, providências urgentes. Que de fato foram tomadas com rara eficiência. É certo que tais providências não elevaram o nível do serviço, que continuou a lesma lerda e em nada foram afetados. Mas o objetivo principal foi alcançado: a partir de então não mais se falou mal da Telemar. Pois seu nome mudou e a empresa passou a se chamar “Oi”.
Passei o último mês conversando cerca de uma hora por dia ? às vezes mais ? com seus e suas atendentes. Vou relatar parte das conversas adiante, de modo que vocês verão que tenho sólidos argumentos para propor uma nova mudança de nome.
Sugiro que, em respeito aos doridos gemidos de seus clientes após tentarem resolver um problema aparentemente simples através do atendimento telefônico, a empresa, passe doravante a ser chamada de “Ai”.
Senão, vejamos.
