Ativistas pedem esclarecimentos ao Skype por medo de grampo nas conversas

Ativistas de diversas partes do mundo encaminharam uma carta aberta à Microsoft explanando preocupação com relação às políticas de privacidade do Skype – ferramenta de comunicação online que está sob domínio da marca há pouco mais de um ano. No documento oficial, o grupo pede que a fabricante faça uma série de esclarecimentos sobre as regras de coleta, armazenamento e compartilhamento de conversas dos clientes do produto.
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Segundo o documento, assinado por advogados, ativistas de internet, jornalistas e outras organizações, o sistema, que atende a cerca de 600 milhões de usuários ao redor do mundo e se configura em uma das maiores empresas de telecomunicações do planeta, pode ser “grampeado” com facilidade.
Em entrevista ao Digital Trends, o pesquisador de segurança cibernética Nadim Kobeissi, conhecido por desenvolver o chat online criptografado Cryptocat e por ser o autor original da carta, disse que a Microsoft se recusou a dar informações claras sobre os termos de privacidade do usuário. Em 2008, antes mesmo da compra pela gigante de software, o Skype havia informado ser impossível para companhia espiar as informações trocadas ente os consumidores e que por estar baseada na Europa, não precisaria seguir leis norte-americanas sobre privacidade do usuário.
Desde a compra, contudo, não há qualquer atualização de informações. “Muitas organizações e ativistas de internet tentaram pegar informações do Skype por anos. Estamos apenas colocando isso junto porque decidimos coletivamente que era um momento de ter uma resposta real e transparente, para benefício de todos os usuários, inclusive entre aqueles que estejam operando de zonas perigosas”
“Entendemos que a transição de administração para a Microsoft e as mudanças ligadas na jurisdição e gestão podem ter gerado algumas questões sobre acesso legal, coleta de dados do usuário e do grau de segurança das comunicações Skype, estão temporariamente difíceis de responder. No entanto, consideramos que do tempo do anúncio original da fusão, em outubro de 2011, e na véspera da integração da Microsoft com o Skype, é chegado o tempo para a publicação de informações sobre privacidade de usuários”, introduziu a carta.
Entre as solicitações, estão referentes a dados quantitativos sobre a liberação de informações de usuários a terceiros, desagregados por país de origem do pedido, incluindo o número de solicitações feitos por governos, o tipo de dados solicitados e o total de pedidos atendidos, bem como o motivo alegado em caso de rejeição. Também querem saber quais são os dados dos usuários que são coletados e as políticas de retenção, bem como melhor entendimento sobre a troca de informações entre empresas terceirizadas, como provedores de rede, e a interpretação do Skype sobre sua responsabilidade em atender às regras como às do Ato de Assistência à Comunicação por Forma da Lei (Calea, da sigla em inglês). Por fim, o documento solicita também informações sobre a relação atual entre com o provedor TOM Online, da China. O software TOM-Skype, parceiro do Skype usado na China, filtra mensagens de texto, removendo termos “sensíveis” determinados pelo governo chinês.
O IT Web entrou em contato com a assessoria de imprensa da companhia no Brasil, que não retornou até a publicação desta notícia.
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