Art Project, “filho” do Google Street View, chega a museus brasileiros

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1:57 pm - 03 de abril de 2012

Depois de um ano de operação internacional da primeira versão, a segunda fase do Google Art Project, que levava obras de arte presente em museus dos Estados Unidos e Europa, foi ampliada nesta terça-feira (04/03), chegando a outros países, inclusive, da América Latina. Em coletiva de imprensa realizada em São Paulo, capital, Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, detalhou que o serviço, que amplia o conceito do Street View para ambientes de museus, agora atende ao Museu de Arte Moderna (MAM) e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A primeira versão do projeto foi lançada em 1º de fevereiro do ano passado, com a participação de 17 ambientes de nove países. Agora, o Google Art Project atende a 150 espaços ao redor do mundo, sendo dez na América Latina, dois no Brasil e cerca de 30 mil imagens de alta resolução de cerca de seis mil artistas. Foram selecionadas 98 obras para a Pinacoteca e a mesma quantidade para o MAM.

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A ferramenta não tem ainda um aplicativo específico para Android. Coelho convidou a comunidade open source a participar, produzindo algo específico neste sentido. “Somos uma plataforma aberta, qualquer desenvolver que tiver interesse e paixão pelo assunto pode fazê-lo”, afirmou o executivo, quando questionado sobre o assunto. O projeto tem conexão com todas as redes sociais, tanto o Google+ (permitindo, inclusive, a interação via Hangouts), quanto Facebook e Twitter.Segundo Coelho, não há restrição de participação de redes concorrentes por conta do caráter do projeto, que é disseminar informação na web de forma generalizada.

Um ponto que chamou a atenção da plateia foi a tecnologia de imagens em altíssima resolução, de sete gigapixels, que é utilizada para registrar uma obra por museu participante do projeto. Para se ter uma ideia, isso permite tirar fotos com sete bilhões de pixels, garantindo visualização de detalhes que o olho nu não consegue atingir.  Para o MAM, a obra escolhida foi uma sem título que fica em frente ao museu, feita pelos artistas em grafite brasileiros Osgemeos.  No caso da Pinacoteca, a obra escolhida foi Saudade, do também brasileiro Almeida Júnior.

O processo para tirar as imagens em alta resolução demora de algumas horas a alguns dias, dependendo do nível de dificuldade. “Uma obra bidimensional, como um quadro, é mais fácil. Outras tridimensionais, como objetos, são mais complexas”, disse Alessandro Germano, responsável pela área de desenvolvimento de novos negócios do Google Brasil.

Além disso, uma câmera que tira fotos 360 graus, a mesma utilizada pelo Street View, é responsável por captar as imagens do ambiente como um todo. O usuário consegue passear entre as salas, focalizando os quadros ou obras de seu desejo, com auxílio do mouse.

De acordo com Coelho, o Art Project nasceu do trabalho voluntário de colaboradores do Google, que doam 20% de seu tempo para a produção da tecnologia e aparatos necessários para viabilização. “Isso acabou sendo um desdobramento do Street View”, contextualizou.

A intenção é ampliar o escopo de obras disponíveis, apesar de o Google não comentar sobre negociações ainda não concluídas. “Este projeto abrange o novo acervo da Pinacoteca lançado em outubro do ano passado, com obras do período colonial até os primeiros anos da década de 1920. Esperamos poder ampliar o acervo, porque temos nove mil obras. Mas este já é o primeiro e importantíssimo passo”, afirmou Marcelo Araújo, diretor executivo da pinacoteca do Estado.

 

Valor do negócio

Quando questionado sobre o valor comercial do projeto, Coelho foi direto. “Se formos um pouco menos pragmático e mais filosófico, o Google tem o objetivo de criar uma web aberta para fazer um mundo melhor, seja como indivíduo, cidadão ou negócio. Negócio é uma perna disso. Ao abrir nossas portas para a construção de um ambiente virtual mais saudável, teremos uma sociedade mais engajada, mais conectada, que colabora mais, e dentro desse espírito continuaremos sendo uma empresa do bem, uma empresa boa, e construindo um ambiente de negocio. Nem tudo se traduz em negócio. Tem um objetivo maior que é propósito”, disse Coelho.

O movimento mostra o esforço da companhia em manter seu caráter integrador e social. Há cerca de duas semanas, a companhia anunciou o Google Street View agora tem imagens dos rios Negros e Solimões, que cortam o Estado do Amazonas. “Isso fez com que a comunidade se sentisse pertencendo a uma comunidade chamada de aldeia global. Esse sentimento valoriza o aspecto cultural no qual elas estão  inseridas, utilizando a tecnologia para compartilhar e deixar o mundo menor”, disse o executivo.

 

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