Anonymous podem fazer a diferença no ataque ao Estado Islâmico
As atividades do grupo de hackers sempre pareceu duvidosa mas, neste caso, o sucesso será muito bem-vindo

Na sequência dos horríveis ataques em Paris, as operações militares contra os redutos terroristas do ISIS (Islamic State of Iraq and Syria, ou simplesmente estado islâmico – EI) têm aumentado. Quando alguém bate em você, é natural que você revide. Mas é possível ganhar ao matar um inimigo que procura a morte, e quando os que são mortos inspiram outras pessoas desesperadas a substituí-los?
Junto com a notícia de que os franceses lançaram ataques aéreos contra posições do ISIS, surgiu a notícia de que o grupo de ciber-vingança autodenominado Anonymous declarou guerra ao ISIS. Nunca pensei dizer isto mas o Anonymous pode ser o nosso salvador. Atacar o ISIS é militarmente necessário, mas o grupo sempre exerceu a sua influência através dos media sociais, usando-as para a angariação de fundos e recrutamento. As duas atividades são essenciais para a existência e eficácia do ISIS. O armamento que usa na sua campanha de terror é caro, e quando cada operação bem sucedida termina em morte ou na prisão de todos os participantes, o recrutamento é crítico.
O que torna o envolvimento do Anonymous intrigante. O ISIS deria estar muito assustado. A área do Twitter oficial dos Anonymous para a Operação Paris já informou que “mais de 5.5 mil contas de Twitter pró-ISIS foram derrubadas”, e esse número segue aumentando. Isto em cima de dezenas de milhares de contas de Twitter pró-ISIS que o Anonymous fechou antes dos ataques de Paris, junto com um grande número de páginas de doações ao grupo – alojadas na Dark Web – que o Anonymous conseguiu desativar, de acordo com o The Atlantic.
A mensagem-chave dos Anonymous no Twitter é: “Não se enganem: #Anonymous está em guerra contra o #ISIS. Não vamos parar de nos opor ao #IslamicState. Somos também melhores hackers”. Esta última frase é fundamental. Os Anonymous estão falando de uma ciberguerra contra o ISIS, algo que não é restringido por leis que podem dificultar um ciberataque realizado pelos governos norte-americano, francês ou russo. E, para crédito dos Anonymous, eles são melhores hackers, de fato.
Isto pode ser muito eficaz. Enquanto os governos bombardeiam e soldados atacam no terreno físico, é essencial que as ferramentas de recrutamento e de financiamento do ISIS sejam atacadas também. Se ataques DDoS e outras tácticas para silenciar as contas de redes sociais as torna inúteis para o grupo terrorista, vai ser muito mais difícil financiar o terror e recrutar substitutos.
E como os Anonymous podem enfraquecer o ISIS nestas áreas?
Financiamento
O ISIS consegue algum financiamento de governos, mas isso geralmente é feito em silêncio, por conta de toda a pressão internacional. O grupo Anonymous é impressionantemente bom em revelar segredos. Suas atividades podem tornar muito mais difícil aos governos orientados para o mal suportarem o ISIS sem pagarem um preço alto por isso.
O ISIS também ganha dinheiro com a venda de bens que rouba, mas esse financiamento é limitado. [E pela venda de petróleo a países vizinhos, muito abaixo do preço de mercado, segundo alguns analistas.]
O ISIS depende de pequenas doações de apoiadores, depois de terem sido doutrinados. A campanha dos Anonymous pode ser eficaz nesta área também, de duas maneiras. Em primeiro lugar, fechando repetidamente um grande número de sites de doações. Em segundo, fechando sites de propaganda, contribuindo assim para reduzir o número de pessoas que sentem o desejo de doar.
Isso precisa ser feito em conjunto com os ataques militares. À medida que esses ataques acontecem, a escória do ISIS (desculpem mas é a linguagem mais dura que o Computerworld me deixa usar) recorrerá a eles para recrutar pessoas e pedir dinheiro. Ao serem inutilizados pelos Anonymous, será muito mais difícil propagar mensagens e, principalmente, obter respostas.
Recrutamento
Nesta área, a ciberguerra dos Anonymous pode ser muito mais eficaz do que bombas e balas. O recrutamento exige três elementos: ter mensagens para potenciais apoiantes e simpatizantes; convencê-los a apoiar e dar-lhes os meios para responderem. (Nota: As tentativas de se infiltrar nessas operações são outra ótima táctica porque forçam o ISIS a ser ultra-desconfiado de qualquer um muito ansioso para entrar.)
As redes sociais e a Dark Web são as únicas maneiras práticas – para além do boca-a-boca, que é demasiado lento e ineficiente para uma operação global – através das quais o ISIS pode fazer isso. Os seus líderes têm aprendido bem sobre as mídias sociais. Se o grupo Anonymous conseguir manter-se à frente do ISIS para acabar com a propaganda, recrutamento e os sites de arrecadação de fundos e de ajuda de todos os tipos, a sua ciberguerra, em conjunto com ataques militares convencionais, pode funcionar.
Assim, embora nunca tenha tido palavras amáveis para os Anonymous no passado, estou realmente esperançoso de que neste esforço eles sejam bem sucedidos. Quando vemos atrocidades como o que aconteceu na semana passada em Paris, é natural que muitos de nós se sintam impotentes. Mas os programadores e outros profissionais que uniram forças, têm a possibilidade de fazer a diferença.
Nota do Editor: Por meio de um vídeo publicado no YouTube nesta segunda-feira, 16/11, o grupo Anonymous afirmou que vai usar o seu conhecimento para “unir a humanidade”.
Usando a máscara de Guy Fawkes, que já virou marca registrada do grupo hacker, um porta-voz dos Anonymous depois partiu para as ameaças propriamente ditas ao grupo terrorista. “Anonymous de todo o mundo vão caçar vocês.”
“Vocês devem saber que vamos encontrar vocês e não vamos deixá-los escapar. Vamos lançar a maior operação da história contra vocês. Esperem por ciberataques gigantes. A guerra foi declarada. Preparem-se”, continuou.
