Anonymous: ciberguerra não existe, dizem especialistas

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10:07 am - 30 de janeiro de 2012

A ciberguerra não existe. O que verificamos, hoje em dia, é o ativismo via web, na qual hackers se valem de seu conhecimento para protestar contra decisões de governo. Foi a essa conclusão que chegaram cinco especialistas em direito digital durante debate promovido pelo IT Web para discutir Sopa, Pipa e os recentes casos que abalaram o mundo digital.

Participaram do debate José Milagre, sênior digital forensics examiner na LegalTECH; Luis Massoco, ex-presidente da Comissão de Direito na Sociedade da Informação da OAB/SP e professor de diversas instituições de ensino superior; Rony Vainzof, sócio do Opice Blum Advogados Associados; e Victor Haikal, sócio do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados; e Emerson Alvarez Predolim, membro da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia.

Para Haikal, o ambiente online é palco para discussão como uma própria evolução das plataformas de comunicação. “Na Grécia, as discussões ocorriam na praça. Na geração dos meus pais, a briga era com os militares. Hoje  você discute na internet: às vezes é algo ofensivo, caótico, burro, mas é importante”, adicionou.

A premissa é que, pelo seu conceito, guerra não é uma luta entre civis e governos – mas entre governos e governos. Desta forma, se o grupo Anonymous ataca companhia ou sites ligados à administração dos Estados Unidos, trata-se de uma insurgência, uma rebelião.

Um exemplo de ciberguerra seria o não confirmado ataque dos Estados Unidos, em parceria com Israel, às usinas nucleares do Irã com ajuda do vírus Stuxnet, em 2010. Houve, ainda, em 2008, Rússia e Geórgia em um embate virtual, por conta da independência da Ossétia do Sul.

“Se analisarmos o principal doutrinador sobre ciberguerra que temos, o Richard Clark, ex-funcionário de segurança dos Estados Unidos, verificamos cenários apocalípticos mesmo: trem batendo em metrô, aviões caindo, pessoas sendo mortas…. mas vamos pensar: com quem estamos falando? Cada vez mais pessoas falam que os EUA não estão preparados para uma ciberguerra e que precisam se estruturar, mas vamos avaliar a fonte: pessoas que doutrinam a respeito da ciberguerra estão relacionados a segurança cibernética”, comentou Milagre. Segundo ele, quando tirou os sites da Visa do ar, em protesto à prisão do fundador do WikiLeaks, o grupo Anonymous tinha capacidade de derrubar todo o sistema de pagamentos, e não somente o site institucional. “Para quem estuda o Anonymous, verificamos que a cúpula se preocupa sim, ao contrário de outros grupos, de fazer um protesto e uma mobilização virtual que tenha impacto mas de forma menos danosa a civis e às pessoas”, disse.

De acordo com o especialista, o mercado de armas virtuais é extremamente lucrativo. “É um mercado que atingiu US$ 100 bilhões no ano passado e vai faturar US$ 15 bilhões em 2015”, alertou, indicando haver interesse de fornecedores de segurança em criar um cenário de vulnerabilidade envolvendo o ambiente online.

Risco

Mas o risco existe, e não pode ser ignorado. Coriolano Camargo, presidente da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB/SP, não estava presente no debate, mas encaminhou suas ideias sobre o tema. De acordo com ele, existe uma crescente preocupação com o tema, também no Brasil – motivo pelo qual o Exército nacional investe em capacitação de profissionais para defesa das fronteiras virtuais do País. “ Em um mundo globalizado e dependente da manutenção de uma infraestrutura digital, ataques cibernéticos que podem ser lançados contra infraestruturas críticas por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo tornam-se ameaças que podem trazer resultados catastróficos”, ponderou.

Ele avaliou que falhas em cascata, partindo de ações individuais, podem acabar com um sistema que tenha silos dependentes entre si. “Por exemplo: um bem sucedido ataque ao aparato computacional de um porto doméstico pode ter um impacto global no comércio internacional e no fornecimento de energia e produção. Da mesma maneira, um ataque cibernético ao sistema de controle de tráfego aéreo colocaria não só vidas em risco, mas ameaçaria debilitar uma miríade de atividades econômicas dependentes do funcionamento do transporte aéreo”, adicionou.

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