Análise: ferramenta criada por concorrentes do Google não terá efeito

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9:19 am - 26 de janeiro de 2012

A decisão do Google de integrar conteúdo de sua rede social Google+ na listagem de pesquisa recebeu críticas imediatas de competidores como o Twitter, que argumentou que a mistura de links torna o conteúdo relevante difícil de encontrar.

Durante a semana, a briga ficou feia. O engenheiro do Facebook, Blake Ross, trabalhou em conjunto com programadores do MySpace e do microblog e lançou uma extensão bookmarket para o Chrome chamada ?Don?t Be Evil? (Não seja mau)  – em referência ao lema oficial do Google. O objetivo é destacar a alegação de que o Search plus Your World, como a companhia chama sua integração de pesquisa social, favorece seus conteúdos e retorna resultados menos relevantes.

Uma vez instalada, a extensão do navegador reescreve resultados de busca do Google+ com resultados do índice de rede do Google, que tende a favorecer serviços de mídias sociais mais estabelecidos como LinkedIn e Twitter em vez do conteúdo da rede social da gigante de busca.

Isso parece comprovar a alegação de que o Google baseia seus resultados de pesquisa em favor de seus serviços, em detrimento dos usuários e concorrentes. A comprovação disso pode ajudar a formar o caso de que o negócio de pesquisas do Google é anticompetitivo, uma acusação que é investigada pela Federal Trade Commission e reguladores antitruste europeus.

Para ter uma ideia de como a crescente pressão dos competidores ameaça o Google, considere os US$ 3,76 milhões que a companhia gastou em lobby com legisladores dos Estados Unidos durante o quarto semestre de 2011. Este número é três vezes mais do que o gasto um ano antes na mesma época, para apresentar seu lado da história.

A extensão ?Don?t Be Evil? deveria ser chamada de ?Don?t Be Competitive? (Não Seja Competitivo). O Facebook e o Twitter tinham ? e continuam a ter ? a oportunidade de negociar acordos com o Google para tornar seu conteúdo mais acessível no mecanismo de pesquisa.

De fato, o Facebook impede explicitamente o rastreador de rede do Google de indexar seu conteúdo significativo por meio de seu arquivo robots.txt. Ele não deixa que os usuários acessem seu material pela gigante de buscas e  reclama quando a concorrente cria uma rede social competitiva, o Google+, e decide alavancar os dados sociais.

Já o Twitter não renovou seu acordo com o Google para fornecer acesso em tempo real aos seus dados. Se a culpa pela falha no acordo é do microblog ou da companhia de pesquisas, isso não importa. O Google se voltou para seu próprio serviço de dados sociais em tempo real, e se os dados do Google+ são menos relevantes do que os das outras redes sociais, então o Google pagará o preço quando pesquisadores mudarem para o Bing por ele ser melhor. Isso ainda não aconteceu.

Talvez o aspecto mais pernicioso em toda a controvérsia seja a noção de resultado de pesquisa orgânico. ?Criamos uma ferramenta que usa a medida de relevância do Google ? ou seja, a listagem de seus resultados de pesquisas orgânicos ? para determinar qual conteúdo social deve aparecer nas áreas onde os resultados do Google+ apareciam?, explicaram em seu site os criadores da extensão ?Don?t Be Evil?.

A ideia é mostrar que os resultados de relevância de algoritmos do Google são mais puros do que os escolhidos pelo Google+. É uma ideia adorável, mas aplicar a noção de comida orgânica em resultados de pesquisa não funciona. Comida orgânica é muito melhor porque não contém hormônio ou produtos químicos que causem mal à saúde.

Resultados de pesquisas não podem ser orgânicos. Não há uma maneira natural de determinar relevância. Tudo é artificial. O que os competidores do Google querem é concorrer com os serviços da gigante de buscas enquanto se apoiam no Google Search para tráfego de visitantes.

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Thaís Sabatini

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