A arma secreta da RIM: gerenciar dispositivos móveis

A difícil situação da Research In Motion (RIM) está em pauta esses dias, com analistas debatendo sobre a possibilidade de o acordo entre Google e Motorola ajudar ou prejudicar ainda mais a fabricante do BlackBerry, e se os novos telefones da RIM conseguirão recuperar as fatias de mercado perdidas. Mas um elemento essencial na estratégia da RIM, pelo menos para smartphones e tablets corporativos, não recebeu muita atenção nas recentes discussões. E é o plano da fabricante de criar um software para gerenciar tablets e smartphones de outros fabricantes e, assim, ganhar dinheiro com clientes corporativos mesmo quando eles optarem por iPhones, iPads e dispositivos Android. O BlackBerry perdeu a vantagem que um dia teve sobre usuários corporativos, o que é apenas um dos motivos pelos quais a RIM teve de demitir funcionários e reduzir as expectativas de lucro no inicio do ano.
A confusão de smartphones e tablets dentro das empresas está causando sérios problemas aos CIOs, portanto, existe uma demanda crescente por um gerenciador de dispositivos móveis. Nenhum fornecedor ainda domina esse jovem mercado, embora inclua participantes como Good Technology, Sybase (sob a SAP) e MobileIron. Apple e Google tratam o mercado corporativo como clientes de segunda classe, por isso, não podemos dizer que isso seja uma prioridade para os dois gigantes. E a RIM tem boa reputação em segurança e compliance de smartphones, embora seja apenas para os telefones BlackBerry.
Nos próximos meses, a RIM promete apresentar o software MDM, capaz de gerenciar uma grande quantidade de dispositivos. Se a empresa vai conseguir se beneficiar, vai depender dos executivos estarem realmente comprometidos em servir um mundo de múltiplos dispositivos, e não de usarem o software MDM como forma de vender mais telefones BlackBerrys ou tablets PlayBook. Por enquanto, a RIM tem dito as coisas certas.
?Usuários se emanciparam?, avalia Alan Panezic, VP de software da RIM. O que ele quis dizer é que funcionários não se prendem mais a smartphones e tablets fornecidos pela empresa. Mais funcionários têm permissão de usar seus próprios dispositivos no trabalho e não demandam muitas opções entre os aparelhos corporativos, o que deixa a TI enlouquecida, tentando gerenciar segurança e compliance. Quando entrevistamos profissionais de TI, em 2010, sobre quais funções de MDM eles queriam, a mais citada foi eliminação remota de dados (por 72%) e, em segundo lugar, suporte para múltiplos dispositivos (62%).
O MDM é software back-end que gerencia segurança, downloads e fluxo de conteúdo em smartphones e, progressivamente, tablets. As funções-chave incluem tarefas como eliminação remota de dados de aparelhos perdidos, reconfiguração de senhas e atualização de software. A RIM é reconhecida por realizar muito bem essas tarefas no BlackBerry Enterprise Server, mas o BES gerencia apenas dispositivos BlackBerry. Por isso, a RIM adquiriu a Ubitexx, em maio, com planos de oferecer MDM para múltiplos dispositivos. ?Não vemos o mundo como um único tipo de aparelho?, afirmou Panezic.
É interessante que quando Panezic fala sobre dispositivos móveis que irão mudar a forma como empresas operam, ele fala mais de tablets do que de smartphones. ?Pensamos sobre o que o usuário final busca em um tablet e eu posso resumir como ?todos os benefícios de um smartphone sem nenhuma de suas limitações??, disse. Esses benefícios incluem bateria de vida longa, instant-on, desempenho rápido, software que se mantém e loja de aplicativos com aplicativos pessoais e corporativos. Mas as pequenas telas dos smartphones limitam o uso de muitos aplicativos corporativos. ?Não é o mesmo nível de dispositivo de computação de propósito geral como um laptop.?
Mas será que ele já viu algum CIO comprando caixas de tablets e distribuindo entre vendedores ou enfermeiros? Ainda não. ?O que eu vejo são muitos projetos-piloto e testes?, contou.
O principal motivo pelo qual CIOs não fazem mais, argumentou, é porque não existe uma forma de gerenciar tablets como parte da infraestrutura de TI e ainda permitir o uso pessoal (Eu complementaria dizendo que os aplicativos corporativos móveis ainda não estão preparados para isso, embora mobilidade de software corporativo esteja no topo da lista de prioridades de equipes de TI). Em um sistema de gerenciamento, líderes de TI querem segurança e controle, ?mas que seja programável e tenha capacidades para que as pessoas possam pensam em reinventar o ambiente corporativo?, aponta Panezic. ?Acho que as pessoas ainda não encontraram essa combinação, e acho que nós estamos no caminho certo.?
Portanto, aí está a primeira impressão da RIM sobre gerenciamento de dispositivos móveis – uma que envolve tanto smartphones quanto tablets.
Será que um software MDM será o bastante para revitalizar o crescimento da RIM? Não sozinho. Mas é uma ótima oportunidade e uma forma única de a RIM se diferenciar da Apple e do Google, que têm histórico de colocar o mundo corporativo no final da lista de prioridades.
A RIM, com certeza, poderia perder essa oportunidade. Principalmente, porque precisa, antes de tudo, entregar, de fato, o software de forma a alcançar as expectativas dos CIOs para o BlackBerry Enterprise Server e aplicar isso à outras plataformas. Terá de superar muitos fornecedores de MDM que estão crescendo. Precisa provar que seu software de gerenciamento não irá favorecer seus próprios dispositivos. E terá de provar que está em sincronia com o que querem e precisam os consumidores de tablets, algo que os lamentáveis números de venda do PlayBook colocam em dúvida.
CIOs precisam de ajuda com MDM, um problema sério e crescente que terão de pagar alguém para resolver. Dada a reputação da RIM, é uma opção viável, até termos uma amostra.
