Fraudes financeiras seguem desafio incontornável no país

Somente no primeiro trimestre deste ano foram identificadas quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade

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Crédito: Towfiqu barbhuiya/Pexels
Crédito: Towfiqu barbhuiya/Pexels

Por Claudia Amira, diretora-executiva da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital)

Onipresentes e cada vez mais agressivas, as fraudes financeiras não perdem o fôlego. Sem dar mostras de que podem recuar, ainda mais em um cenário impulsionado pelo avanço da Inteligência Artificial, continuam crescendo, causando prejuízos materiais e emocionais para consumidores e empresas, além de atrapalhar as operações de instituições sérias ao criar crises de confiança e de reputação no mercado. 

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Segundo dados do Mapa da Fraude da Serasa Experian, somente no primeiro trimestre deste ano foram identificadas quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade. No período, ainda de acordo com o levantamento, mais de 19 milhões de mensagens foram associadas a golpes. Entre os setores afetados, o financeiro concentra a maior parte das ocorrências, com seis a cada dez tentativas envolvendo bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas voltadas a serviços e a crédito. 

Além das perdas financeiras, por si só traumatizantes, e da dor de cabeça causada às vítimas, que muitas vezes não conseguem recuperar os recursos desviados dada a velocidade e engenhosidade com que os criminosos agem, os golpes no segmento têm impactos diretos nos negócios das instituições brasileiras. 

Pesquisa global feita por uma companhia especializada em prevenção de fraudes apontou que cada dólar perdido no país nesse tipo de crime custa seis vezes para as empresas, incluindo aí investimentos extras para eventuais investigações e emprego de mais soluções e tecnologias para fazer frente à ofensiva das quadrilhas. 

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Ainda que o contexto seja desafiador – e é bom que se diga que a situação é parecida em todo o mundo -, as instituições financeiras brasileiras, assim como as autoridades monetárias, dedicam hoje parte importante de sua tecnologia e recursos humanos a ações de prevenção de fraudes e segurança digital. 

Quando olhamos especificamente para o setor de crédito digital, boa parte das fintechs, já há muito comprometidas com ferramentas inovadoras capazes de proteger suas transações e clientes, adotam a abordagem Secure by Design, que considera a cibersegurança já na concepção do produto ou serviço. Essa iniciativa permite que as soluções sejam desenvolvidas com mecanismos para responder a vulnerabilidades e ameaças que possam surgir no caminho. 

Soma-se a isso duas ações fundamentais, mas aparentemente simples, presentes na agenda: disseminação de informação e promoção do letramento digital. A difusão intensiva de orientações de segurança em todos os canais das instituições financeiras e campanhas que orientam o uso de aplicativos e dispositivos são de suma relevância, não custam muito e trazem resultados. 

Afinal de contas, por mais que os telefones celulares estejam na mão da maior parte da população, basta um pequeno descuido – a que todos estão sujeitos – para que uma barreira seja ultrapassada e o criminoso comece a agir. Nessa hora, tecnologia e orientação podem fazer a diferença.

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Sobre o Autor

A ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) é uma associação sem fins lucrativos de âmbito nacional formada por fintechs que oferecem produtos e serviços financeiros.

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